Por entre fábulas e um início de história vitorioso de Francesco Farioli, o FC Porto aterrou na cidade de Robin Hood. O lendário City Ground acolheu, esta quinta-feira, um duelo entre dois clubes que já foram campeões europeus: Nottingham Forest e FC Porto. Fazer história era a missão dos dragões, que nunca tinham vencido em território inglês e, em 23 partidas, só não tinham perdido três. Apesar do registo negativo, o momento era altamente favorável aos portistas, que chegaram a Nottingham a viver um dos melhores arranques de época da sua história, com dez vitórias e um empate. Para além disso, a terceira vitória na fase de liga da Liga Europa era importante para o FC Porto, que ficava desde já perto do apuramento para a próxima fase.

A viagem para Inglaterra ficou marcada por uma peripécia, já que o avião do FC Porto demorou a descolar do Aeroporto Francisco Sá Carneiro devido a uma… inspeção da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC). Esse incidente acabou atrasar a partida em cerca de uma hora, mas os dragões acabaram por aterrar em East Midlands sem percalços. No seu interior seguiram 24 jogadores, com destaque para o regresso de Zaidu Sanusi, que evoluiu para treino condicionado nos últimos dias. Para além do lateral, Farioli convocou Gabriel Brás, Pedro Lima e Ángel Alarcón, que têm estado ao serviço da equipa B. Em sentido inverso, os lesionados Nehuen Pérez e Luuk de Jong, bem como Tomás Pérez, que esteve no Campeonato do Mundo de sub-20, onde conquistou a medalha de prata, ficaram em Portugal.

“As sensações são positivas. Estamos a regressar da paragem para os jogos das seleções e os jogadores que ficaram cá trabalharam muito bem. Em relação aos que foram às seleções, precisámos de algum tempo para reconectar tudo. Foi mais complicado analisar a equipa adversária, especialmente para a equipa de scouting, que tinha tudo analisado relativamente ao outro treinador. Preparámo-nos para dois ou três nomes que estavam a ser associados ao lugar e assim que se soube que era Sean Dyche, focámos todas as nossas atenções nele. Sabemos que tem uma ligação forte com o clube. Amanhã [quinta-feira] não será apenas um jogo de futebol, o fator emocional estará muito presente. É um treinador com um sistema forte. Nos meus anteriores clubes usava vídeos dele pelo espírito da equipa e pela forma como defendiam a sua baliza. Jogar na Europa exige coisas diferentes daquelas que o Campeonato Nacional exige. As adversidades aumentam e é normal”, explicou Farioli na antevisão.

Ficha de jogo

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Nottingham Forest-FC Porto, 2-0

3.ª jornada da fase de liga da Liga Europa 2025/26

City Ground, em Nottingham (Inglaterra)

Árbitro: Radu Petrescu (Roménia)

Nottingham Forest: Matz Sels; Neco Williams, Nikola Milenkovic, Murillo, Oleksandr Zinchenko (Nicolò Savona, 45’); Elliot Anderson (Ibrahim Sangaré, 90+3’), Douglas Luiz (Ryan Yates, 85’); Dan Ndoye, Morgan Gibbs-White, Callum Hudson-Odoi; Igor Jesus

Suplentes não utilizados: John Victor, Keehan Willows; Morato, Arnaud Kalimuendo, Nicolás Domínguez, James McAtee, Willy Boly, Zach Abbott e Zyan Blake

Treinador: Sean Dyche

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Zaidu Sanusi, 76’), Jan Bednarek, Jakub Kiwior, Francisco Moura (Martim Fernandes, 58’); Alan Varela, Victor Froholdt, Pablo Rosario (Gabri Veiga, 58’); Pepê (Rodrigo Mora, 84’), Borja Sainz (William Gomes, 58’) e Samu Aghehowa

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, João Costa; Stephen Eustáquio, Dominik Prpic, Deniz Gül, Ángel Alarcón e Gabriel Brás

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Gibbs-White (g.p., 19’) e Jesus (g.p., 77’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Moura (25’), Jesus (35’), Woan (adjunto, 80’), Gabri Veiga (89’), Murillo (90’), vermelho a Lino Godinho (adjunto, 78’)

