Os congressistas na Câmara dos Representantes norte-americana votaram esta terça-feira a favor do projeto de lei que poderá libertar todos os ficheiros relacionados com o caso Epstein. O Presidente norte-americano, Donald Trump, mudou a sua posição recentemente e apelou aos republicanos para não se oporem ao projeto legislativo, adiantando que vai dar luz verde à iniciativa.

Na Câmara dos Representantes, iniciativa legislativa teve 427 votos a favor (211 dos democratas e 216 dos republicanos) e apenas um voto contra. Cinco congressistas (três democratas e dois republicanos) não votaram. De acordo com a imprensa norte-americana, o Senado também deu aprovou por unanimidade o texto na noite desta terça-feira, faltando apenas Donald Trump assinar o projeto de lei que divulgar todos os ficheiros do caso.

Naquilo que foi uma promessa eleitoral na campanha eleitoral durante as presidenciais norte-americanas, a presidência e o Partido Republicano opuseram-se inicialmente à divulgação dos documentos. Ainda esta terça-feira, o líder da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, anunciou que ia votar a favor, mesmo estando contra do projeto de lei.

A divulgação dos ficheiros Epstein resultou de uma iniciativa bipartidária entre os democratas (unanimemente a favor do projeto de lei) e alguns republicanos. Um deles foi Marjorie Taylor Greene, que outrora foi uma das mais vocais apoiantes do Presidente norte-americano, mas que agora foi apelida de uma “traidora”. Esta terça-feira, a congressista recordou que “não deve nada” ao chefe de Estado.

“Ele chamou-me traidora por estar ao lado destas mulheres e recusar tirar o nome da iniciativa”, referiu Marjorie Taylor Greene, que esteve esta terça-feira numa cerimónia com as vítimas da rede sexual montada por Jeffrey Epstein e a ex-namorada, Ghislaine Maxwell, e os seus familiares. A congressista destacou que agora vai começar “a real luta”: “Vai o Departamento de Justiça libertar os ficheiros ou será que ficarão bloqueados pelas investigações?”

As vítimas e os familiares também marcaram presença num evento antes da votação. O irmão de Virginia Giuffre (uma das vítimas que acusou o Príncipe André de abusos sexuais quando era menor), Sky Roberts, pediu “justiça, responsabilização e apoio às vítimas”. “O voto carrega esse peso. A minha irmã não é uma ferramenta política. Os sobreviventes não são ferramentas políticas. São histórias reais e trauma. É tempo para parar de falar e agir. Votem sim” à libertação dos ficheiros.

Por sua vez, Haley Robson, uma das sobreviventes da rede sexual de Jeffrey Epstein, reconheceu estar “grata” ao Presidente norte-americano, mas diz que se mantém “cética” sobre o futuro do projeto de lei. Numa mensagem a Donald Trump, a mulher destacou que “está traumatizada”, mas “não é estúpida”, recordando que o Presidente colocou as vítimas “sob demasiado stress”. E acusou-o de “travar” a legislação durante 50 dias.