O número de migrantes que se mudaram permanentemente para países da OCDE diminuiu 4% em 2024, totalizando 6,2 milhões de pessoas, segundo o relatório anual “Perspetivas da Migração Internacional 2025”. Apesar da descida, trata-se ainda de um valor 15% superior aos níveis de 2019, mantendo-se entre os mais altos de sempre.
A organização refere que quase metade (44%) dos novos migrantes permanentes entrou por motivos familiares, incluindo reagrupamentos e acompanhantes de migrantes laborais. A migração laboral representou 17% e a humanitária 13%.
Metade de toda a migração permanente concentrou-se em cinco países: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Espanha. Só os EUA receberam 1,4 milhões de imigrantes permanentes, cerca de um quarto do total. A migração humanitária impulsionou particularmente o aumento nos Estados Unidos (mais 20% face a 2023).
Em média, houve nove novos migrantes permanentes por cada mil habitantes nos países da OCDE, sendo Luxemburgo e Islândia os que registaram os valores mais altos (39 e 34 por mil, respetivamente). No extremo oposto, México e Japão mantêm níveis de imigração baixos, com menos de dois migrantes por mil habitantes.
Na União Europeia, a migração permanente também caiu em 2024, refletindo uma redução de 37% nas travessias irregulares de fronteira e menos 48% de entradas nos EUA. Em contrapartida, as deportações e retornos voluntários aumentaram desde 2021.
Imigração em Portugal cai 2% em 2024, mas entradas para trabalhar sobem 9%
Em Portugal, o número total de imigrantes diminuiu 2% entre 2023 e 2024, fixando-se em 138 mil entradas de longo prazo ou permanentes. O relatório destaca, contudo, um aumento de 9% nos imigrantes que chegaram para trabalhar e uma queda de 46% nos reagrupamentos familiares.
Entre os recém-chegados, 28% beneficiaram de livre circulação, 44% eram migrantes laborais e 14% familiares. O país emitiu ainda 9 mil autorizações para estudantes internacionais.
Os principais países de origem foram Brasil, Angola e Cabo Verde, sendo o Brasil o que registou o maior crescimento de fluxos. Já os pedidos de asilo aumentaram 2,9%, totalizando 2.700 requerentes, sobretudo do Senegal, Gâmbia e Colômbia. Apenas 1% das decisões foi positiva.
O relatório também nota que a emigração de portugueses para outros países da OCDE cresceu 4% em 2023, atingindo 61 mil pessoas — com destino principal a Suíça (21%), Espanha (19%) e França (12%).
Entre as medidas nacionais, a OCDE destaca a aprovação do Plano de Ação para a Migração, que prevê a revogação do mecanismo de manifestação de interesse, usado por estrangeiros em situação irregular para obter autorização de residência.
Mais de metade dos migrantes dos últimos 25 anos estão na OCDE
Nos últimos 25 anos, os países da OCDE acolheram mais de metade de todos os migrantes internacionais do mundo, ultrapassando 160 milhões de pessoas. Um terço vive nos Estados Unidos.
A proporção de estrangeiros nas populações da OCDE passou de 9,1% para 11,5% na última década. Em 2024, mais de três milhões de pessoas adquiriram cidadania num dos Estados-membros — valores recorde, sobretudo na Alemanha (290 mil) e Reino Unido (270 mil).
A Índia foi o país de origem com mais naturalizações (225 mil), seguida da Síria (150 mil).
O relatório indica ainda que apenas 10% dos migrantes estão desempregados, e que as disparidades de emprego entre homens e mulheres migrantes são atualmente das mais baixas de sempre.
A migração laboral temporária atingiu níveis recorde, com 2,3 milhões de autorizações em 2024 (mais 26% que em 2019). Já o número de estudantes internacionais caiu 13%, sobretudo devido à redução dos fluxos para os EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália.
Os pedidos de asilo nos países da OCDE aumentaram 13%, atingindo 3 milhões de novos requerentes, o valor mais alto de sempre. O crescimento foi impulsionado pelos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, enquanto outros países adotaram políticas mais restritivas, limitando benefícios e o reagrupamento familiar.
A OCDE observa ainda que, ao fim de dez anos, a diferença salarial entre migrantes e trabalhadores nativos tende a reduzir-se para metade, refletindo maior integração no mercado laboral.
Um em cada cinco médicos e enfermeiros são migrantes
O relatório revela também que um em cada cinco médicos e enfermeiros nos sistemas de saúde dos países da OCDE é migrante. No total, há mais de 830 mil médicos e 1,75 milhões de enfermeiros nascidos no estrangeiro.
O número de médicos migrantes aumentou 86% nas últimas duas décadas e o de enfermeiros 136%, impulsionado pela escassez de profissionais em países com populações envelhecidas.
Os maiores aumentos foram registados nos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Na Finlândia, o número de enfermeiros estrangeiros multiplicou-se por oito, e Alemanha, Irlanda, Nova Zelândia e Noruega também mais do que triplicaram.
Cerca de 40% dos médicos e 37% dos enfermeiros migrantes são originários da Ásia. Índia, Alemanha e China lideram entre os médicos, e Filipinas, Índia e Polónia entre os enfermeiros.
A OCDE alerta que o reconhecimento de qualificações e o licenciamento profissional continuam a ser barreiras à integração. Recomenda, por isso, o reforço da formação, melhor retenção de profissionais e redução das desigualdades internas nos sistemas de saúde.