Pode uma atleta nascida em 2007 estar a escassos patamares de atingir 0 nível de excelência no seu desporto? Pode. E Dulcy Caylor demonstra-o. É certo que, na ginástica, a carreira de um atleta e o seu pico de forma se desencadeiam bem mais cedo do que nos desportos mais convencionais. Caylor tem apenas 17 anos e é apontada como a principal aspirante para suceder a Simone Biles. Com apenas 14 anos conquistou quatro medalhas nos Campeonatos Pan-americanos, duas delas de ouro: por equipas e all-around. Foi com essa idade que se estreou nos Campeonatos Nacionais dos EUA, onde conseguiu o bronze nos exercícios de solo e ficou em quarto no all-around.
Nascida a 9 de dezembro de 2007, Dulcy Caylor teve o primeiro contacto com a ginástica artística de forma inusitada, quando lhe ensinaram a fazer piruetas num acampamento de férias. O seu crescimento foi notável ao longo da última década, com Caylor a conseguir, neste mês de outubro, a qualificação para o seu primeiro Campeonato do Mundo, para o qual se classificou na primeira posição, num país que tem como estrela Simone Biles. Este apuramento é ainda mais notável se se tiver em consideração que, há apenas três meses, Dulcy Caylor ocupava o 11.º lugar no ranking nacional do all-around.
Three months. That’s all it took for Dulcy Caylor to go from 11th at the U.S. Classic to Team USA’s top qualifier at Worlds. Proof that belief, hard work, and resilience can rewrite any storyline. ????????????#ARTWorlds2025 pic.twitter.com/VPKiiZapXb
— Gymnastics Now (@Gymnastics_Now) October 21, 2025
Nascida na Carolina do Norte, a ginasta mudou-se para o Texas em 2017, com apenas nove anos, para prosseguir a sua carreira na modalidade, integrando um programa de elite com grandes figuras da ginástica: o World Champions Center, criado e gerido pelos pais de Biles, que teve como treinadores Cecile e Laurent Landi, que foram substituídos por Patrick Kiens e Daymon Jones em 2024, ano em que conseguiram mais uma medalha olímpica e nos Mundiais. Caylor chegou à academia tímida, sem conseguir cumprimentar Biles nos corredores, e com muitas dúvidas da sua mãe, que não sabia que se encontravam ali as principais atletas do país… e do mundo. Esses pontos de interrogação desapareceram rapidamente, com Dulcy Caylor a evoluir muito rapidamente.
Em 2021 foi convidada para fazer parte da elite, sempre com Biles como referência, o que impulsionou o seu crescimento. Falhou o apuramento para os Jogos Olímpicos por ter terminado a qualificação no sétimo lugar, mas esteve em Paris graças a um presente oferecido pelos pais, que queriam que absorvesse toda a magia das Olimpíadas. Afinal, em Los Angeles, dentro de três dois anos e meio, deverá ser Caylor a líder da equipa norte-americana. A jovem ginasta está inscrita na Universidade da Flórida e consegue conciliar, sem ter de escolher, a carreira desportiva com a universitária. Prova disso foi o feito que alcançou em setembro, ao ter conquistado a melhor nota nas qualificações norte-americanas, à frente de Leanne Wong e Joscelyn Roberson. Foi graças a esse 55,250 que se qualificou para o Mundial de Jacarta, com 17 anos. “Vamos, Dulcy! Estou muito orgulhosa de ti!”, escreveu Simone Biles no seu Instagram.
The first member of your 2025 Women’s World Championships Team, presented by @Xfinity is Dulcy Caylor!
Unofficial All-Around Score ➡️ 55.250 pic.twitter.com/TdkgijSPQR
— USA Gymnastics (@USAGym) September 30, 2025
Para além desse apuramento, Dulcy Caylor terminou no quinto lugar na classificação global depois das quatro provas, tendo caído nas barras assimétricas e recuperado no salto, onde alcançou a quarta melhor pontuação. Na barra de equilíbrio foi sexta classificada, tendo ficado no oitavo lugar no solo. Por entre a alegria, a tristeza e os altos e baixos de quem é uma atleta de elite, Caylor vai continuar a sua jornada até ao topo da ginástica. “Não me saí bem e serei dura comigo mesma porque sei que posso fazer melhor, mas é uma experiência incrível. Estar com todas estas ginastas é uma loucura. Custa-me pensar que estou ao nível delas, mas espero crescer e chegar lá”, assumiu a ginasta, depois de se apurar para os Mundiais.
Em Jacarta, na Indonésia, Dulcy Caulor foi 13.ª no all-around, com 51,532 pontos, tendo sido oitava na trave olímpica e sexta no solo, falhando a final na mesa alemã e nas barras assimétricas.