O apuramento a um pequeno passo de distância. Portugal aproximou-se ainda mais do apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026 no último fim de semana, com o triunfo suado frente à República da Irlanda, no primeiro de dois jogos realizados no Estádio José Alvalade. O jogo da terceira jornada do Grupo F da fase de qualificação europeia acabou por ter um herói improvável, com Rúben Neves a fazer, de cabeça, no primeiro minuto de compensação, o seu primeiro golo ao serviço da Seleção (1-0). Com esse tento, as contas eram simples e podiam ficar resolvidas já esta terça-feira: a equipa de Roberto Martínez estava a apenas cinco pontos do objetivo, com nove por disputar. Para tal, “bastava” vencer na receção à Hungria e esperar pelo não triunfo da Arménia na visita a território irlandês.

Rúben, o improvável herói que é a personificação de uma estrela maior em forma de 21 (a crónica do Portugal-Rep. Irlanda)

Para a partida desta terça-feira, o treinador espanhol não contou com Gonçalo Inácio e Rafael Leão, jogadores que foram dispensados por problemas físicos na ressaca da vitória frente à Rep. Irlanda. Em sentido inverso, João Félix estava totalmente recuperado e até viu o selecionador abrir-lhe a parte do onze inicial na segunda-feira, durante a conferência de imprensa de antevisão. Portugal era amplamente favorito e recebia os húngaros sem conhecer o sabor da derrota nos 15 encontros anteriores, tendo vencido em 11. Apesar de se encontrar longe daquilo que apresentou em tempos, a equipa de Marco Rossi era considerada a principal candidata a terminar no segundo lugar do grupo e, na primeira volta, foi a que criou mais dificuldades à Seleção Nacional. Nomes como Dominik Szoboszlai, Milos Kerkez e Willi Orbán aportam qualidade à Hungria.

Ficha de jogo

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Portugal-Hungria, 2-2

4.ª jornada do Grupo F da Qualificação Europeia para o Campeonato do Mundo-2026

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Srdjan Jovanovic (Sérvia)

Portugal: Diogo Costa; Nélson Semedo, Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes (Nuno Tavares, 78’); Rúben Neves (João Palhinha, 62’), Bruno Fernandes (João Félix, 62’), Vitinha; Pedro Neto (Francisco Conceição, 62’), Bernardo Silva e Cristiano Ronaldo (Gonçalo Ramos, 78’)

Suplentes não utilizados: José Sá, Rui Silva; António Silva, Diogo Dalot, Matheus Nunes, Francisco Trincão e Pedro Gonçalves

Treinador: Roberto Martínez

Hungria: Balázs Tóth; Loïc Nego, Willi Orbán, Attila Szalai, Milos Kerkez (Márton Dárdai, 79’); Callum Styles (Milán Vitális, 79’), András Schäfer (Alex Tóth, 38’), Dominik Szoboszlai; Bendegúz Bolla (Dániel Lukács, 58’), Roland Sallai e Barnabás Varga

Suplentes não utilizados: Patrik Demjén, Péter Szappanos; Attila Osváth, Áron Csongvai, Attila Mocsi, Rajmund Molnár, Zsombor Gruber e Bence Ötvös

Treinador: Marco Rossi

Golos: Szalai (8’), Ronaldo (22’ e 45+3’) e Szoboszlai (90+1’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Bruno Fernandes (34’), Styles (50’), Félix (90’) e Lukács (90+5’)

“Sem bola, o desempenho foi exemplar, contra uma equipa que usava as bolas paradas e os contra-ataques. A Rep. Irlanda não teve remates enquadrados. Faltou-nos marcar cedo. Gosto das estatísticas dos golos esperados. A equipa atacou, mas pode sempre melhorar em todos os jogos. Demonstrámos resiliência para fazer o que acreditamos. Ninguém fala do golo da vitória… O golo não é de azar ou de sorte, é uma jogada típica de Portugal, a manter a bola, a trocá-la e a chegar à segunda linha. Só chegou ao minuto 91… Ainda tínhamos mais seis minutos para continuar a atacar. Temos aspetos para melhorar. A Hungria é uma equipa muito bem organizada. Temos de nos focar no que fizemos bem sem bola e melhorar no resto. A nossa média de golos é das melhores do mundo a nível de seleções. Marcamos quase três golos por jogo, em média. Precisamos de valorizar o que fazemos com bola ao detalhe, objetivamente. Somos uma equipa de ataque, que chega muito ao último terço. Não há problema em marcar golos”, explicou o selecionador nacional.

Com os dados lançados, Roberto Martínez fez apenas duas alterações no onze inicial, com Renato Veiga a entrar para o lugar de Inácio e Nélson Semedo a render Diogo Dalot no lado direito da defesa nacional. Do outro lado, Marco Rossi ficou-se pelas mesmas duas novidades, com Roland Sallai a entrar para o lado esquerdo do ataque, por troca com Alex Tóth, e Barnabás Varga a jogar como referência ofensiva, saindo Dániel Lukács. O jogo começou equilibrado e com uma oportunidade para cada lado, com Bruno Fernandes a lançar Cristiano Ronaldo à entrada da área, mas o remate do capitão saiu por cima (5′). Na resposta, Sallai combinou com Varga e, à entrada da área, desferiu um remate colocado para defesa apertada de Diogo Costa (7′). No canto, Dominik Szoboszlai cruzou para o coração da área, o guarda-redes falhou a saída dos postes, chocou com Willi Orbán e, ao segundo poste, Attila Szalai encostou de cabeça para o fundo da baliza deserta (8′).

