Partiu de um estudo feito por uma consultora, passou pelo Conselho Nacional do Desporto, foi aprovado e oficialmente apresentado esta quinta-feira, em Conselho de Ministros. Chama-se Plano Nacional de Desenvolvimento Desportivo (PNDD) e é o plano estratégico de longo prazo desenvolvido pelo Governo para o desporto. A ideia passa por pensar o desporto a 12 anos, com base em três ciclos olímpicos, paralímpicos e surdolímpicos e em seis áreas de intervenção: contexto educativo, sociedade, formação e alto rendimento, instalações desportivas, políticas e governança e financiamento. No total foram aprovadas 44 medidas, que têm um custo total de aproximadamente 130 milhões de euros, nos quais se incluem 65 milhões para o Contrato-Programa para Desporto 2024-2028 e 19,3 milhões para a requalificação do Centro Desportivo Nacional do Jamor, onde decorreu o Conselho de Ministros desta quinta-feira.
Secretário de Estado aponta dezembro para conclusão de plano para o desporto
Este Plano Estratégico para o desporto resulta de uma ideia apresentada pelo Governo de Luís Montenegro em dezembro de 2024, com Pedro Dias, secretário de Estado do Desporto, a reafirmar, em maio deste ano, a intenção de pensar o desporto a longo prazo, nomeadamente com um “compromisso, no mínimo, de 12 anos, três ciclos olímpicos, com atualizações cíclicas e regulares a cada dois anos”. Depois de ter sido apresentado na quarta-feira, no Conselho Nacional do Desporto, o órgão do Governo de aconselhamento à política desportiva, o PNDD seguiu para o Conselho de Ministros dedicado ao desporto.
“Estamos muito abaixo da média europeia nos números da atividade física. A alta competição é importante para estimular o desenvolvimento do país. Quanto mais atletas tivermos, mais fácil vai ser motivarmos a sociedade a praticar desporto. Este plano abarca seis pilares estratégicos: Educação, Alto Rendimento, Inclusão, financiamento, saúde pública e modernização de infraestruturas. Procura transformar o desporto num promotor de bem-estar, inclusão e de competitividade”, explicou Luís Montenegro no habitual briefing, acrescentando que a renovação do centro do Jamor não contempla o Estádio Nacional. Posteriormente, o primeiro-ministro assumiu que o “Conselho de Ministros decidiu transferir desde já as verbas para todo o quadriénio olímpico de Los Angeles-2028″, avaliadas em “30 milhões de euros para o programa olímpico, 12 milhões para o programa paralímpico e de três milhões para o programa surdolímpico”, configurando-se aumentos de “30%, 30% e 70%”, respetivamente.
20/11/2025 – Conselho de Ministros https://t.co/7TGNcSve9f
— República Portuguesa (@govpt) November 20, 2025
Seguiu-se a apresentação do plano por parte de Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto e responsável pela coordenação do mesmo, que começou por explicar que este inclui sete objetivos: diminuir a obesidade infantil, reduzir o sedentarismo, aumentar a prática desportiva ao longo da vida e em todo o território, reforçar a participação das mulheres no desporto, garantir mais oportunidades para as pessoas com deficiência, valorizar o desporto de alto rendimento e reforçar o investimento no desporto. Mais à frente, Balseiro Lopes confirmou o que tinha sido anunciado por Montenegro e explicou que, no Centro de Alto Rendimento do Jamor, vão ser intervencionadas, entre outras, as piscinas, o centro de atletismo e o alojamento do centro de estágios.
Margarida Balseiro Lopes anunciou ainda a criação de uma Comissão Interministerial e de uma Comissão Técnica de Acompanhamento, que terá até cinco elementos e será coordenada pelo presidente do Instituto Português do Desporto e Juventude. Esta comissão será responsável por apresentar relatórios intercalares, de seis em seis meses, sobre a execução do plano. Apelidando este de um “dia histórico para o desporto”, a ministra afirmou ainda que “a aposta do Governo no desporto não começou hoje”. “É a primeira vez que o país vai ter um Plano Nacional para o desporto. Este investimento é o reflexo da aposta que o Governo está e vai continuar a fazer no desporto. Este plano não é apenas da área do desporto. Todo o dinheiro investido no desporto é também um investimento na saúde dos portugueses. Este investimento trará frutos a longo prazo”, partilhou.
“Temos uma aposta muito forte no ensino pré-escolar. Numa primeira fase será dada formação a educadores de infância, que depois darão formação a todos os educadores de infância. Vamos também atribuir kits, no valor de cerca de 275 euros, a mais de 3.700 escolas do primeiro ciclo. Estes 130 milhões refletem verbas do Orçamento de Estado e é disso que estamos a falar. Destes 130 milhões, estamos a considerar os 65 milhões transferidos para o Comité Olímpico e Comité Paralímpico. Tudo o resto está integrado naquelas que são as verbas do Orçamento de Estado de cada uma das áreas governativas”, concluiu a ministra. O Governo prevê que os custos destas medidas cheguem aos 29,2 milhões.
Por outro lado, o PNDD pretende criar uma linha de apoio “destinada a clubes e associações que reforcem a oferta dirigida a raparigas e mulheres, promovendo igualdade de oportunidades no acesso ao desporto”, no valor de sete milhões, com vista a “combater desigualdades persistentes” e a “promover a participação desportiva feminina”. Relativamente à inclusão de pessoas com deficiência, está prevista uma linha de apoio de 5 milhões, “integrada no programa extraordinário de 65 milhões”, que visa “investir na qualificação de clubes e técnicos para garantir que todas as pessoas com deficiência dispõem de condições reais de acesso à prática regular e segura”. Em termos de infraestruturas, o plano pretende investir 48,3 milhões na requalificação de equipamentos, onde se inclui os 19,3 milhões destinados ao centro do Jamor.
“As medidas do PNDD respondem aos desafios que há décadas marcam o panorama desportivo nacional: baixos níveis de atividade física, desigualdades de acesso, falta de recursos especializados, envelhecimento da rede de instalações. Considerando esta realidade, o conjunto de investimentos agora apresentados pretende aumentar a prática desportiva, promover a equidade, melhorar a formação e o alto rendimento, e transformar o desporto numa verdadeira ferramenta de saúde pública, inclusão e qualidade de vida. O PNDD marca um compromisso de longo prazo, assente em políticas consistentes, investimento sólido e uma visão integrada para o futuro”, conclui o comunicado partilhado pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto.
O PNDD foi desenvolvido nos últimos meses e resulta de um estudo encomendado à consultora PWC, que ouviu dezenas de especialistas que, segundo o Diário de Notícias, defenderam que o objetivo foi planificar e estruturar o plano estratégico, ao invés de colocar um custo em cada medida. Inicialmente, o documento continha 100 medidas que atravessavam todas as áreas do setor desportivo, desde o Desporto Escolar ao Alto Rendimento. A ideia passa por fazer uma mudança estrutural e de organização da pirâmide desportiva, começando com o aumento da prática da atividade física e desportiva em Portugal. Contudo, o Governo acabou por selecionar 44 destas 100 medidas, apresentando o plano final agora conhecido. O PNDD inclui vários ministérios, como Saúde, Economia, Educação, Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, para além do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto. Foram ouvidas “mais de 150 entidades e personalidades ligadas ao desporto”, explicou ainda Montenegro.