O candidato do Chega à presidência da Câmara de Braga, Filipe Aguiar, disse este sábado que o BRT (metrobus) “não vai tirar um carro das ruas”, defendendo, para a mobilidade, o metro de superfície, ligações ferroviárias e a variante do Cávado.
Em declarações à agência Lusa, no âmbito da campanha para as autárquicas de 12 de outubro, o cabeça de lista do partido assumiu que, “ganhando as eleições”, irá reverter “de imediato” o processo do BRT. “Defendemos algo mais abrangente, nomeadamente o metro de superfície. Achamos que o BRT não vai tirar um carro das ruas de Braga, vai criar um problema ainda maior: 81% da linha vai ser dedicada, logo vai suprimir uma linha para os automóveis e isso vai criar um caos na cidade“, perspetivou.
Filipe Aguiar defende igualmente “uma ligação direta à ferrovia entre o quadrilátero” urbano, composto pelos municípios de Braga, Barcelos, Famalicão e Guimarães.
No seu entendimento, “é preciso ser mais ambicioso e envolver o Governo central”, já que falta atenção do Estado central pela cidade de Braga. “O Porto recebeu mil milhões [de euros] para a mobilidade, Braga recebeu 73 milhões de euros. Estamos completamente desprovidos da atenção do Governo central. E temos, acima de tudo, de pressionar o Governo central para olhar para Braga de forma diferente e denunciar este centralismo que existe há 50 anos. O Governo central tem de olhar para Braga de outra forma”, defendeu o candidato.
Outra das soluções prioritárias para a mobilidade em Braga propostas pela candidatura prende-se com a construção da variante rodoviária do Cávado. “Na nossa opinião, o nó de Infias terá um impacto residual. O nó de Infias poderá ter um impacto positivo se a variante do Cávado for uma realidade. E é algo por que nós iremos lutar, para que a curto prazo consigamos a construção da variante do Cávado. E, a partir daí, podemos pensar em coisas mais ambiciosas, envolvendo e exigindo mais do Governo central”, frisou.
A requalificação do nó de Infias já foi adjudicada e terá um investimento de 14,5 milhões de euros. Este nó localiza-se na interceção da Estrada Nacional 101 (Variante EN101/EN201) com a EN14 (Circular Norte/Variante EN14), e a empreitada contempla a construção de um viaduto com 220 metros e a reformulação das vias.
A variante do Cávado, na sua globalidade, tem uma extensão total aproximada de 17,7 quilómetros, sendo que atualmente está concluído um trecho de 1.900 metros, executado no âmbito da construção dos acessos à zona comercial Nova Arcada. Esta variante visa descongestionar o tráfego do centro da cidade de Braga, especialmente do nó de Infias, ao desviar o tráfego proveniente de norte, de concelhos como Ponte de Lima, Vila Verde e Amares.
A Câmara de Braga é composta por seis eleitos da coligação Juntos por Braga (PSD/CDS-PP/PPM), quatro do PS e um da CDU. Concorrem à liderança da Câmara Municipal de Braga João Rodrigues (coligação Juntos por Braga), António Braga (coligação Somos Braga – PS/PAN), Filipe Aguiar (Chega), Rui Rocha (Iniciativa Liberal), Ricardo Silva (movimento independente Amar e Servir Braga), João Baptista (CDU, coligação que junta PCP e Os Verdes), António Lima (BE), Carlos Fragoso (Livre), Francisco Pimentel Torres (ADN) e Hugo Varanda (MPT).