A tensão na Venezuela aumenta, com os Estados Unidos da América prontos a pôr em marcha, “nos próximos dias”, uma operação contra este território. E na mesma altura que o partido da oposição, Primeiro Justiça (PJ), exige a demissão imediata de Nicolás Maduro e o e “o afastamento completo do seu grupo” do poder, Donald Trump quer falar cara a cara com o Presidente da Venezuela.

Depois de terem apontado o Presidente da Venezuela como líder de uma organização terrorista, Donald Trump disse agora aos seus conselheiros que planeia falar pessoalmente com Maduro, segundo fontes próximas ao caso ouvidas pela Axios. A decisão, dizem, é um marco importante nas relações entre EUA e Caracas, porque pode ser um sinal de que possíveis ataques não acontecerão tão cedo: “Ninguém está a planear entrar [na Venezuela] e disparar contra ele [Nicolás Maduro] ou capturá-lo — neste momento. Esse não é o plano agora.”

Ao mesmo tempo que os norte-americanos aumentam a pressão, o partido político da oposição também o faz. Num comunicado divulgado na rede social X, o partido Primeiro Justiça (PJ) delineou nove pontos que consideram representar “aquilo que o país exige”.

Entre estes pontos, está o estabelecimento de um “Governo de União Nacional amplo, pluralista e liderado pelos cidadãos” que abriria caminho a uma “transição democrática”.

Além disso, o partido exigiu ainda o “reconhecimento pleno” da liderança de María Corina Machado, Edmundo González Urrutia e da Plataforma Democrática Unitária (PUD) — a maior coligação de oposição do país, da qual o PJ faz parte — bem como “a vontade expressa” nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.

Nestas eleições, o órgão eleitoral, composto por figuras alinhadas com o chavismo, proclamou a vitória de Maduro, apesar da maioria da oposição ter reivindicado a vitória de González Urrutia, o seu candidato. O PJ exigiu ainda a libertação de “todos os presos políticos” e “garantias para o regresso em segurança de todos os exilados”.

A 17 de novembro, a organização não governamental (ONG) venezuelana Foro Penal contabilizava 884 presos políticos — 768 homens e 116 mulheres — , incluindo quatro adolescentes e 174 militares.

O PJ propôs também esta segunda-feira a implementação de um “plano urgente” para “a recuperação da população vulnerável e o investimento social”. a adoção de “medidas extraordinárias para garantir os direitos de propriedade na Venezuela” e a criação de um fundo para “recuperar o rendimento familiar”. Defendeu ainda o relançamento da indústria petrolífera venezuelana, com a participação do setor privado nacional e internacional, e o “estabelecimento de um calendário eleitoral progressivo”, com monitorização internacional, “que garanta eleições livres e transparentes”.