A Rede Expressos recorreu da decisão do regulador dos transportes, a AMT, que em maio determinou a abertura do terminal rodoviário de Sete Rios a novos operadores, em resposta a pedidos da Flixbus e da BlaBlaCar. Em comunicado enviado esta quinta-feira, após uma ação da Flixbus em Sete Rios a reivindicar o cumprimento da decisão da AMT, a Rede Expressos afirma que “mantém a recusa de acesso a novos serviços” no terminal lisboeta, “mesmo que tal implique a aplicação de eventuais sanções administrativas”, porque Sete Rios está a operar “no limite” da capacidade.

“A Rede Expressos, detentora da concessão do Terminal Rodoviário de Sete Rios, considera que o acesso de novos operadores a este espaço, nas atuais condições não é viável e colocaria em causa a segurança de passageiros, trabalhadores e bens, motivo pelo qual mantém a recusa de acesso a novos serviços, nomeadamente os propostos pela FlixBus e pela BlaBlaCar”, refere a empresa.

A Rede Expressos enumera uma lista de argumentos para sustentar a posição, começando pela “saturação da capacidade do terminal”. A concessionária, que pertence à Barraqueiro, aponta que o terminal de Sete Rios “está atualmente a operar no limite das suas infraestruturas internas e externas, não havendo espaço adicional para circulação ou estacionamento seguro de mais autocarros”. Nesse sentido, “a introdução de 96 novos horários propostos pela FlixBus e 12 pela BlaBlaCar excederia enormemente a capacidade instalada”.

A empresa argumenta ainda que a entrada dos novos operadores traria “um aumento substancial do risco de acidentes e incidentes no interior e exterior do terminal”, que em momentos de maior afluência “registam congestionamento severo, com viaturas estacionadas irregularmente e circulação pedonal em condições inseguras”.

A Rede Expressos cita ainda um estudo “realizado pelo professor Carlos Oliveira Cruz, do Instituto Superior Técnico”, e que, de acordo com a empresa, conclui que o terminal de Sete Rios “já atingiu os seus limites operacionais, sendo altamente desaconselhável qualquer aumento de carga sobre a infraestrutura que, por todos os fatores conhecidos, não o suportaria”.

A empresa faz ainda uma denúncia sobre as limitações de acessibilidade o terminal lisboeta: “Ao dia de hoje os acessos ao terminal não cumprem integralmente as normas da Infraestruturas de Portugal, nomeadamente nas ligações ao eixo Norte-Sul, o que reforça os riscos associados ao aumento de tráfego na zona”.

A Rede Expressos salienta ainda que o terminal de Sete Rios foi constituído em 2004 como uma solução provisória para o transporte rodoviário na capital, e que está “desajustado” face à procura. Na mesma nota, a empresa considera “fundamental que a Câmara Municipal de Lisboa avance com a construção de um novo terminal rodoviário, moderno, seguro e dimensionado para o futuro da mobilidade interurbana na capital”.

Até que isso aconteça, sugere a utilização da Gare do Oriente como alternativa. Este é o terminal onde opera atualmente a Flixbus em Lisboa, sendo operado pela Infraestruturas de Portugal. “A Gare do Oriente dispõe de capacidade disponível, sendo atualmente utilizada pela FlixBus apenas em cerca de 30% das suas linhas, podendo acolher os horários adicionais pretendidos por esta empresa e pela BlaBlaCar”, destaca a Rede Expressos.

A empresa de transporte rodoviário garante que “não tem qualquer relutância à concorrência”, porque convive com outros operadores noutras cidades, e que “o impedimento atual não é, de forma alguma, de natureza comercial, mas exclusivamente de cariz técnico e de segurança”.

Em resposta à Flixbus, que esta quinta-feira promoveu uma ação de protesto em Sete Rios e um encontro com jornalistas para “apelar” às autoridades portuguesas por uma ação neste caso, a Rede Expressos acusa “outros operadores” de não investirem em infraestruturas próprias nem em equipas de apoio locais, ao mesmo tempo que promovem “ações mediáticas e campanhas que procuram transmitir uma imagem de vitimização, sem correspondência com a realidade operacional no terreno”.

Acusa ainda a empresa de origem alemã, que entrou em Portugal em 2020, de ter uma estratégia “em diversos países europeus como a Alemanha, França e Itália” que passa “pela tentativa de alcançar o domínio de 100% do mercado, com o consequente controlo de preços e redução da diversidade de oferta”. E que em Portugal isso não acontece “graças ao trabalho consistente e de interesse público desenvolvido pela Rede Expressos, que assegura a coesão territorial e a mobilidade das populações, muito para além dos grandes eixos turísticos”.