O cabeça de lista do Volt à Câmara do Porto, Guilherme Alexandre Jorge, criticou esta quarta-feira a falta de ambição e “vontade política” para levar a cabo melhorias para a cidade, em particular no campo da mobilidade.
“As ideias do Volt estão a passar e vários outros partidos estão a incorporá-las, mas falta ambição. O PS promete passar de 15 para 25 quilómetros de corredores bus, mas isso não vai resolver o problema. Precisamos de corredores bus em tudo o que seja possível, por toda a cidade, e ciclovias que possam ser partilhadas com essa faixa”, afirmou Guilherme Alexandre Jorge.
Exigindo que os políticos no poder possam ser “mais ambiciosos”, defendeu “uma ciclovia em cada rua”, e nos arruamentos em que isso não for possível, privilegiar os meios suaves e os transportes públicos sobre o automóvel, para o tornar menos apetecível.
“Mais passeios, mais árvores, ruas que vemos em Paris e outras cidades europeias. O que queremos para o Porto é um Porto que funcione. São coisas que já foram testadas, só não temos por vontade política”, criticou.
O candidato falava à Lusa à margem de uma ação de contacto com a população junto ao interface de autocarros STCP e da Metro do Porto da Casa da Música, onde criticou a falta de confiança nos primeiros.
“As pessoas confiam plenamente no metro, mas, nos autocarros, as pessoas vão-se acumulando nas paragens. Tem de ser confiável. A faixa bus ajuda, assim como informação em tempo real”, comentou.
O candidato atirou ainda à “ideia do voto útil, de ser PS ou PSD/CDS-PP/IL”, mas se um destes vencer as eleições, no domingo, todos os portuenses “vão ser perdedores”.
“Porque vamos continuar a ter o mesmo Porto de sempre. Já tivemos PS, PSD, a equipa de Filipe Araújo, e Rui Moreira, a governar. (…) Há quem vote em partidos de protesto. O Volt é o partido de protesto de quem pensa mais de cinco minutos nos assuntos, um de revolta”, declarou.
Guilherme Alexandre Jorge deixou ainda a promessa de que “se for eleito vereador”, no domingo, “nunca” usará o carro particular para reuniões e outros eventos.
“É possível usar a bicicleta, e se não, se estiver cansado, usar os transportes públicos. Se os portuenses têm de fazer isso no seu dia-a-dia, porque é que [os eleitos] serão especiais?”, contou.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU – coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro – coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto – independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se no domingo.