Portugal continua sob a influência da depressão Cláudia, que provocou fortes estragos e três vítimas mortais nos últimos dias, mas o tempo deverá melhorar significativamente a partir da manhã de segunda-feira, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Ao Observador, a meteorologista Ângela Lourenço explicou que o território de Portugal continental ainda está, este domingo, “sob a influência da depressão Cláudia, que está centrada a noroeste da Península Ibérica e está a fazer um deslocamento muito lento para su-sueste”.

“Só deverá atravessar o território na próxima noite, durante o dia 17”, explicou a meteorologista.

Voaram caravanas, telhados e pessoas: o retrato da destruição do tornado que fez um morto e dezenas de feridos em Albufeira

Durante este tempo, pode esperar-se chuva em todo o continente, com especial destaque para as zonas litorais norte e centro, onde continuam emitidos avisos de precipitação. “Vamos continuar com a ocorrência de aguaceiros”, sublinha Ângela Lourenço. “Serão por vezes fortes no litoral norte e centro. No entanto, todo o território poderá ter pontualmente, e de uma forma muito localizada, um aguaceiro mais intenso.”

A meteorologista avisa que estas chuvas mais fortes poderão ainda ser acompanhadas de rajadas fortes de vento — e subsistem ainda as condições para a ocorrência de trovoada.

“A melhoria das condições meteorológicas espera-se que seja gradualmente a partir de segunda-feira, embora ainda possa ocorrer precipitação intensa durante a noite”, sublinha Ângela Lourenço, acrescentando ainda que, ao final da tarde de segunda-feira, todo o território continental de Portugal deverá estar “com muito pouca nebulosidade” e até com céu limpo em algumas zonas.

Mau tempo provocou 884 ocorrências no sábado

A depressão Cláudia abandona Portugal depois de ter deixado para trás um rasto de destruição significativo em alguns pontos do território continental, com especial destaque para a região do Grande Porto, onde se multiplicaram as inundações, e para o Algarve, onde um tornado destruiu parcialmente um hotel e um parque de campismo, causando uma vítima mortal e deixando 28 pessoas feridas.

De acordo com um balanço feito já este domingo ao Observador pelo comandante Rui Oliveira, da Proteção Civil, foram registadas 884 ocorrências durante o dia de sábado: “536 relacionadas com situações de inundação, 123 com limpeza de via, 109 quedas de árvore, 57 quedas de estruturas, 53 movimentos de massa, que serão deslizamentos de terra ou aluimentos de piso”.

“Na resposta a estas ocorrências estiveram envolvidos 1.002 meios terrestres, 2.559 operacionais”, disse o responsável operacional, destacando que as três regiões que mais se destacaram no número de ocorrências foram a Área Metropolitana do Porto, a região de Aveiro e o Algarve.

“No total destas ocorrências houve a registar os 28 feridos e uma vítima mortal, todos na região do Algarve, na sequência daquele fenómeno extremo de vento que ocorreu na zona de Albufeira”, acrescentou ainda.

A vítima mortal, uma idosa britânica de 85 anos, morreu no parque de campismo de Albufeira, onde se encontrava numa caravana. Várias testemunhas relataram, nesta reportagem do Observador, os segundos fatídicos em que o tornado devastou aquela zona da cidade de Albufeira.

Aquela não foi, porém, a única vítima mortal da depressão Cláudia. Na quinta-feira, um casal de idosos foi encontrado morto em casa na sequência de uma forte inundação em Fernão Ferro, na Península de Setúbal, também provocada pelas fortes chuvas da depressão Cláudia.