De acordo com a Porsche, nos primeiros nove meses do ano, o lucro operacional da marca caiu de mais de 4 mil milhões, para somente 40 milhões de euros. São menos 99% de lucro, contra os primeiros nove meses de 2024, num período em que as vendas caíram apenas 6%. De salientar que no primeiro semestre de 2025 o MacanEV bateu a versão a gasolina e, de Janeiro a Setembro, 23,3% das vendas globais foram referentes a veículos 100% eléctricos, com os PHEV a atingir 12,1%.

Há muito que a Porsche é um construtor que vende maioritariamente modelos volumosos e pesados, os tradicionais SUV, apesar de ter construído a sua reputação a conceber coupés desportivos, hoje bastante menos representativos no volume de vendas. Não falta quem aponte esta estratégia de favorecimento dos SUV — que marcas como a Lamborghini e Ferrari evitaram — como desastrosa e responsável pelo mau momento da marca, mas a realidade é que o reino dos coupés desportivos de dois lugares (os 911, Cayman e Boxster) já lá vai há muito, com o construtor alemão a vender em 2024 mais de 60% de SUV, nomeadamente o Cayenne e o Macan.

A crise nos mercados chinês e norte-americano não ajudou os resultados da Porsche, países que representavam cerca de 30% do volume de vendas da marca e ambos caíram, ainda que por razões distintas — o primeiro a colapsar devido a uma economia menos boa e a uma forte concorrência dos fabricantes locais e o segundo a ser vítima das tarifas do Governo de Trump. E é precisamente nesta fase de resultados menos bons que a Porsche está num processo de abater alguns dos seus modelos mais populares, como é o caso dos 718 Cayman, do Boxster e do Macan com motor a combustão, sendo que o Macan era há muito o modelo mais vendido da marca germânica. Esta decisão prende-se com a dificuldade (e custos) de tornar estes modelos compatíveis na Europa com as novas protecções para a cibersegurança, como noticiámos em Março de 2024.

Depois de anunciar que iria terminar a produção do Macan a gasolina e concentrar-se na nova geração exclusivamente eléctrica, a Porsche voltou atrás, adiando a chegada do Macan a bateria e, simultaneamente, decidindo manter a velha versão do SUV com motor de combustão. Contudo, esta estratégia de tentar atrasar a venda de modelos eléctricos e continuar a promover os modelos a gasolina (que exigem menos investimentos) poderá não fazer muito sentido, uma vez que o Macan a combustão, o modelo mais vendido da Porsche, foi nos primeiros nove meses de 2025 ultrapassado pelo Macan EV, que representou 55% do total de vendas do modelo.

A Porsche, juntamente com a BMW e a Mercedes, bate-se pelo relaxar das regras que a União Europeia impôs e que colocam ponto final à comercialização de modelos com motor a combustão na Europa em 2035. A marca tem vindo a atrasar o lançamento de eléctricos e a reforçar a aposta nas versões a combustão, ainda que híbridas e híbridas plug-in, conseguindo assim limitar os investimentos, embora esta opção possa prejudicar a estratégia a longo prazo. Os resultados agora anunciados sugerem isso mesmo e já levaram a despedimentos, segundo a Reuters.