Com uma cara nova no banco, a terceira na presente temporada, depois de Nuno Espírito Santo e Ange Postecoglu, o Nottingham Forest recebeu o FC Porto a viver uma fase negativa, com apenas uma vitória nos 11 jogos que disputou esta época. “Foi com grande orgulho que aceitei o convite para ser treinador do Nottingham Forest. Estava livre no mercado de transferências, portanto, recebi a chamada do clube e aceitei de imediato. Só faltava afinar alguns detalhes para ter a certeza da minha resposta. Quero implementar as minhas ideias numa equipa com um longo historial. Precisamos de voltar a um trajeto vencedor. Sabemos que não foi um início de temporada fácil e é necessário mudar determinados aspetos para tentar atingir os objetivos. Mas, como referi, o grupo de trabalho tem qualidade e já evidenciou isso no passado”, revelou Sean Dyche na sua longa apresentação, que durou 50 minutos.

Assim, depois da Taça de Portugal, Francesco Farioli voltou ao onze habitual, com apenas uma novidade: Pablo Rosario. O dominicano foi a aposta do treinador para reforçar o meio-campo, abdicando da criatividade de Gabri Veiga e Rodrigo Mora. No Nottingham Forest, Sean Dyche estreou-se com uma mudança tática para o 4x2x3x1, abdicando dos três centrais. Morato e Willy Boly, que passaram pelo futebol português, começaram o jogo no banco. Sem o lesionado Chris Wood, Igor Jesus foi o escolhido para alinhar no centro do ataque.

Os primeiros minutos trouxeram uns tricky trees mais ofensivos, a circularem a bola pelos três corredores e à vontade para assumirem as despesas da partida. Nesse sentido, as primeiras oportunidades pertenceram aos ingleses, com Callum Hudson-Odoi a receber na esquerda e a desferir um remate colocado para defesa de Diogo Costa (15′), sendo que, no canto, o inglês voltou a ter espaço à entrada da área e rematou com perigo, valendo o desvio em Alan Varela (16′). No lance seguinte, na sequência de um cruzamento da esquerda, Igor Jesus cabeceou contra Jan Bednarek, que cortou a bola com o braço (16′). Radu Petrescu assinou a grande penalidade e, na cobrança, o capitão do Forest enganou Diogo e inaugurou o marcador (19′).

A partir daí, a equipa da casa continuou a mostrar a melhor exibição da temporada, diante de um FC Porto pouco ofensivo e desacertado no último terço. Só de longe é que os dragões conseguiram criar perigo, com Pepê a cobrar curto um livre lateral, Varela recebeu e, de muito longe, desferiu um remate forte para defesa difícil de Matz Sels (38′). O intervalo chegou depois de Oleksandr Zinchenko se lesionar e ser rendido por Nicolò Savona, com Neco Williams a passar para a esquerda (1-0).

Na etapa complementar, os dragões até reentraram bem e chegaram ao golo num lance confuso, por intermédio de Jan Bednarek, mas o tento do polaco acabou anulado por fora de jogo de Samu Aghehowa aquando do cruzamento de Francisco Moura (53′). Com o resultado negativo a perdurar, Francesco Farioli operou uma tripla substituição, com Martim Fernandes, Gabri Veiga e William Gomes a entrarem para os lugares de Moura, Alan Varela e Borja Sainz. Sem criar perigo, o FC Porto começou a abrir espaço no seu setor defensivo e, depois de um Victor Froholdt perder a bola na cobrança de um livre rápido, Hudson-Odoi entrou na área e atirou colocado, mas Bednarek impediu que a bola chegasse à baliza (68′). Pouco depois, Martim pisou Savona dentro da área e, após ver as imagens, Petrescu assinalou novo penálti. Na conversão, Igor Jesus enganou Diogo Costa e aumentou a vantagem, já depois de Zaidu Sanusi ter entrado (77′).

Na reta final da partida, Rodrigo Mora e Ryan Yates saltaram dos bancos, seguindo-se Ibrahim Sangaré. Ainda houve tempo para William desferir um remate ao seu estilo, mas a bola saiu para fora (90+6′). Desta forma, o Nottingham Forest começou com o pé direito com Sean Dyche ao leme, ao passo que o FC Porto perdeu pela primeira vez na presente temporada (2-0).

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