O Governo defende que não tem maneira de travar a distribuição de prémios aos gestores ligados à Lone Star, assim como a altos quadros do Novo Banco, pela venda do banco ao grupo francês BPCE. Apesar de ser acionista minoritário do Novo Banco e de ter coberto o risco do investimento da Lone Star na instituição, o Estado não terá uma palavra a dizer sobre estas decisões.
A notícia é avançada pelo Público, que consultou a resposta dada pelo Executivo a uma pergunta do PS, feita através do Parlamento, sobre a distribuição de prémios. O gabinete do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, respondeu que a distribuição de prémios aos gestores da Lone Star está na “esfera de ação privada daquele grupo privado” e que, quanto aos prémios atribuídos a gestores do banco, não é acionista maioritário, pelo que volta a não ter capacidade para fazer nada — sem se pronunciar, mais uma vez, sobre se tem uma posição em relação à distribuição este dinheiro (uma fatia de 1,1 milhões de euros).
A pergunta dirigida pelos deputados do PS ao Governo frisa que, através desta venda, o fundo norte-americano terá um lucro líquido estimado em 2.200 milhões de euros e que é daí que sairá o montante para os prémios. Tendo a Lone Star beneficiado do mecanismo de capital contingente através do qual o Estado cobriu o risco do investimento no Novo Banco, o PS considera “estranho” que o bónus também seja distribuído por antigos dirigentes do banco, “nomeadamente aqueles que lideravam o banco durante período de avultadas perdas e onde (…) houve graves falhas de gestão que permitiram maximizar a injeção de dinheiros públicos”.
“As avultadas quantias recebidas pelos gestores do Novo Banco contrastam com a ausência de prémios para os trabalhadores que diariamente constroem o sucesso desta instituição bancária”, aponta ainda o PS. Mas sobre esse tema, e sobre a avaliação que os socialistas pedem sobre a “política de distribuição de prémios que premeia dupla e generosamente gestores e exclui trabalhadores”, o Governo repete a resposta: não tem meios ou ferramentas para se posicionar sobre, neste caso, a ausência de prémios.