Foi um mal menor, nem por isso deixou de ser um “mal”: depois de ter sofrido a primeira e única derrota em Liverpool num livre direto a poucos minutos do final, o Arsenal voltou a deixar escapar pontos na receção ao Manchester City, estando a perder a perder até ao período de descontos quando Gabriel Martinelli saiu do banco para fazer um golo de se tirar o chapéu e resgatar um empate no Emirates para os gunners. O início de dificuldade máxima estava quase a terminar, o conjunto de Mikel Arteta tinha já cinco pontos de atraso para o campeão Liverpool. No entanto, e num fim de semana, tudo podia mudar: os reds perderam na deslocação a Londres para defrontarem o Crystal Palace, o Arsenal tinham condições para recuperarem terreno.

A lógica contra-natura de um foi traída pelo jóquer do costume do outro: Arsenal e City empatam

Problema? O jogo que se seguia era uma deslocação a Newcastle, equipa de Liga dos Campeões que, depois de um arranque mais ziguezagueante entre lesões e a novela Isak, começava a estabilizar a equipa e aquilo que era o rendimento coletivo. Só tinha uma vitória em cinco encontros na Premier, também só perdera por uma ocasião na prova e contra o Liverpool (nos descontos e reduzido a dez unidades). Mais: olhando para os técnicos que conseguiram vencer mais vezes Arteta, Pep Guardiola e Jürgen Klopp estavam na frente mas Eddie Howe também entrava no pódio, sinal das dificuldades que os londrinos iriam enfrentar no fecho de uma série que teve Manchester United, Leeds, Liverpool, Nottingham Forest e City logo a abrir.

“Não acho que o Newcastle seja uma equipa assim tão diferente sem o Isak, quando jogaram com o Barça já não o tinham e os primeiros 30/40 minutos poderiam ter ditado um resultado muito diferente. Valorizo sempre o trabalho que o Eddie Howe e a sua equipa técnica conseguiram fazer, criaram uma nova atmosfera sobretudo em casa que é difícil contrariar dentro de uma identidade clara de jogo. Sabemos que vai ser um teste muito difícil, sabemos que teremos de ser mais eficazes do que temos sido recentemente e é isso que vamos trabalhar”, apontara Mikel Arteta sobre o encontro onde Viktor Gyökeres tentaria aproveitar a motivação de ter recebido o Prémio Gerd Müller na última gala da Bola de Ouro para regressar aos golos.

Apesar do bis frente ao Leeds e do golo ao Nottingham Forest, o sueco continuava longe daquela cadência de golos das últimas duas épocas em Alvalade, levando agora mais uma série de três jogos sem marcar contando com a partida da Taça da Liga com o Port Vale onde entrou apenas aos 71′. Havia um entrosamento maior, a ligação com Eberechi Eze ia ficando mais afinada, faltavam os golos. Faltavam e continuam a falar, com mais um jogo em branco, sem grandes oportunidades e onde o maior destaque foi um lance de penálti anulado pelo VAR com Nick Pope. No entanto, há um outro loiro que chegou a peso de ouro à Premier League que continua a encantar Inglaterra: Nick Woltemade, avançado de 23 anos contratado ao Estugarda por 85 milhões de euros quando nem sempre era titular, voltou a marcar e a ser muito elogiado dentro de um estilo que faz lembrar Rudi Völler. Não foi suficiente, perante a reviravolta nos descontos, mas deu nas vistas.

Entre vários cantos quase seguidos do Newcastle, o Arsenal teve uma primeira ameaça num remate de Eze para grande defesa de Nick Pope (5′), viu uma grande penalidade ser revertida por ação do VAR num lance com Gyökeres e Pope (14′), beneficiou de mais uma oportunidade num remate ao poste de Trossard após assistência de Declan Rice (25′) e ainda prolongou a grande tarde de Pope em mais uma tentativa de Eze travada pelo internacional para canto (29′). Golos, nem um. E acabaram mesmo por ser os visitados a saírem em vantagem para intervalo, com o jovem ponta de lança Nick Woltemade a ganhar no jogo aéreo após canto para fazer o segundo golo na Premier League (34′). Mais uma vez, era a eficácia que traía os gunners, que correram o risco de ficar reduzidos a dez num lance em que Gabriel perdeu o controlo com Woltemade.

Saliba entrou ao intervalo para ganhar minutos de competição e dar mais argumentos defensivos e na bola parada ao Arsenal mas o Newcastle, que tinha apenas três golos sofridos na competição, mostrava o porquê de ser uma das melhores defesas da Premier League. Mais: quando algo falhava, Nick Pope resolvia entre os postes, como aconteceu num cabeceamento de Timber desviado para canto (60′). Mikel Merino e Martinelli, que tinha sido talismã nos últimos encontros, foram lançados no jogo, Gyökeres teve um remate que passou muito perto do poste após desvio (71′) mas seria o espanhol de novo a fazer a diferença, marcando depois de um canto para o empate a seis minutos do final. Gabriel ainda apanhou um “susto”, num lance em que podia ter acabado em penálti por corre com o braço, mas seria o central brasileiro a protagonizar um autêntico golpe de teatro no sexto minuto de descontos, com mais um golo de canto para o 2-1 que colocou o Arsenal nos instantes finais a ganhar pontos ao Liverpool, ao Chelsea e ao Tottenham esta jornada.