Portugal conseguiu este domingo a sua melhor participação de sempre no WorldSkills (Mundial das Profissões), em Xangai, com os 10 jovens da seleção nacional distinguidos nas sete áreas em que competiram, incluindo uma medalha de prata.

“Fizemos o pleno. Foi a melhor participação de Portugal em campeonatos mundiais das profissões”, afirmou à agência Lusa Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, estrutura integrada no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

No Mercedes-Benz Arena de Xangai, situado no distrito de Pudong, na zona da antiga Expo 2010, junto ao rio Huangpu, milhares de jovens das delegações participantes acompanharam a entrega das medalhas nas 64 profissões em competição.

A cerimónia, que se prolongou durante três horas, alternou a subida ao palco dos vencedores com espetáculos de música e dança, em coreografias marcadas por elementos da cultura chinesa e jogos de luz. Nas bancadas, delegações e participantes aplaudiam e agitavam bandeiras.

Loris Sgroj e Diogo Pinto conquistaram a medalha de prata em robótica industrial, enquanto cinco das restantes participações portuguesas receberam medalhas de excelência.

Leonor Silva foi distinguida em cabeleireiro, Duarte Serra e Daniel Silva em robótica móvel, Dmitry Zhivitsa em maquinação CNC, Nelson Ribeiro em controlo industrial e Marco Malheiro em soldadura.

Diogo Botelho e Simão Alves, que competiram em mecatrónica industrial, receberam a distinção “Best of Nation”, atribuída ao melhor desempenho entre os participantes da seleção portuguesa.

Portugal subiu também do 13.º lugar, alcançado no último Mundial, realizado em Lyon, França, para o quarto lugar no ‘ranking’ internacional relativo ao desempenho das equipas, segundo Gustavo Seia.

A classificação tem em conta os resultados alcançados pelos concorrentes em cada profissão face aos restantes participantes e a dimensão das diferentes seleções.

“Isto é uma grande responsabilidade, porque a partir daqui é mais difícil subir, mas quer dizer também que temos feito um bom trabalho”, afirmou o coordenador.

A medalha de prata em robótica industrial surpreendeu os próprios concorrentes portugueses.

Diogo Pinto contou à Lusa que problemas durante os dois primeiros dias de competição reduziram as expectativas da dupla portuguesa.

“Não era definitivamente o resultado que estávamos à espera. Tivemos alguns problemas no primeiro e no segundo dia, inclusive ficámos um bocado em baixo, não estava a correr como esperávamos”, disse o jovem de 23 anos, natural de Lousada, distrito do Porto.

Campeão europeu na mesma área e já integrado no mercado de trabalho, Diogo destacou também o nível dos concorrentes asiáticos.

“Eles são muito metódicos a trabalhar, muito mecanizados. É incrível ver o trabalho deles. E aprendi muita coisa também”, afirmou.

A surpresa repetiu-se na equipa de mecatrónica industrial.

Diogo Botelho, de 20 anos, natural de Torres Vedras, distrito de Lisboa, admitiu que alguns dias de prova não tinham corrido como esperava.

“Não estava à espera, porque durante as provas não tinha corrido muito bem. Não estávamos à espera deste resultado”, contou à agência Lusa.

Segundo classificado no campeonato europeu, Botelho está ainda a estudar, depois de ter frequentado um curso profissional de mecatrónica industrial, e pretende prosseguir os estudos superiores em engenharia de automação e controlo.

“É uma experiência única”, descreveu. “Nem dá para explicar o que é sentir um campeonato mundial. É o que levo para o resto da vida”, afirmou.

O colega Simão Alves, de 19 anos, apontou a preparação como uma das razões para o resultado, após cerca de três anos de treino para uma prova que reuniu 32 equipas.

A passagem por Xangai deixou-lhe também uma impressão da escala da China e do grau de automatização encontrado no país.

“Aqui é tudo em grande”, observou. “E é tudo automatizado também, até as mais simples coisas”, disse, acrescentando que a experiência lhe deu motivação adicional para tentar “levar a tecnologia para Portugal”.

A competição de Xangai reuniu cerca de 1.400 jovens oriundos de 68 países e regiões, que durante quatro dias disputaram provas em 64 profissões, desde áreas tradicionais, como cabeleireiro e soldadura, até robótica e outras atividades ligadas às novas tecnologias.

Realizado de dois em dois anos, o WorldSkills é a maior competição internacional dedicada às profissões e à formação profissional.

Portugal é, em conjunto com Espanha, um dos membros fundadores da organização e o único país que participou em todas as edições da competição.

Em 1950, 12 jovens portugueses e outros 12 espanhóis participaram, em Madrid, no primeiro Campeonato Internacional das Profissões, iniciativa que esteve na origem do atual movimento WorldSkills.

Setenta e seis anos depois, Gustavo Seia atribuiu a melhor prestação portuguesa de sempre a uma metodologia de preparação que tem sido aperfeiçoada de campeonato para campeonato.

“Em cada campeonato vamos melhorando”, afirmou.

O responsável destacou os planos de treino desenvolvidos para cada profissão, o acompanhamento próximo dos concorrentes pelas entidades de formação e orientadores e a preparação psicológica para lidar com a pressão da competição.

Segundo Seia, o resultado alcançado em Xangai “reflete o trabalho feito” e mostra que Portugal deve continuar a investir na formação profissional.

O objetivo ultrapassa, porém, a conquista de medalhas.

“Há um objetivo maior, que é realmente dar voz a isto que conseguimos aqui”, afirmou.

Para Gustavo Seia, o desempenho alcançado em Xangai mostra “a cada uma e a cada um dos jovens de Portugal que o caminho da formação profissional é muito valorizado e pode ser uma ótima solução para a sua vida profissional”.