O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou em comunicado que a sua sede nacional, em Bissau, foi alvo de uma invasão armada este sábado. Ao Observador, fonte ligada à política guineense adiantou que também a sede do Partido de Renovação Social terá sido invadida e que há pessoas feridas.

“De acordo com relatos internos, um grupo de homens armados e encapuçados teria invadido as instalação da sede, agredindo dirigentes e colaboradores presentes no local”, avançou em comunicado, acrescentando que a invasão “representa uma séria ameaça à integridade física dos membros do partido” assim como um “atentado à estabilidade, à democracia e ao Estado de Direito na Guiné-Bissau”.

Segundo relatos feitos ao Observador, a sede terá sido invadida por militares armados que expulsaram os militantes e vandalizaram as portas do edifício.

“Fizeram a mesma coisa na sede nacional da campanha. Chegaram lá, bateram nas pessoas. Nomeadamente, alguns são juristas, estudantes da Faculdade de Direito de Bissau”, adiantou ao Observador fonte ligada à política guineense, referindo-se à sede do Partido de Renovação Social e questionando: “Se eles deram um golpe, o que é que os partidos políticos têm a ver com isso? Por que é que estão a invadir a sede dos partidos políticos?”

Numa mensagem enviada à Lusa, o porta-voz do PAIGC, Muniro Conte, adiantou que Polícias de Intervenção Rápida (PIR) assaltaram a sede do partido, expulsando todos os que lá se encontravam. Segundo o responsável, o objetivo é “introduzir armas [no local] para depois acusarem o partido”.

O PAIGC condenou o ataque e apelou às autoridades nacionais para que atuem no sentido de garantir a segurança dos cidadãos presentes no local, à comunidade internacional para que apoie “os esforços que visem preservar a legalidade democrática” e à população, para evitar uma escalada de violência.

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, foi detido pelo Comando Militar na passada quarta-feira na sequência do golpe de Estado que afastou o então Presidente Sissoco Embaló. Esta sexta-feira, Simões Pereira recebeu ordem de libertação mas, segundo fonte ligada à política guineense adiantou ao Observador, recusou sair enquanto os outros detidos não fossem também libertados.