O cabeça de lista da CDU à Câmara de Gaia, André Araújo, quer que a devolução do valor do IRS seja aplicada à requalificação de escolas, programa de arredamento a custos acessíveis e no apoio à cultura.

“O Município de Vila Nova de Gaia [de executivo PS], com o apoio do PSD e do Bloco de Esquerda, enveredou por uma desoneração que nos parece injusta, a dita devolução do IRS. São 60 milhões de euros em que 50% desse valor é dado aos 10% mais ricos da nossa população. Precisamos de pegar nesse valor, que está neste momento mal distribuído, e aplicá-lo em dimensões importantes”, disse André Araújo.

À Lusa, enquanto percorria a feira dos Carvalhos para cumprimentar feirantes e clientes aos quais foi apresentando as suas propostas, o candidato da coligação PCP/PEV apontou três destinos da devolução do IRS.

“A reabilitação das escolas, porque temos em Vila Nova de Gaia um conjunto de escolas até classificadas com necessidades de obra urgente e muito urgente, um verdadeiro programa de arrendamento a custos acessíveis e apoio sustentado à cultura e ao movimento associativo popular que é vítima de subfinanciamento”, descreveu.

No que diz respeito ao programa de arrendamento, André Araújo recordou que “neste momento está orçado no orçamento municipal um valor de 200 mil euros para esse fim”, mas considerou-o “insuficiente”.

“E nós, aplicando melhor os impostos, podemos reforçá-lo para abranger cada vez mais famílias. A opção dos executivos tem de ser o que fazer com o dinheiro que os gaienses dão de impostos. Nós sabemos o que fazer, ao contrário de devolver de forma demagógica”, insistiu.

Num périplo onde se cruzou com outras caravanas partidárias, André Araújo também defendeu uma baixa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).

“Há nove meses, no orçamento municipal para 2025, propusemos uma descida de 0,01%. O PS votou contra. Agora o PS vem dizer que quer baixar o IMI para a taxa mínima. Chega a campanha eleitoral e já sabe como é que as coisas são. Precisamos descer o IMI com responsabilidade. Precisamos de uma política que faça a desoneração fiscal, mas com responsabilidade”, sublinhou.

Quanto às feiras, André Araújo disse que “as condições materiais têm preocupado”, nomeadamente quando se aproxima a época de chuva, e disse saber que “não raras vezes [as vendas] não cobrem as despesas dos feirantes”, por isso o candidato quer mais incentivos e estímulos ao comércio local, nomeadamente no acesso ao combustível verde.

Referindo que “a CDU esteve em muitas circunstâncias ao lado dos feirantes e não apenas em campanhas eleitorais”, o candidato insistiu que “o regresso da CDU à vereação é uma condição central para o desenvolvimento de Vila Nova de Gaia”, concelho do distrito do Porto.

“É um objetivo que não é pessoal, mas é coletivo e, sobretudo, para o desenvolvimento do nosso concelho. Em Vila Nova de Gaia temos um executivo com 11 vereadores. As eleições não são só para o presidente da Câmara”, concluiu.

Na corrida à Câmara de Vila Nova de Gaia estão as candidaturas de André Araújo (CDU — coligação PCP/PEV), João Paulo Correia (PS), Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), Daniel Gaio (Volt), João Martins (BE/Livre), Rui Sequeira (ADN), António Barbosa (Chega) e Catarina Costa (Partido Liberal Social).

O executivo municipal é composto por 11 eleitos, tendo o PS nove e o PSD dois.

As eleições autárquicas realizam-se em 12 de outubro.