Com o nulo desfeito, Portugal começou a apresentar-se intranquilo e previsível, não conseguindo combater o nervosismo. Ainda assim, numa jogada em que Vitinha voltou a mostrar ser o cérebro da Seleção portuguesa, Semedo recebeu o passe do médio do PSG dentro da área, deixou dois adversários pelo caminho e desferiu um cruzamento-remate para o segundo poste, onde Ronaldo, completamente sozinho, apareceu a completar para o empate, tornando-se no jogador com mais golos em qualificações para Mundiais (22′). Já com a Hungria bem mais recuada do que aquilo que apresentou na fase inicial do jogo, o perigo continuou a aparecer através da bola parada, com Szoboszlai a cobrar mais um canto na esquerda para a entrada da área, onde Bendegúz Bolla, sozinho, surpreendeu a formação nacional, mas o seu remate de primeira saiu ao lado (31′).

O jogo continuou animado e, na parte final do primeiro tempo, Rossi aproximou-se da receita habitual, ao lançar Tóth no lugar de András Schäfer. Logo a seguir à entrada do “menino”, Sallai voltou a aparecer sozinho no interior da área, mas o remate de primeiro saiu para as mãos do guarda-redes do FC Porto (39′). No tempo de compensação, Pedro Neto e Nuno Mendes combinaram na esquerda, o extremo serviu o lateral que, com um cruzamento teleguiado, colocou a bola na zona do segundo poste, onde Cristiano Ronaldo apareceu a fazer mais um movimento de rutura e a completar para o bis nas costas dos centrais (45+3′). Destaque ainda para Bruno Fernandes, que fez o mesmo movimento para a zona do primeiro poste, enganando os defesas. Assim, com o capitão a mostrar que os 40 anos são só um número, Portugal saiu para o intervalo em vantagem e virtualmente apurado para o Mundial (2-1).

Sem alterações para a segunda parte, Portugal voltou a entrar com mais bola e forte na pressão, estabelecendo-se no seu meio-campo ofensivo. O jogo acabou por se partir e, depois de um cruzamento de Bruno Fernandes e de Willi Orbán ter falhado a bola, Pedro neto desferiu um remate forte para defesa apertada de Balázs Tóth (53′). Na resposta, Dominik Szoboszlai apareceu sozinho meio dos centrais portugueses a responder a um cruzamento da esquerda, mas cabeceou à figura de Diogo Costa (55′). Já com Dániel Lukács no ataque, Rúben Dias subiu no terreno e, de muito longe, desferiu um remate forte que acertou em cheio no poste esquerdo da baliza magiar (60′), com Bruno a repetir o mesmo feito na jogada seguinte, com um remate colocado à entrada da área (61′). Roberto Martínez respondeu com as entradas de João Palhinha, João Félix e Francisco Conceição, retirando Rúben Neves, Bruno Fernandes e Pedro Neto.

Na primeira jogada dos recém-entrados, Conceição tirou um cruzamento do corredor direito e, no centro da área, Félix cabeceou à vontade para uma defesa apertada de Tóth (64′). A resposta da Hungria surgiu de uma desatenção do extremo da Juventus, que perdeu a bola e quase viu Roland Sallai aproveitar, mas o chapéu do avançado, do meio-campo, saiu ligeiramente ao lado (69′). No lance seguinte, Milos Kerkez desferiu um grande cruzamento, com Attila Szalai a cabecear para a trave em cima da baliza, depois de a bola bater no chão (72′). Portugal respondeu com mais um remate de meia-distância, com Vitinha a receber a meio-campo e a progredir em direção à baliza, mas o seu tiro saiu perto do poste (74′). Para a reta final da partida, o selecionador nacional lançou Gonçalo Ramos no ataque, para a ovação a Ronaldo, e Nuno Tavares por troca com Nuno Mendes, com Rossi a colocar Márton Dárdai e Milan Vitális.

Já no tempo de compensação, Portugal sofreu o que havia feito nos jogos anteriores, ficou com a equipa partida e, num contra-ataque, Lukács ganhou uma bola na direita, entrou na área e cruzou, Rúben Dias falhou o corte e Nélson Semedo deixou Szoboszlai sozinho que, ao segundo poste, só teve de encostar para o empate (90+1′). Até ao fim, a Seleção Nacional ainda tentou o golo da vitória, que a colocava no Mundial, mas as contas vão ficar adiadas até à próxima jornada, em novembro (2-2).

[Apesar da euforia em torno de Freitas, Soares recupera. O debate com Zenha será decisivo. Quando acabar, nunca mais serão amigos. A “Eleição Mais Louca de Sempre” é o novo Podcast Plus do Observador sobre as Presidenciais de 1986. Uma série narrada pelo ator Gonçalo Waddington, com banda sonora original de Samuel Úria. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E pode ouvir o primeiro episódio aqui e o segundo aqui]