Mais de uma centena de obras de Paula Rego vão estar patentes no Museu Munch, em Oslo, na Noruega, entre abril e agosto de 2026, naquela que será a primeira grande exposição da artista plástica portuguesa nos países nórdicos.
A mostra, intitulada Dance Among Thorns, explora, com “um misto de humor e seriedade”, o diálogo entre poder e vulnerabilidade, desejo e raiva, temas centrais no trabalho da “influente artista política e ícone feminista”, segundo o museu na sua página de Internet.
A exposição apresenta pinturas figurativas de cores intensas e imaginação exuberante, nas quais se reflete a influência do pintor norueguês Edvard Munch (1863—1944), acrescenta.
Segundo o museu norueguês, Dance Among Thorns é a mais abrangente apresentação da artista desde a exposição retrospetiva na Tate Britain, em 2021, um ano antes da sua morte.
Uma das mais importantes pinturas de Paula Rego é The Dance (1988) — uma grande tela com oito figuras a dançar numa praia, ao luar — obra que estabelece paralelos diretos com The Dance of Life (1899), de Munch, assinala o museu.
Paula Rego, que também adquiriu nacionalidade britânica, nasceu em Lisboa em 1935, sob o regime ditatorial de Salazar, um período de fortes restrições à liberdade e aos direitos das mulheres.
Na década de 1990, envolveu-se ativamente no debate sobre a despenalização do aborto em Portugal, que viria a ser legalizado em 2007.
Parte significativa da exposição é dedicada à série Untitled, composta por pastéis que retratam o impacto de regimes autoritários sobre a sexualidade, o corpo e a saúde mental das mulheres.
Aos 17 anos, Paula Rego mudou-se para Londres para estudar arte, na Slade School of Art, e construiu uma carreira marcada pela fusão das tradições culturais e literárias de Portugal e do Reino Unido.
A sua obra, fortemente figurativa, reflete experiências pessoais e recorre a mitos, contos e narrativas populares para explorar as zonas mais sombrias da condição humana.
A mostra que vai estar patente no museu Munch revela a amplitude da produção artística de Paula Rego — de colagens abstratas iniciais a esculturas têxteis e panoramas figurativos — na qual o humor e a gravidade coexistem em trabalhos que abordam temas universais como poder, sexualidade e emoções primordiais.
Além das obras de Paula Rego, a exposição inclui ainda três trabalhos em papel de Edvard Munch, reforçando o diálogo entre estes dois artistas.
A exposição vai estar patente ao público entre 24 de abril e 2 de agosto de 2026.