Todos os fabricantes, uns mais que outros, dependem de fornecedores externos que produzem peças complexas nas suas instalações — tabliers completos, por exemplo —, para depois as fazerem chegar à linha de montagem minutos antes de serem instaladas no veículo que delas necessita. E cada fornecedor, por sua vez, recorre a outros fornecedores que lhes garantem outras peças como ecrãs, sensores e tudo o resto, alguns dos quais são produzidos na China. Ora aqui é que reside o problema, uma vez que tudo o que é chinês está sujeito às tarifas especiais impostas por Donald Trump e não só esta guerra comercial ameaça deixar os fornecedores (e os construtores) sem peças para construir os seus modelos, como está a provocar um incremento do preço final dos veículos. Perante este quadro, a General Motors (GM), primeiro, e a Tesla, posteriormente, já tomaram medidas para evitar serem vítimas desta situação. E não serão as únicas.

A Tesla tem uma boa relação com a China, tanto mais que foi o primeiro e único construtor estrangeiro a quem os chineses concederam, por imposição de Elon Musk, o “privilégio” de ser o proprietário a 100% da fábrica que a marca de veículos eléctricos instalou (e pagou) neste país oriental, em vez da solução habitual por aqueles lados, que consiste em que os construtores montem (e paguem) a sua fábrica, para depois se verem obrigados a “oferecer” 50% a um sócio local apontado pelo Governo, na forma de um construtor controlado pelo Estado. Estes ficam, assim, com acesso a toda a tecnologia do fabricante estrangeiro, estratégia que explica a rápida ascensão dos conhecimentos tecnológicos dos construtores chineses.

Ainda assim, a Tesla não hesitou em juntar-se à GM, o maior grupo automóvel norte-americano que possui marcas como a Cadillac, Buick e Chevrolet, além de pick-ups e camiões da GMC, com a imprensa norte-americana a antecipar para breve que mais marcas americanas se juntem ao grupo que vira as costas a fornecedores chineses que exportam material a partir do seu país de origem. De acordo com o Wall Street Journal, a Tesla terá decidido, logo no início de 2025, que iria deixar de recorrer a fornecedores chineses para eliminar as peças desta proveniência nas unidades que a marca produz nos EUA.

Tesla e GM exigiram que esta renúncia total a peças vindas da China se concretizasse por completo dentro de dois anos, mas tudo indica que há pressão para que as peças de origem chinesa desapareçam dos carros norte-americanos já dentro de um ano. E nos media dos EUA corre a informação que muitos componentes chineses já foram substituídos por outros de origens menos problemáticas, avançando mesmo que a Tesla tem encorajado os fornecedores de peças chineses a instalarem unidades de produção no México, entre outros locais sujeitos a impostos menos “violentos” ao serem exportados para os EUA.