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Governo moçambicano acompanha rapto de empresário português em Maputo

Este artigo tem mais de 1 ano

Governo diz que polícia está "empenhada na clarificação" do rapto do empresário português. Câmaras de videovigilância registaram momento em que o homem de 69 anos é levado por grupo armado em Maputo.

Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio
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▲Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio

▲Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio

O Governo moçambicano diz ter sido informado do rapto de um empresário português em Maputo, aguardando pela atuação das forças de segurança, mas sublinha os progressos para controlar este tipo de crime no país.

“O Governo foi informado, mas não há detalhes ainda (…), até porque as forças estão efetivamente empenhadas na clarificação das circunstâncias em que ocorreu“, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, após a reunião semanal daquele órgão, na terça-feira, em Maputo.

“É lamentável que os nossos concidadãos tenham ou corram riscos”, admitiu o porta-voz, sublinhando: “Para quem tem as estatísticas dos últimos tempos, há um esforço grande que tem estado a ser feito, quer para o esclarecimento, quer para o resgate, quer também para a redução de casos de rapto a cidadãos nacionais e estrangeiros”.

Numa nota verbal enviada às missões diplomáticas e organizações internacionais no país, a Embaixada da Ordem Soberana Militar de Malta em Moçambique confirmou que o cidadão português, de 69 anos, raptado à porta do seu estabelecimento comercial, na terça-feira, na baixa de Maputo, é casado com a Encarregada de Negócios daquela representação, aguardando pelo desfecho deste caso.

A polícia moçambicana disse na terça-feira que foram “despachadas equipas multissetoriais” na cidade de Maputo e arredores para localizar o empresário, que também tem a nacionalidade moçambicana.

“Imediatamente foram despachadas equipas multissetoriais, equipas essas que se encontram desdobradas ao nível das artérias da nossa cidade e não só, visando o esclarecimento do caso (…) que vai passar necessariamente [pela] neutralização dos autores deste rapto, mas também na localização da vítima”, disse Daniel Macuácua, chefe do departamento de relações públicas da Polícia da República de Moçambique (PRM), na cidade de Maputo.

O caso ocorreu por volta das 06h15 (menos uma hora em Lisboa), ao longo da avenida Zedequias Manganhela, na baixa da cidade de Maputo.

Um grupo de quatro pessoas, ainda não identificadas, que seguia numa viatura branca e sem chapa de matrícula, intercetou a vítima, “quando acabava de estacionar a sua viatura” para entrar no estabelecimento comercial, avançou a polícia.

Um vídeo que circula nas redes sociais, captado por câmaras de videovigilância no local, mostram a vítima a estacionar o carro e a abrir a porta do estabelecimento, quando aparecem três homens na sua direção. O luso-moçambicano tenta fugir, mas tropeça e cai e de seguida é carregado à força até uma viatura que estava nas proximidades.

As imagens mostram também dois homens que tentam travar o rapto, mas os alegados raptores disparam em reação. “Constamos que, mesmo no local, estes indivíduos com arma de fogo que portavam teriam efetuado quatro tiros no sentido de amedrontar e ameaçar aos indivíduos que se encontravam nas proximidades quando pretendiam socorrer a vítima”, disse Daniel Macuácua.

Este é o primeiro caso conhecido publicamente desde 21 de junho, quando um cidadão libanês, proprietário de uma farmácia, foi raptado no seu interior, no centro de Maputo. Em fevereiro, um luso-moçambicano foi raptado por um grupo de quatro pessoas armadas na Polana Caniço, também em Maputo.

As autoridades policiais moçambicanas anunciaram, em 12 de junho, que o número de raptos em Maputo caiu para metade nos primeiros cinco meses do ano, com quatro casos, contra oito em igual período de 2024.

A polícia moçambicana registou, até março de 2024, um total de 185 raptos e pelo menos 288 pessoas foram detidas por suspeitas de envolvimento neste tipo de crime desde 2011, indicam os últimos dados avançados pelo Ministério do Interior.

Cerca de 150 empresários foram raptados em Moçambique nos últimos 12 anos e uma centena deixou o país por receio, segundo números divulgados em julho do ano passado pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), que defende ser tempo de o Governo dizer “basta”.

A maioria dos raptos cometidos em Moçambique é preparada fora do país, sobretudo na África do Sul, disse em abril de 2024, no parlamento, a antiga Procuradora-Geral da República Beatriz Buchili.

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