Algumas voltaram ainda antes do Mundial 2023. Muitas voltaram depois da saída atribulada de Luis Rubiales que levou à saída igualmente atribulada de Jorge Vilda. Praticamente todas voltaram quando Montse Tomé se tornou selecionadora. Todas, menos uma. Mapi León era a única sobrevivente da revolta das internacionais espanholas que nunca tinha voltado a representar o próprio país — até agora.

A central do Barcelona foi convocada por Sonia Bermúdez, que substituiu Montse Tomé no comando de Espanha em agosto, e vai voltar à seleção mais de três anos depois. A última internacionalização de Mapi León foi já em julho de 2022, quando as espanholas foram eliminadas por Inglaterra no Europeu do mesmo ano, e a partir daí seguiu-se todo o carrossel que a foi afastando das convocatórias.

Mapi León começou por fazer parte do grupo de 15 jogadoras, conhecidas por Las 15, que depois da eliminação no Euro 2022 decidiram enviar à Real Federação Espanhola de Futebol um email onde criticavam abertamente as metodologias de treino do selecionador, a alegada ausência de exigência e brio e também a existência de um ambiente controlador, onde eram frequentemente questionadas sobre o local em que se encontravam e até sobre as compras que faziam. Depois de todo o grupo não ter sido convocado numa primeira fase, Aitana Bonmatí, Mariona Caldentey e Ona Batlle recuaram e estiveram no Mundial 2023, que conquistaram, enquanto que as restantes mantiveram a ausência.

Depois do tal Mundial 2023 e do escândalo que envolveu Luis Rubiales devido ao beijo não consentido que deu a Jenni Hermoso nos festejos da vitória na final, a RFEF decidiu reunir com todas as jogadoras que tinham estado na competição e também as incluídas nas Las 15 que não foram convocadas. Todas aceitaram voltar, menos Mapi León e Patri Guijarro. Esta última, porém, acabou por mudar de ideias pouco tempo depois — deixando a central do Barcelona completamente isolada enquanto a última resistente que continuava a recusar ser convocada por Espanha.

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Agora, mais de três anos depois, Mapi León está de volta e foi convocada por Sonia Bermúdez para as meias-finais da Liga das Nações que vão decorrer nos próximos dias contra a Suécia — assim como Jenni Hermoso, que também tinha sido afastada das últimas listas de Montse Tomé. Numa entrevista à RFEF, quase para confirmar que tinha aceitado a convocatória e que irá mesmo regressar à seleção, Mapi León explicou que está contente por voltar.

“Tinha muita vontade de voltar e dizer ‘estou aqui, isto é o que sou’. Não sei se me esqueceram, mas vou refrescar-vos a memória do porquê de já ter estado aqui e do porquê de continuar na elite. Muito poucas pessoas podem representar Espanha. 23 estão aqui e só 11 é que são titulares e podem defender este país. Tenho muita sorte por poder ter essa possibilidade”, defendeu a jogadora de 30 anos, num vídeo entretanto partilhado nas redes sociais.

Na entrevista, porém, Mapi León não quis falar muito sobre os motivos que a afastaram durante tanto tempo e quando as restantes colegas já tinham voltado. “Estamos numa fase nova, num momento novo, com coisas muito bonitas pela frente. Temos esta meia-final a curto prazo e estou com muita vontade. Estou a desfrutar como uma criança do facto de estar aqui, de estar tão feliz, de ter tanta vontade, é muito bonito. Acho que a minha família está louca. A minha família, os meus amigos… Sou uma pessoa muito mais tranquila, paciente, serena, com a mesma vontade ou até com mais. Sou como uma fénix, renasci dentro da seleção”, explicou a central, que tem 54 internacionalizações e um golo, acrescentando ainda que as primeiras memórias relacionadas com o futebol dizem respeito aos desenhos animados “Oliver & Benji”.

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