São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três estados mais ricos e populosos do Brasil, concentram as agendas dos principais candidatos à Presidência brasileira, a cinco dias das eleições gerais.

Os três estados, localizados na região Sudeste, concentram, sozinhos, quase 43% do eleitorado brasileiro, segundo dados da Justiça Eleitoral brasileira.

As sondagens de intenção de voto apontam para um cenário incerto numa eventual segunda volta, marcada para 25 de outubro, com Lula da Silva, que procura a reeleição, e Flávio Bolsonaro em empate estatístico, levando as duas campanhas a disputar o voto útil e os eleitores indecisos.

“O Sudeste é superlativo em qualquer eleição presidencial. Estamos falando de mais de 63 milhões de eleitores”, afirmou à Lusa o cientista político Alexandre Bandeira, analista-chefe do Grupo Brasília de Consultoria Política.

O Brasil tem 158,7 milhões de eleitores aptos a votar nas eleições gerais de domingo, cerca de 74% da população brasileira, atualmente estimada em 213,42 milhões de habitantes, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral.

São Paulo tem 34,1 milhões de eleitores, Minas Gerais 16,4 milhões e Rio de Janeiro 12,9 milhões.

“Qualquer diferença relevante de desempenho nesses três estados pode representar milhões de votos na contabilidade total de votos no Brasil”, acrescentou Bandeira.

“O que chama a atenção nesta reta final é que não existe uma hegemonia clara nesses três grandes mercados eleitorais entre os principais candidatos”, afirmou o analista, acrescentando que as sondagens colocam Flávio numericamente à frente de Lula em São Paulo e no Rio de Janeiro.

“Minas Gerais apresenta uma disputa muito mais equilibrada. E Minas merece atenção especial porque historicamente funciona como uma espécie de fiel da balança da eleição presidencial. Desde 1989, quem venceu a eleição em Minas também venceu a Presidência da República”, afirmou.

“Numa eleição polarizada, não há um sentimento de “efeito manada”, em que indecisos despejam em massa os seus votos em quem vai ganhar”, afirmou, salientando que os candidatos procuram convencer os indecisos na reta final.

“Ao privilegiar a região Sudeste, os dois principais candidatos querem convencer, em escala, a margem de indecisos que podem numericamente imprimir uma vitória para um ou para outro”, acrescentou.

“Fazer isso na região Sudeste faz mais sentido do que em redutos eleitorais menores, pois o convencimento dá-se em percentuais que, quando traduzidos numericamente em votos, possuem maior impacto de mudança nesta reta final”, afirmou.

Tanto o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula, quanto o Partido Liberal (PL), de Flávio, também usam a imagem e a influência dos candidatos para apoiar as candidaturas aos governos estaduais e ao Senado.

Nas eleições gerais deste ano, os brasileiros irão escolher dois terços dos 81 lugares do Senado, enquanto a Câmara dos Deputados é composta por 513 deputados.

Por terem as maiores populações, os três estados do Sudeste também elegem o maior número de deputados federais, com São Paulo a eleger 70, Minas Gerais 53 e Rio de Janeiro 46.

Para São Paulo, Flávio Bolsonaro reservou três dias de campanha, onde o atual governador conta com o seu apoio e, segundo as sondagens, tem potencial para vencer já na primeira volta, e assim derrotar o nome apoiado por Lula.

Nos demais dias, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro estará no seu estado de origem, o Rio de Janeiro, e em Minas Gerais, na sexta-feira.

Lula começou a semana em três capitais do Norte e Nordeste brasileiro, mas, a partir de quarta-feira, concentrará as agendas no Sudeste, passando por Minas Gerais duas vezes (quarta e sexta-feira), Rio de Janeiro (quinta-feira) e São Paulo (sábado).

No próximo domingo, Flávio Bolsonaro vota no Rio de Janeiro, mas ainda não definiu onde irá acompanhar a contagem de votos, podendo ficar em Brasília ou em São Paulo.

Já Lula da Silva vota em São Paulo, seu berço político, e ficará na região para acompanhar o resultado das eleições.

[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]