Luís Filipe Vieira tinha acabado de falar no Now, João Diogo Manteigas, Martim Mayer e Cristóvão Carvalho passaram durante a tarde pela SIC Notícias, Rui Costa deu uma entrevista ao jornal Record que será apenas publicada esta segunda-feira, João Noronha Lopes foi entrevistado na CMTV. Num dia quase de rescaldo às duas Assembleias Gerais no Pavilhão da Luz, que acabaram por chumbar de forma expressiva o Relatório e Contas de 2024/25 e o Regulamento Eleitoral, o antigo dirigente e candidato derrotado em 2020 também deu a sua versão dos factos do que se passou na reunião magna e refutou todas as acusações de Vieira.
“Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não deixar que um sócio fale numa Assembleia Geral é uma coisa inadmissível e disse-o na Assembleia Geral e depois, de uma forma clara. Não são as mentiras que Luís Filipe Vieira disse hoje [domingo] que faz com que mude a minha opinião, todos devem poder falar por muito que não concordemos com eles e estejamos em desacordo com coisas que fizeram no passado. E é importante explicar tudo o que se passou nesse momento”, começou por referir João Noronha Lopes.
“Não houve nenhuma manobra organizada da minha candidatura para boicotar quem quer que seja, muito menos houve uma tentativa para sair da sala quando Vieira começasse a falar. O que se passou foi que antes da Assembleia Geral começar, João Diogo Manteigas veio ter comigo e desafiou-me para sair da sala e eu disse que não saía porque estava numa Assembleia Geral do Benfica. Não sei se havia estratégia, estou a dizer aquilo que se passou. Na minha opinião, todos os sócios devem ser ouvidos e devem ser respeitados quando usam da palavra. Até posso admitir que algumas pessoas saiam da sala, têm esse legítimo direito, eu não saio porque estou lá para defender as minhas posições como sempre fiz com urbanidade e respeito pelos sócios”, relatou o candidato, colocando-se à parte das críticas feitas por Vieira.
“Quando me apercebi que a situação estava a gerar uma enorme turbulência, eu, juntamente com o João Diogo Manteigas, com o Martim Mayer e com o Cristóvão Carvalho, dirigimo-nos ao presidente da Mesa da Assembleia Geral para fazermos uma declaração em conjunto para serenar os ânimos dos sócios, que era o que nós queríamos ter feito. A partir daí, as coisas escaparam-se do nosso controlo… Eu não tenho nada a ver com o boicote, estou ali para defender as minhas posições. Tentei serenar os ânimos mas a situação, por razões que desconheço, escaparam ao nosso controlo. Provocação de Vieira? Vieira está a mentir quando disse que organizei ou que boicotei, se Rui Costa se refere à minha candidatura também mente. A diferença é que, enquanto Luís Filipe Vieira entra rodeado de capangas, eu entrei com o meu filho, com um ex-presidente da Mesa do Benfica, com um ex-vice-presidente do Tribunal Constitucional e com um dos melhores gestores portugueses. Queríamos falar das contas e do Regulamento Eleitoral”, apontou.
“Aquilo que desafio Luís Filipe Vieira é que, se de facto quer estar nas Assembleias do Benfica, é bem-vindo e que esteja mais vezes do que nos últimos anos. Vieira disse uma vez que havia democracia a mais no Benfica, não convive bem com isso. Se é assim, que aceite vir a debates porque em 2020 recusou. Vamos então discutir ideias. Ele lançou a candidatura mas até agora não lançou uma ideia. Ele aparece, ele manda recados mas não disse uma ideia. É tempo de respeitar os sócios do Benfica. Responsabilidade nos chumbos? Na opinião do presidente do Benfica, nada faz sentido quando é alvo de críticas construtivas… O que estas últimas 24 horas mostraram é o desespero de duas pessoas que representam um regime que vai cair, que está podre e vai cair. Estão nervosos com os resultados das sondagens, mentem, lançam calúnias. Rui Costa quer desviar as atenções porque falhou, desportiva e financeiramente”, referiu.
