O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu esta segunda-feira, em Genebra, limitações de Moçambique para financiar modelos resilientes às alterações climáticas, apelando ao reforço da mobilização de novas parcerias para um mecanismo que seja “inovador e acessível”.

“O financiamento climático de Moçambique é ainda limitado, o nosso orçamento do Estado, com restrições próprias de um país ainda em desenvolvimento, não é suficiente para financiar um modelo de crescimento resiliente às alterações climáticas globais”, admitiu Daniel Chapo, ao intervir, na Suíça, no painel de alto nível sobre a “Iniciativa de Aviso Prévio para Todos e o Papel dos Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais”, a convite da Organização Mundial de Meteorologia.

Chapo defendeu a mobilização de novas parcerias públicas e privadas, “mecanismos de financiamento inovador e acessível e a reafirmação de uma necessidade partilhada” entre nações e instituições multilaterais para atender às alterações climáticas, que ciclicamente afetam o país africano.

Recordou que investir em sistemas de aviso prévio “representa uma poupança de sete dólares em reconstrução e, mais importante, representa vidas protegidas e comunidades empoderadas”, e salientou que a cobertura universal de alerta “só será real se for inclusiva”.

Disse que Moçambique tem trabalhado para ter sistemas de alerta que “sejam simples, acessíveis e úteis” para todos, avançando que o Governo tem investido também na educação climática das comunidades, nas escolas, universidades e na “participação dos jovens como multiplicadores de conhecimento e agentes de sensibilização”.

“Um marco importante deste esforço é o programa “um distrito uma estação meteorológica”, lançado pelo Governo com o objetivo de expandir a modernização da rede de observação meteorológica, garantindo que cada distrito moçambicano disponha de meios próprios de modernização do tempo e do clima”, acrescentou, assegurando que a emissão de previsões meteorológicas em Moçambique chegam a todos cidadãos, através de vários meios.

Moçambique é considerado um dos países mais vulneráveis e severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.

Só entre dezembro e março, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, assim como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.

Os fenómenos meteorológicos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados anteriores do Instituto Nacional de Estatística.