O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), o deputado estadual Rodrigo Bacellar, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal brasileira por alegadamente ter divulgado informações sigilosas de uma operação em setembro que culminou na prisão de um amigo, o deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, designer de joias conhecido por TH Joias. De acordo com o G1, Bacellar foi detido quando já estava dentro da sede da Polícia Federal na Praça Mauá, no Rio de Janeiro, apesar de ainda não se saber o motivo do deputado estar no local na ocasião.

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Unha e Carne, que visa combater a atuação de agentes públicos envolvidos na divulgação de informações sigilosas que provocaram a obstrução da investigação realizada de outra operação, a Zargun, que decorreu a 3 de setembro. De acordo com as informações publicadas pelo comentador da Globo News Octávio Guedes, Bacellar terá avisado TH Joias da operação um dia antes e orientado o amigo a destruir provas.

Com o aviso, Thiego Raimundo dos Santos Silva chegou a organizar uma mudança e terá usado um camião-baú para transportar os bens da própria casa. O deputado também terá trocado de telemóvel — entretanto, já com o novo fez um vídeo para mostrar a Bacellar objetos que não sabia se devia retirar da casa, como um congelador e outros eletrodomésticos. “Deixa isso, tá doido? Larga isso aí, seu doido”, respondeu o presidente da Alerj, numa mensagem que foi encontrada pela PF no telemóvel de TH Joias.

O nome da operação terá relação com um comentário feito por outro político brasileiro, Washington Reis, líder do MDB no Rio de Janeiro, quando foi confrontado pela revista Veja com a prisão de TH Joias. “Nos bastidores todo mundo sabia da fama desse moço”, disse. Sobre a relação com Bacellar, resumiu: “São unha e carne”. A mesma revista descreve a amizade entre o presidente da Alerj e o deputado preso em setembro, que partilhavam fotografias juntos nas redes sociais. “No trabalho, somos comprometidos com nossas ações. Mas, graças a Deus, podemos viver momentos de descontração que fortalecem nossa amizade”, escreveu o designer de joias numa das publicações. TH Joias também ocupava o cargo de presidente da Comissão de Defesa Civil na Assembleia, além de participar em compromissos oficiais no interior do Estado ao lado do presidente da Alerj, inclusive quando Bacellar exerceu o governo interinamente.

Thiego foi preso depois de uma investigação de um esquema de corrupção que envolvia líderes do Comando Vermelho no Complexo do Alemão — um complexo de favelas no Rio de Janeiro — com diversos agentes públicos, com o objetivo de garantir a impunidade, o acesso a informações sigilosas e facilitar a importação de armas do Paraguai e equipamentos antidrone da China, que depois eram vendidos internamente e também a grupos criminosos rivais.

TH Joias foi indiciado pelos crimes de integrar uma organização criminosa armada, contrabando, exploração clandestina de atividades de telecomunicações, evasão fiscal, tráfico de drogas interestadual e violação de sigilo profissional. Também foram presos Alessandro Pitombeira Carrasena, que já ocupou cargos de secretário estadual e municipal do Rio, três polícias militares e um delegado federal, detido no Aeroporto Internacional do Galeão. Na altura, além dos 18 mandados de prisão preventiva, a PF realizou 22 mandados de busca e apreensão e o sequestro de bens no total de 40 milhões de reais, o equivalente a 6,5 milhões de euros.