De seguida, Noronha Lopes falou também da conversa que teve com Rui Costa durante a Assembleia Geral. “Quando falhamos, quando não temos boas ideias, quando não temos soluções para os problemas, lançamos calúnias. Ele foi o primeiro a fazer ataques pessoais à minha candidatura, dizendo que eu e milhares de pessoas festejamos as derrotas do Benfica. Portanto, devo dizer que não aceito lições de benfiquismo de Rui Costa. Rui Costa foi o primeiro a baixar o nível. Não aceito quando fala de Vale e Azevedo, ele foi bandeira eleitoral de Vale e Azevedo e eu estive do lado de Manuel Vilarinho. Não tem legitimidade para dar lições de benfiquismo a ninguém, em 2020 bati-me contra Vieira porque queria devolver o bom nome ao Benfica e encostou-se a Vieira… O que lhe disse? Eu tenho uma relação cordial com Rui Costa, a seguir vejo estes comunicados… Ele um dia disse que não lia o que assinava, será que lê os comunicados?”, atirou.
“Quando se põe em causa a honorabilidade de uma pessoa, as desculpas vêm tarde. Do que falámos? Ele perguntou-me a razão para nós estarmos contra o Regulamento Eleitoral e eu expliquei o porquê. O processo foi muito mal conduzido pelo presidente da Mesa. Nas eleições de 2021, houve uma reunião de consenso para que Rui Costa e Francisco Benítez chegassem a um acordo, este presidente decidiu não fazer. Chamou todas as candidaturas, empurrou para a frente e não resolveu nada. Desde junho que apresentamos propostas, sugestões, pedimos esclarecimentos e não houve nada. Houve mais candidaturas a pedir para que aquilo não fosse um plebiscito. Acusado pelo clima na Assembleia Geral? Desminto, é mentira e não admito que ninguém coloque em causa a minha honra e reputação. Estamos em eleições, há sondagens que não são favoráveis a essas candidaturas… Vieira e Rui Costa são farinha do mesmo saco”, criticou Noronha Lopes.
“Tenho um percurso profissional de 20 anos, a trabalhar em grandes empresas por todo o mundo, subi a pulso, não devo favores a ninguém, não fui escolhido por ninguém, não fui o sucessor de ninguém. Por isso, não admito que alguém coloque em causa a minha honra. Vieira? Vi-o entrar com capangas, ficaram ao seu lado sentados. É mais uma mentira de Vieira, tem uma relação difícil com a verdade. Se me acusou de ser culpado? Os benfiquistas estão cansados… Não sei o que disse, no meio da confusão só queria acalmar os ânimos… Há um ciclo que está a chegar ao fim. Luís Filipe Vieira é passado, o seu tempo acabou. Pessoas que trabalharam com Vieira? Há muitas que são valiosas e que conto com elas, ainda continuam lá. Vieira não pode fazer parte do futuro e não vou deixar que o Benfica seja outra vez enredado por processos. Ele acha que tem o direito divino de ser presidente e escolher o sucessor, não é”, prosseguiu o candidato.
“Aquilo que eu garanto aos benfiquistas é uma mudança, mas uma mudança com confiança. Não há cá paraquedistas nas minhas listas, já lá estive em tempos difíceis, tenho uma carreira profissional, apresentei nomes da minha lista de grandes benfiquistas e gestores, apresentei projetos e ideias. Eu ando no meio dos sócios, não preciso de seguranças. Há uma diferença: Rui Costa só vai às Casas nos aniversários. Sondagens? As minhas sondagens são outras… Acho que incomodam mais os outros do que me fazem mandar foguetes. As mentiras não vão passar, as minhas sondagens são feitas nas Casas do Benfica. O que sinto é um desejo de mudança, com presidentes de Casas que estiveram com Vieira e agora me dão o apoio. Uma das coisas que se perdeu foi o respeito pelos sócios e pela dimensão associativa. O Benfica não é de um rei iluminado e de um príncipe herdeiro, é dos sócios”, voltou a destacar João Noronha Lopes.
“João Diogo Manteigas? Eu respeito todos os concorrentes, é um sinal de vitalidade ter vários candidatos mas os meus adversários são Vieira e Rui Costa, que representam o passado, que são farinha do mesmo saco, que utilizam as mesmas táticas. Eles estão em desespero porque o regime vai mudar, até porque o Benfica não aguenta mais quatro anos disto. Não vou entrar em ataques pessoais mas falarei sempre para esclarecer a verdade. A mudança tem de ser feita com confiança e os benfiquistas podem confiar na minha equipa, as pessoas estão a trabalhar há um ano, não têm agendas próprias, sabemos exatamente o que fazer a partir de 26 de outubro”, concluiu o candidato que é apontado como favorito nas sondagens.