A escritora portuguesa Rute Simões Ribeiro vai participar no 13.º Festival Literário Internacional de Araxá, que decorre de 1 a 5 de outubro, em Minas Gerais, Brasil, a par das autoras Scholastique Mukasonga e Léonora Miano, anunciou a organização.

O festival tem como eixos temáticos a memória e as encruzilhadas culturais, privilegiando o diálogo entre a literatura em língua portuguesa e outras tradições literárias do mundo.

Rute Simões Ribeiro, publicada pela Editora Nós — Portugal, participa em duas mesas de debate e num ateliê criativo destinado ao público infantojuvenil.

A autora faz parte da mesa “Escrever futuros”, ao lado de Mariana Salomão Carrara, Eliane Marques e Ricardo Ramos Filho, e da mesa “A reta é uma curva que não sonha”, com Daniella Zupo, Hugo Monteiro Ferreira e Afonso Borges.

A presença da escritora inclui ainda o ateliê “Criação Literária para a Construção de Asas”, segundo informação divulgada pela editora Nós.

Esta nova casa editorial em Portugal publicou este ano os livros É sempre a hora da nossa morte ámen e Se deus me chamar não vou de Mariana Salomão Carrara, escritora brasileira que só estava editada pela Companhia das Letras, com Não fossem as sílabas do sábado e A árvore mais sozinha do mundo.

Para Rute Simões Ribeiro, os encontros promovidos pelo festival “são a expressão de uma vontade muito grande de ouvir o outro, de confrontar perspetivas sobre o mundo e de concretizar o encontro da diversidade, pela via da linguagem, do afeto e da liberdade”.

A edição deste ano do festival conta com a presença de mais duas autoras não brasileiras, além de Rute Simões Ribeiro: a camaronesa Léonora Miano e a ruandesa Scholastique Mukasonga, esta última, homenageada do festival, juntamente com o autor brasileiro Itamar Vieira Júnior.

Scholastique Mukasonga — publicada no Brasil pela Nós — é a autora da obra memorialística “Inyenzi ou as Baratas”, sobre o genocídio tútsi no Ruanda, editada em Portugal pelos Livros do Brasil, enquanto Léonora Miano tem publicado na Antígona o romance A Estação da Sombra, que aborda as consequências da captura de jovens africanos por traficantes de escravos numa aldeia subsariana.

O baiano Itamar Vieira Júnior, vencedor do Prémio Leya com Torto arado, tem ainda editado em Portugal Doramar ou A Odisseia e Salvar o fogo.

A participação de Rute Simões Ribeiro insere-se na estratégia da Editora Nós — criada em Portugal em 2024 como derivação da sua congénere brasileira — de afirmar uma voz editorial independente e transnacional, que cruza autores de língua portuguesa com outras literaturas de expressão francesa, italiana e inglesa.

Desta forma, a editora procura construir pontes e favorecer o encontro entre diferentes tradições literárias, destaca.

“É neste contexto, que a participação de escritoras como Mariana Salomão Carrara, Simone Paulino e Calila das Mercês, a par de Rute Simões Ribeiro, publicadas pela Editora Nós, reforça não apenas a vitalidade da literatura em língua portuguesa, mas também a ambição de se pensar a edição enquanto lugar de convergência e de temporalidades comuns.”

Rute Simões Ribeiro é licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra. Em 2015, foi finalista do Prémio LeYa, com o romance Ensaio sobre o dever, e, em 2023, venceu o Prémio Hugo Santos, com O homem sem mim, publicado este ano pela editora Nós, que editou, na mesma altura, A breve história da menina eterna.

A linha editorial da Nós tem como objetivo valorizar a singularidade de cada voz literária, a pluralidade de expressões culturais e a criação de pontes entre geografias e línguas.

Fundada como editora independente, além de publicar livros, procura intervir, de modo consciente, no pensamento contemporâneo, reconhecendo a edição enquanto gesto cultural e político, informa a editora, em comunicado.

“Apostamos na literatura brasileira, portuguesa e de outros países de expressão lusófona, sem deixar de abrir espaço a autores de língua francesa, italiana e inglesa, construindo um catálogo que é, ele próprio, um género literário, coerente e reconhecível”, afirma.

A editora sublinha ainda que valoriza os “projetos de forte densidade estética e intelectual, capazes de dialogar com a crítica, com os leitores e com outras artes”, e que o seu compromisso é “editar com rigor e consistência, revelando novas autoras e autores e recuperando clássicos”.

O seu catálogo abrange autores como Adelaide Ivánova, Afonso Borges, Ana Johann, João Guilhoto, Helena Machado, Marcia Tiburi, Mariana Salomão Carrara, Scholastique Mukasonga, David Diop, Pauline Delabroy-allard, Ágota Kristóf, mas também autores como Virginia Woolf, Edmondo de Amicis, William James e Étienne de La Boétie.