O Papa Leão XIV apelou esta terça-feira, perante 150.000 pessoas reunidas para uma missa ao ar livre em Beirute, à adoção de “novas abordagens no Médio Oriente” para que a paz prevaleça na região.
“O Médio Oriente precisa de novas abordagens para rejeitar a mentalidade de vingança e violência, para superar as divisões políticas, sociais e religiosas, e para abrir novos capítulos em nome da reconciliação e da paz”, afirmou.
O chefe da Igreja Católica, que está a terminar uma visita ao Líbano, também apelou aos cristãos do Oriente para que demonstrem coragem, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP).
A missa atraiu cerca de 150.000 pessoas à orla marítima de Beirute e encerrou a visita de três dias de Leão ao Líbano antes do voo de regresso a Roma. O Papa pediu “à comunidade internacional para que não poupe esforços para promover processos de diálogo e de reconciliação” numa região flagelada pelos conflitos.
Leão também apelou para que o Líbano seja um “lar de justiça e fraternidade” e um “sinal profético de paz” na região, segundo a agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP).
Papa rezou no local da explosão de 2020 no porto de Beirute
Antes da missa, Leão rezou no local da explosão do porto de Beirute em 2020, que se tornou um símbolo de disfunção e impunidade oficial no país do Médio Oriente.
O chefe do Vaticano apelou para que a justiça prevaleça e ofereceu palavras de consolação ao povo do Líbano.
Familiares de algumas das 218 pessoas mortas pela explosão seguravam fotos das vítimas quando Leão chegou ao local, segundo a AP.
Leão rezou em silêncio junto a um monumento aos mortos e depois cumprimentou os familiares presentes, um a um, apertando-lhes as mãos.
O encontro emotivo teve lugar ao lado da estrutura do último silo de cereais que se manteve de pé no local destruído pela explosão de 04 de agosto de 2020, e das pilhas de carros carbonizados.
A explosão causou danos de milhares de milhões de dólares, quando centenas de toneladas de nitrato de amónio detonaram num armazém portuário. Cinco anos depois, as famílias dos mortos continuam à procura de justiça.
Nenhum responsável foi condenado numa investigação judicial que foi repetidamente obstruída, o que enfureceu os libaneses, para quem a explosão foi apenas a mais recente prova de impunidade, após décadas de corrupção e crimes financeiros.
“A visita envia claramente a mensagem de que a explosão foi um crime”, disse Cecile Roukoz, cujo irmão, Joseph Roukoz, foi morto e que estava presente para se encontrar com o Papa.
“Deve haver uma mensagem, o país deve acabar com a impunidade e garantir que a justiça seja feita”, acrescentou, citada pela AP. Quando chegou ao Líbano no domingo, Leão apelou aos líderes políticos do país para que procurassem a verdade como um meio de paz e reconciliação.
Leão procurou levar uma mensagem de paz ao Líbano, que enfrenta anos de crises económicas e políticas.
Na homilia de hoje, Leão nomeou os muitos problemas que os libaneses têm enfrentado, desde crises económicas à explosão e renovados receios de guerra, nomeadamente com o vizinho Israel.
Disse que é natural o ser humano sentir-se “paralisado pela impotência face ao mal e oprimido por tantas situações difíceis”.
No entanto, exortou os libaneses a não se resignarem e a encontrar formas de manterem a esperança de que o Líbano seja um país “onde a paz e a justiça reinem”.
“Deixemos a armadura das nossas divisões étnicas e políticas, abramos as nossas confissões religiosas ao encontro mútuo e reavivemos nos nossos corações o sonho de um Líbano unido”, afirmou.
“Líbano, levanta-te! Sê uma casa de justiça e fraternidade! Sê um sinal profético de paz para todo o Levante!”, apelou.
O papa norte-americano começou o último dia em Beirute com uma visita ao hospital De La Croix, especializado no tratamento de pessoas com problemas psicológicos.