O PS condenou neste sábado a “interrupção abrupta” do processo eleitoral em curso na Guiné-Bissau e manifestou a sua solidariedade para com o povo guineense “neste momento difícil do seu percurso histórico”.

“Nada justifica a supressão da democracia. O respeito pelos direitos humanos só é garantido num contexto democrático”, refere uma nota oficial do partido.

O Partido Socialista (PS) diz partilhar as preocupações manifestadas pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e várias organizações de Estados africanos “em relação aos funestos acontecimentos dos últimos dias”.

“A comunidade internacional deve empenhar-se na ajuda ao povo guineense, de modo a que o país possa encontrar rapidamente as soluções institucionais que permitam uma plena vivência democrática”, apelam os socialistas.

A junta militar que tomou o poder na Guiné-Bissau nomeou general Horta Inta-A como presidente de transição pelo período de um ano, enquanto o chefe de Estado cessante, Umaro Sissoco Embaló, deixou o país rumo ao Senegal. Os militares anunciaram a suspensão do processo eleitoral na véspera da divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem a participação do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da corrida eleitoral e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa. Simões Pereira foi detido após o anúncio da junta militar.

A oposição, que reclamou vitória nas eleições presidenciais, denuncia a intervenção militar como uma manobra orquestrada pelo Presidente cessante para travar a divulgação dos resultados eleitorais.