A hora indicada não passava das 16h em Portugal Continental, mas cedo se percebeu que seria preciso esperar um bocadinho mais. Quase oito horas depois de Mohammad bin Salman ser recebido individualmente por Donald Trump na Sala Oval, Cristiano Ronaldo surgiu na Casa Branca. O jogador foi convidado para o jantar oficial desta terça-feira, onde esteve acompanhado por Georgina Rodríguez, sendo que antes terá tido uma conversa a sós com o presidente norte-americano. Só esta quarta-feira é que a dupla viria a publicar imagens dos momentos em que privaram na capital norte-americana.
Nas imagens transmitidas pelas agências internacionais, foi possível ver o internacional português na mesma sala que o vice-presidente norte-americano, JD Vance, os empresários multimilionários Elon Musk e Jeff Bezos, e também Gianni Infantino, o presidente da FIFA, entre muitas outras personalidades mundiais. No discurso que proferiu antes do jantar, Donald Trump agradeceu a presença de Cristiano Ronaldo e indicou ainda que o filho é “um grande fã” do português. “O Barron teve a oportunidade de o conhecer e acho que agora respeita um bocadinho mais o pai”, acrescentou.
President Donald Trump speaks on Cristiano Ronaldo attending his dinner at the White House pic.twitter.com/jbi7Hg0gXM
— george (@StokeyyG2) November 19, 2025
No final da gala, o Secretário do Comércio Howard Lutnick — também presente — reuniu Cristiano, Georgina, Elon Musk, o presidente da FIFA e outras personalidades norte-americanas, numa selfie que acabou por publicar na sua página oficial da rede social X. Em pouco mais de duas horas, Lutnick conseguiu acumular mais de 40 mil likes na publicação e milhares de partilhas online.
— Howard Lutnick (@howardlutnick) November 19, 2025
Já durante a tarde de quarta-feira (manhã em Washington), a conta oficial da Casa Branca no Instagram partilhou um pequeno vídeo que mostra Ronaldo e Trump, lado a lado, a conversar e a rir (o português à gargalhada) no corredor onde estão os retratos dos Presidentes norte-americanos. Na descrição do vídeo partilhado tanto pelo Presidente como pelo jogador português, a Casa Branca escreve “Two GOATS”, ou “os dois melhores de sempre”, traduzido para português.
The aura goes crazy. pic.twitter.com/QrrNWjGrT8
— TC (@totalcristiano) November 19, 2025
Também o maquilhador da noiva de Cristiano publicou um vídeo do casal dentro do elevador do hotel onde estavam a dormir em Washington, a fazer o trajeto até ao carro que os levou para o jantar na Casa Branca. Georgina acabou por republicar o conteúdo do artista vietnamita-americano e este acabou por se tornar viral nas redes sociais.
Cristiano Ronaldo & Georgina. ???????????? pic.twitter.com/xqvvviDCOR
— Cristiano Ronaldo News (@CRonaldoNews) November 19, 2025
A admiração mútua entre Donald Trump e Ronaldo já era universalmente conhecida. Entre a conversa com Marcelo Rebelo de Sousa em 2018, a camisola transportada por António Costa em junho e a recente entrevista a Piers Morgan, Donald Trump e Cristiano Ronaldo pareciam dar passos largos rumo a uma aproximação algo platónica. Esta terça-feira, o platonismo deu lugar ao realismo.
A notícia caiu com alguma surpresa ainda durante a noite de segunda-feira. Jake Traylor, correspondente na Casa Branca, adiantou na rede social X que Cristiano Ronaldo seria recebido pelo presidente dos EUA enquanto elemento da comitiva da Arábia Saudita que está esta terça-feira em Washington DC — e que é liderada por Mohammad bin Salman, príncipe herdeiro saudita que é também o presidente do Fundo Público de Investimento que é dono do Al Nassr, assim como do Al Hilal, do Al Ittihad e do Al Ahli.
Cristiano Ronaldo é assim o terceiro atleta português a ser recebido por um presidente dos EUA na Casa Branca: o primeiro foi Carlos Lopes, recebido por Ronald Reagan pouco depois de vencer a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984, e o segundo foi Neemias Queta, já por Donald Trump, incluído na equipa dos Boston Celtics que conquistou o Campeonato da NBA em 2024. Em termos globais, o jogador é o nono português a ser recebido na Casa Branca, juntando-se ainda a Francisco da Costa Gomes (1974, por Gerald Ford), António Ramalho Eanes (1983, por Ronald Reagan), João Rocha (1984, por Ronald Reagan e em conjunto com Carlos Lopes), Mário Soares (1987, por George H. W. Bush), Aníbal Cavaco Silva (1988, por George H. W. Bush, e 2011, por Barack Obama) e Marcelo Rebelo de Sousa (2018, por Donald Trump).
