O BPI conseguiu até ao final de setembro, nos primeiros nove meses do ano, um lucro de 389 milhões, menos 12% do que no período homólogo. Na operação em Portugal, que é a principal atividade do banco, houve uma queda menor dos lucros – menos 5% para 362 milhões. Tal como o concorrente Miguel Maya, do BCP, o presidente do BPI também recusou fazer quaisquer comentários sobre a investigação aos negócios do Novo Banco.
Os resultados trimestrais do banco, que é 100% detido pelos espanhóis do Caixabank, foram divulgados nesta sexta-feira em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e apresentados em conferência de imprensa pelo presidente da comissão executiva, João Pedro Oliveira e Costa.
Apesar da descida dos lucros, que ocorre numa altura em que as taxas de juro pressionam a margem financeira dos bancos devido à descida das prestações de crédito, o banco destaca que aumentou em 8% a concessão de crédito. O crédito a empresas aumentou 1% mas o crédito a particular subiu 8% (incluindo 10% de aumento no crédito à habitação).
“A contratação cresceu 49% no crédito à habitação”, referiu o banqueiro, reconhecendo o “impacto do crédito à habitação jovem com garantia do Estado”, que “deu um impulso muito significativo” no crescimento da carteira de crédito.
A margem financeira baixou 11% em comparação com os primeiros nove meses do ano passado, dado que as taxas de juro baixaram em relação aos máximos de 2023 e isso penaliza os lucros do banco à medida que os créditos pagos por empresas e famílias se ajustam, gradualmente, às taxas (Euribor) mais baixas.
Novo Banco. “Pagar oito e recuperar dois? Não posso ficar contente”
Apesar das várias insistências dos jornalistas, João Pedro Oliveira e Costa recusou fazer qualquer comentário sobre a investigação a negócios do Novo Banco, recusando dizer se fica ou não surpreendido por estas alegadas irregularidades.
“Não surpreende nem deixa de surpreender“, afirma o líder do BPI, cujo acionista tentou concorrer à compra do Novo Banco, que acabaria por ser vendido aos franceses do BPCE. “Só espero que o trabalho [de investigação] seja feito e que seja feito até ao fim”.
Ainda assim, o gestor salientou que não consegue ficar contente por se ter (o Estado) recuperado cerca de dois mil milhões com a venda do Novo Banco – depois de lá ser ter gasto “oito mil milhões. Gastar oito e recuperar dois? Posso admitir que pudesse ser difícil ser melhor, mas não consigo ficar contente com isso. Se alguém consegue, parabéns“.
Por outro lado, João Pedro Oliveira e Costa comentou, também, a perspetiva de ser lançado algum novo imposto que compense a eliminação (e devolução aos bancos) da contribuição adicional de solidariedade lançada na pandemia de Covid-19. “Porque é que é sistematicamente os bancos? Deve ser algum problema ideológico”, referiu o líder do BPI.
Nós já pagamos muitos impostos. Procura-se sempre o mesmo. Os bancos, aqueles que cá estão hoje, estão a pagar um montante muito significativo por algo que não teve culpa [a resolução do BES] e é um imposto violentíssimo. Só o BPI vai pagar 900 milhões até 2046. Mais os milhões que pagam o BCP e a Caixa, que deve ser o dobro”, destacou João Pedro Oliveira e Costa, lembrando que há operadores financeiros em Portugal que não pagam a contribuição para o Fundo de Resolução.
Por outro lado, o líder do BPI quis lembrar que, apesar da redução da dívida pública em Portugal (em função do PIB), a “despesa pública aumentou 7% ao ano, em média, nos últimos anos – e despesa pública não é investimento”, argumentou.
Ao contrário das empresas e dos bancos, que “emagreceram os seus custos nos últimos anos”, João Pedro Oliveira e Costa pergunta: “E o que fez o Estado? Será que estamos a fazer os esforços necessários na despesa?”.