É uma pergunta que muitos benfiquistas fazem para si, é uma pergunta que muitos benfiquistas têm feito ao próprio: porquê voltar? Por um lado, Luís Filipe Vieira acredita que o clube que deixou em 2021 tem pouco ou nada a ver com o atual nas vertentes desportiva, financeira e das infraestruturas. Por outro, o antigo líder quer também limpar a imagem que ficou depois da saída forçada pela Operação Cartão Vermelho, que deixou Rui Costa como presidente interino antes de ser sufragado em eleições com quase 85% dos votos. E foi isso que o empresário voltou a vincar esta quinta-feira, acreditando que as questões da Justiça não irão ter um reflexo direto no resultado eleitoral e deixando mais “reparos” às recentes palavras do seu sucessor.
“É um escândalo estar envolvido no caso Lex. Mas tudo bem, tenho a minha consciência tranquila, não tenho problema em assumir que não tenho nada a ver com aquelas obras e tudo em que estou ali acusado. Acredito na Justiça, os processos vão avançar. Neste momento existe um julgamento, depois vocês podem ver todos os resultados. Só tenho é que esperar. Já fui ouvido. Mas ser acusado de uma coisa que não fiz? Não posso ser acusado. E provou-se que eu não fiz nada daquilo, não é? Por isso, vamos aguardar a sentença final. Acho que até ao final do ano vai haver essa sentença. Até lá, não estou nada preocupado. Se tive quer ir muitas vezes ao Campus da Justiça, como alguém disse, vou de certeza que é para defender-me a mim próprio. Hei-de limpar o meu nome. Entendo também que não foi um ataque pessoal para mim, acho que o ataque foi mais ao Benfica e eu fui por arrasto”, voltou a reforçar Luís Filipe Vieira, em entrevista à TSF.
“As palavras dele [Rui Costa] foram infelizes, por isso é que ele nunca falou nem em defesa do Benfica. Toda a gente se recorda que eu era o primeiro a defender o Benfica em todo lado. Isso cria problemas, as pessoas diziam ‘Não te exponhas.’ Mas não me exponho porquê? Se isto não está bem, tenho que me expor. Até hoje… Nada foi decidido, não fomos condenados, o Benfica nunca foi condenado em nada. Os processos independentes são pessoais agora, neste caso são pessoais. Um envolve o Benfica ainda. Mas só tenho que aguardar. Acho que dos processos já falei tudo, toda a gente está bem elucidada sobre isto”, acrescentou, neste caso a propósito das declarações de Rui Costa sobre o fim dos problemas do clube com a Justiça.
“Há alguma leviandade em aparecer oito ou nove candidatos, já nem sei quantos são. O Benfica não crescia, encontrei-o completamente falido. Outros podem ter outras ideias mas eu vivi na carne e na pele o que era o Benfica. Se não tivesse passado por lá, tinha a ideia de muita gente… Sei o que passei. Por exemplo, após a experiência de dois anos com o Manuel Vilarinho a primeira coisa que disse, quando me tornei me presidente, foi ‘Vou profissionalizar o Benfica.’ Acabou. Não há outra maneira de gerir aquele clube. Se não há quem mande, não vale a pena”, recordou o antigo líder dos encarnados na mesma entrevista.
Em paralelo, Vieira voltou a abrir a porta do regresso do antigo CEO Domingos Oliveira, que está desde 2023 na Arábia Saudita com as mesmas funções à frente do campeão Al-Itihad, ao mesmo tempo que lamentou o facto de não conseguir fazer o mesmo em relação ao antigo CFO, Miguel Moreira. “Quando olhamos para dentro do Benfica, vemos como tudo está, ficamos bastante apreensivos. O Benfica estava habituado a um tipo de gestão que deixou de existir. Eram dois homens importantes nas áreas, sobretudo o Domingos na coordenação da operação toda. Se há margem para regressarem? O Domingos Soares de Oliveira tem todas as condições para voltar ao Benfica, e irei fazê-lo, acho que é possível que ele volte a Portugal. O Miguel Moreira é impossível, nesta altura”, admitiu o ex-líder a esse propósito, antes de voltar ao tema da Assembleia Geral de sábado onde acabou por ser impedido de falar da parte da manhã.
Mourinho? Não quero especular, podemos entrar num momento crucial e o Benfica também vai ter um jogo bastante importante, mas qualquer treinador do Benfica está sujeito aos resultados. A partir daí, quem estiver a liderar o Benfica toma a decisão que entender. O Mourinho, neste momento, vai dar estabilidade ao Benfica mas se os resultados não aparecerem, também vai haver instabilidade face ao investimento que o Benfica fez, à falta de resultados”, frisou.
“O que se passou nessa Assembleia Geral é muito grave. O Benfica tem um grupo radical que apela pela democracia e não a pratica. O movimento Servir Benfica tem uma parte que está na candidatura de João Diogo Manteigas, a outra está com o Noronha Lopes. Aquilo parecia a tropa, entraram por ali… O Benfica está radicalizado e vai ter problemas no futuro. Comparação com o que se passou com o FC Porto? Não porque aqui não houve agressões. Também não podemos estar a dramatizar, não foi uma situação de agressões a quem quer que seja. Alguém foi falar com os outros candidatos para abandonarem a sala. Foi mais ou menos isto. Não abandonaram mas foram para o fundo gritar. Só na segunda fase, em que pouco ou nada tive que dizer para não criar mais problemas. Mas isto não é de agora, já quando eu era presidente do Benfica era assim. Aquilo está a tornar-se insustentável”, destacou mais uma vez Luís Filipe Vieira.
Por fim, falando de Benfica mas também dos rivais, nomeadamente do Sporting e das declarações do seu presidente, Frederico Varandas, antes da partida para Nápoles, Vieira voltou a falar de liderança e, entre elogios ao número 1 dos leões, falou numa Federação Portuguesa de Futebol “com um lençol verde em todos os seus órgãos”. “O Benfica tem sido prejudicado gravemente desde a época passada. O Benfica tem um jogo em que um gajo leva um pontapé na cabeça e nesse dia o presidente da arbitragem era o Proença. E alguma vez ouviu uma palavra dele sobre o que se passou? Nada. O Benfica nunca é beneficiado”, referiu.
“Varandas? Deixe-me ser presidente do Benfica que ele vai concordar comigo, agora como ganha muitas vezes… Está habituado a ganhar, bem empurrado. Também tem valor, atenção. Fez um trabalho fantástico no Sporting, vamos ser claros. Mas também fez um trabalho tão fantástico que conseguiu, pôr um lençol verde em todos os órgãos da Federação, na Liga também conseguiu pôr o CEO. Está plantado em todo lado. Nem nos tempos áureos, com o Pinto da Costa, apareceu um lençol azul de todo lado. Se ele vai para o meu lado se for presidente do Benfica contra Proença? O Frederico Varandas não se vai pôr do meu lado, de certeza. Agora, não se esqueçam que há muitos clubes, o Sporting, o FC Porto, o Sp. Braga… Há meia dúzia de clubes que podem não concordar mas o resto vem por ali fora”, assegurou Luís Filipe Vieira.