O dermatologista Miguel Alpalhão foi suspenso de funções pela Unidade Local de Saúde (ULS) de Santa Maria, apurou o Observador. A suspensão surge na sequência do processo disciplinar instaurado a propósito do caso das cirurgias adicionais, em que o médico recebeu mais de 700 mil euros em quatro anos, codificou as próprias cirurgias e operou os pais.

A decisão de suspensão de funções, com perda total de vencimento, foi tomada nos últimos dias, numa reunião do Conselho de Administração da ULS.

O médico já foi notificado da decisão, apurou o Observador.

Está ainda a decorrer um outro processo disciplinar para apurar o valor total das verbas a devolver pelas cirurgias realizadas em produção adicional.

Cirurgias adicionais. IGAS aponta várias falhas no controlo e envia relatório para o Ministério Público

Recorde-se que uma investigação da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) ao caso das cirurgias adicionais realizadas no serviço de Dermatologia do Hospital de Santa Maria aponta várias irregularidades na conduta do médico Miguel Alpalhão. O relatório, divulgado em meados de novembro, concluiu que o médico aproveitou o sistema para realizar cirurgias para retirar lesões benignas aos pais e que foram feitas pequenas cirurgias como se fossem cirurgias de ambulatório, o que permitiu maximizar os ganhos financeiros.

A IGAS concluiu ainda que médico propôs, aprovou e codificou as suas próprias cirurgias mais de 350 vezes e sugeriu a abertura um processo autónomo — que já está em andamento — para serem apuradas responsabilidades financeiras no caso, ou seja, para identificar os valores que o médico recebeu indevidamente e que podem acabar por ter de ser devolvidos.

O caso está a ser investigado pelo Ministério Público. Também a Ordem dos Médicos remeteu o relatório da IGAS para o Conselho Disciplinar do Sul, que irá analisar eventuais infrações deontológicas.