Cristiano Ronaldo não visitava os EUA desde 2016, pouco depois da conquista do Euro 2016, sendo que a última vez que jogou em território norte-americano foi já em agosto de 2014, num particular entre o Manchester United e o Real Madrid. Em 2018, o avançado português foi acusado de violação por Kathryn Mayorga, uma norte-americana com quem se cruzou durante umas férias em Las Vegas em 2009, e a possibilidade de regressar aos EUA foi colocada em causa enquanto o caso esteve aberto — com a particularidade de a Juventus, quando Ronaldo representava os italianos, ter reagendado uma digressão de pré-temporada para que o jogador não tivesse de entrar no país.
Donald Trump recebeu o príncipe herdeiro da Arábia Saudita durante a tarde
Certo é que o caso, onde Kathryn Mayorga pedia uma indemnização de 25 milhões de dólares a Cristiano Ronaldo, foi arquivado em 2022. A norte-americana ainda colocou um recurso em 2023, com o objetivo de reabrir o caso, mas a intenção foi rejeitada pelo Tribunal de São Francisco — ou seja, atualmente e desde há três anos, o jogador português não tem qualquer restrição de entrada nos EUA. Mohammad bin Salman, por seu lado, também não visitava os EUA há sete anos, num regresso que tem como principal objetivo a venda de caças F-35 aos sauditas por parte dos norte-americanos.
Apesar de Cristiano Ronaldo e Donald Trump só agora se conhecerem, esta está longe de ser a primeira vez que falam um sobre o outro em público — ou até que deixam elogios mútuos no ar. Este mês, o jogador português tinha, de resto, expressado esse objetivo, descrevendo Trump como “uma das pessoas que podem mudar, ou ajudar a mudar, o mundo” e alguém que gostava de conhecer e com quem gostaria de se “sentar e ter uma boa conversa”.
“Espero um dia conhecê-lo e conversar com ele, porque gosto mesmo dele. Consegue fazer as coisas acontecer”, elogiou Cristiano Ronaldo, numa entrevista concedida a Piers Morgan — que, na qualidade de “amigo” de Trump, prometeu desde logo que tentaria ajudar a que o encontro acontecesse. Morgan ficou ainda mais interessado no encontro — e mais curioso — quando o português lhe contou que tem uma “coisa em comum” com o presidente norte-americano e que só vai revelar o que é ao próprio.
Na conversa com Piers Morgan, Ronaldo disse ainda esperar que “o mundo siga o caminho de paz” — isto a propósito de um momento em que se “cruzou”, ainda que à distância, com Trump. Em junho, numa cimeira do G7 no Canadá, António Costa — já no papel de presidente do Conselho Europeu — oferecia ao norte-americano uma camisola da Seleção Nacional assinada pelo punho do jogador, que escolhia então escrever as palavras “playing for peace”, ou “a jogar pela paz”. “Adoro”, agradeceu Trump.
Outra figura portuguesa que chegou a falar com Trump sobre Cristiano Ronaldo foi Marcelo Rebelo de Sousa, que no primeiro mandato como Presidente da República foi recebido na Casa Branca e quis explicar, a propósito do Mundial de futebol que se jogava na altura, que “Portugal tem o melhor jogador do mundo, chamado Cristiano Ronaldo”.
“Então diga-me, quão bom é ele? Está impressionado?”, respondeu Trump, enquanto Marcelo assentia: “Estou muito, ele é o melhor do mundo. Acho que foi um êxito, o Mundial”. O momento com potencial para provocar tensão surgiu a seguir, com uma provocação de Trump: “Então o Cristiano alguma vez vai concorrer contra si? O senhor não iria ganhar, sabe que não…”. Foi então que o Presidente português, sentado nas poltronas da Casa Branca, agarrou no braço do homólogo norte-americano e atirou: “Senhor presidente, sabe uma coisa? Portugal não é os EUA, é um bocadinho diferente”. Entre risos, ficava registada a primeira interação com Trump sobre Ronaldo.