A polícia espanhola recuperou um quadro de Pablo Picasso avaliado em 600 mil euros que desapareceu há semanas no transporte para uma exposição em Granada, revelaram esta sexta-feira as autoridades. Segundo fontes da agência espanhola EFE, o quadro foi encontrado em casa de uma vizinha, que levou a caixa sem saber.

No comunicado emitido na rede social X, a Polícia Nacional tinha indicado que “o Picasso desaparecido no transporte” tinha sido “recuperado”, informando ainda que a Brigada de Património Histórico mantinha “aberta a investigação” ao caso.

Nessa mesma publicação, as autoridades abriam ainda a possibilidade de que a pintura “poderá nunca ter chegado a entrar no camião de transporte”. À agência EFE, essa informação admitida é confirmada por fontes próximas da investigação que vão mais longe: o Picasso nunca terá chegado a sair do prédio na rua madrilena Pio XII, onde o dono da obra o mantinha na sua residência privada.

O quadro, dentro do pacote em que estava acondicionado, terá deixado na entrada do prédio onde esperava o transporte, explicam, tendo os trabalhadores da empresa especializada no transporte de obras de arte se esquecido de o colocar na carrinha no passado dia 25 de setembro.

Entretanto, uma vizinha que morava naquele prédio viu a caixa e, pensando que era uma encomenda entregue e deixada ali, trouxe-a para dentro de casa e deixou-a num canto. Dias depois, o marido da vizinha comentou com ela sobre o desaparecimento, algo que a levou a abrir a caixa e ver o que estava lá dentro: era o quadro desaparecido. Logo a seguir, ligaram à polícia para contar que tinham a pintura que procuravam.

O quadro de Pablo Picasso avaliado em 600 mil euros teria desaparecido no transporte entre a casa do dono, em Madrid, e o local de uma exposição em Granada, confirmou em 16 de outubro a polícia espanhola e a Fundação CajaGranada.

O desaparecimento de Nature morte à la guitare (Natureza morta com guitarra), uma obra de 1919 do espanhol Pablo Picasso, com 12,7 centímetros de altura e 9,8 de largura, foi denunciada à polícia nacional espanhola em 10 de outubro passado pela Fundação CajaGranada.

Esta instituição explicou num comunicado que uma empresa especializada no transporte de obras de arte lhe entregou em 3 de outubro, no Centro Cultural CajaGranada, mais de meia centena de quadros com diversas origens levados desde Madrid para serem integrados na exposição Natureza morta. A eternidade do inerte.

Nesse mesmo comunicado, lê-se que as obras entregues ficaram depositadas num espaço da fundação, com videovigilância permanente, até ao dia 6 de outubro, quando foram desembaladas e os responsáveis pela instituição e pela exposição verificaram que faltava um quadro, Nature morte à la guitare, apesar de constar das guias de transporte.

Fontes da investigação do caso citadas por vários meios de comunicação social locais revelaram que a viagem de cerca de 400 quilómetros entre Madrid e Granada, no sul de Espanha, para transportar as obras (57, à partida) levou dois dias a concluir, sendo este um dos aspetos em que se focava a investigação.

Os quadros foram transportados numa carrinha em que seguiam duas pessoas. Após a saída de Madrid, pararam a cerca de 27 quilómetros do destino, onde dormiram, num pequeno hotel, com as duas pessoas a, alegadamente, fazerem turnos para vigiar a carrinha, disseram as fontes policiais citadas pela imprensa espanhola.

As viagens por estrada para levar obras de arte obedecem a várias regras de acondicionamento e exigem velocidades lentas na condução, para não danificar as peças, como lembram alguns peritos neste tipo de transporte citados também pela imprensa espanhola esta sexta-feira.

Ainda é desconhecida a identidade do proprietário de Nature morte à la guitare. Sabe-se apenas que é um colecionador particular que adquiriu o quadro de Picasso há alguns anos por 60.000 euros e que o mantinha nessa residência em Madrid.

Segundo a Fundação CajaGranada, a obra foi agora avaliada para efeitos de seguro num valor de 600 mil euros.

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