O assassinato do influenciador e ativista político Charlie Kirk, em setembro, teve o efeito de polarizar ainda mais o já extremado ambiente político nos EUA. Em poucos mais de dois meses, mais de 600 pessoas foram despedidas, suspensas, investigadas ou punidas nos EUA por terem feito comentários sobre a morte de Kirk, segundo a agência Reuters, que consultou registos criminais, declarações públicas e reportagens e realizou entrevistas com duas dezenas de pessoas que foram demitidas ou sofreram outras medidas disciplinares na sequência da morte de Kirk.

Alguns foram demitidos após comemorarem ou gozarem com a morte de Kirk, que foi baleado a 10 de setembro, no pescoço durante um evento em que participava numa Universidade do estado do Utah. Pelo menos 15 pessoas foram punidas disciplinarmente por invocarem o “karma” ou a “justiça divina”, e pelo menos outras nove foram advertidas por terem utilizado variações da expressão “boa viagem”, referindo-se à morte do apoiante de Donald Trump.

EUA. Charlie Kirk, conhecido ativista pró-Trump, foi morto a tiro em evento público

O Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos de seis estrangeiros que terão “celebrado o hediondo assassinato de Charlie Kirk”.

No caso das empresas, as punições são muitas vezes motivadas por publicações nas redes sociais que divulgam printscreens de comentários, considerados ofensivos por muitos internautas. Esses comentários são muitas vezes divulgados juntamente com os nomes e números de telefone dos empregadores, num apelo para que as empresas punam os seus trabalhadores. O que normalmente se segue são centenas de mensagens raivosas ou ameaçadoras, segundo a Reuters. Várias pessoas que foram alvo destas campanhas de ódio online disseram que foram alvo de assédio, nomeadamente através de chamadas telefónicas insistentes.

No campo pró-Kirk, pelo menos um académico foi afastado das funções que desempenhava após ameaçar “caçar” aqueles que comemorassem o assassinato de Kirk.

As pessoas que foram punidas eram oriundos de pelo menos 45 países e representavam um amplo espectro da sociedade norte-americana, desde soldados e pilotos até médicos, enfermeiros e polícias. A educação foi um dos setores mais afetados. Mais de 350 funcionários da área da educação foram demitidos, suspensos ou investigados nos dias que se seguiram ao assassinato, incluindo 50 académicos e altos administradores universitários e três diretores de escolas.

A Reuters assume que o número de mais de 600 pessoas punidas por criticarem Kirk provavelmente está subestimado. Muitas empresas e organizações governamentais não divulgaram publicamente as demissões ou suspensões aplicadas na sequência dos comentários dos seus colaboradores. Pelo menos 21 agências governamentais não responderam à Reuters sobre se tinham punido algum dos seus funcionários por comentários relacionados com a morte de Kirk.