Não era preciso ir muito longe para se perceber que, desde o sorteio, tudo será “diferente” neste Campeonato do Mundo de 2026. Consegue imaginar um estádio multiusos a receber uma cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, depois a colocar uma piscina no meio do recinto e fazer todas as competições perante quase 40 mil espectadores? Sim, é o que vai acontecer em 2028 no SofiStadium, em Los Angeles, a infraestrutura mais cara de sempre que nem assim vai receber mais do que oito jogos do Mundial com o último… nos quartos. O dia 1 de tudo, com as 42 seleções já apuradas a conhecerem os seus adversários, não seria diferente.

Nem todos os detalhes foram revelados antes da cerimónia que terá início às 17h em Portugal, menos cinco em Washington. As antigas estrelas da NFL, da NBA, da NHL e da MBL, Tom Brady, Shaquille O’Neal, Wayne Gretzky e Aaron Judge, ou o antigo capitão do Manchester United e de Inglaterra, Rio Ferdinand (que irá apresentar parte do evento com a jovem internacional norte-americana Samantha Johnson), são alguns dos nomes confirmados numa cerimónia que será apresentada pelo comediante Kevin Hart e pela modelo Heidi Klum com a produção de Danny Ramírez. Nos vários espaços musicais ao longo de quase duas horas estarão também estrelas mundiais como Andrea Bocelli, Robbie Williams ou Nicole Scherzinger, com a parte de encerramento guardada para os Village People e para a interpretação do conhecido YMCA.

Ainda assim, o momento mais aguardado envolverá as duas grandes figuras do dia no Centro de Artes John F. Kennedy: Donald Trump, presidente dos EUA, e Gianni Infantino, líder da FIFA. Entre algumas polémicas que antecederam este sorteio, nomeadamente o facto de a delegação do Irão ter vistos apenas para quatro pessoas (Mehdi Taj, presidente da federação, foi um dos que ficou de fora por falta de autorização para entrar no país), é esperado que Infantino entregue a Trump um novo galardão, o “Prémio da Paz – o Futebol Une o Mundo”, sendo que, de acordo com o The Athletic, muitos dos vices da FIFA desconheciam essa parte. Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, e Claudia Sheinbaum, presidente do México, também estarão na cerimónia como líderes dos co-organizadores desta fase final do Campeonato do Mundo.

Olhando agora para a parte desportiva, havia nuances também importantes que faziam com que calhar num determinado grupo de um lado ou de outro possa trazer mais ou menos facilidades. Olhando apenas para um plano mais linear, Portugal sabia que, entrando como cabeça de série no pote 1, não iria cruzar nesta primeira fase de grupos com Canadá, México, EUA, Espanha, Argentina, França, Inglaterra, Brasil, Países Baixos, Bélgica e Alemanha, sendo que metade das seleções do pote 4 só serão conhecidas em março. A partir daí, haverá uma série de novidades e “regras” que deverão ser seguidas ao longo de todo o sorteio.

  • os países anfitriões já têm os respetivos grupos definidos, com México a ficar no A, Canadá no B e EUA no D. O primeiro encontro do Mundial será no México, contra a seleção que fique na posição A2
  • depois de serem sorteados os potes 1 e 2, haverá um compasso de espera para que um computador garanta que são cumpridos todos os pressupostos, nomeadamente que existe já um grupo com duas equipas europeias (e aí o pote 3 ficará reduzido a Egito, Argélia, Tunísia ou Costa do Marfim) ou com uma equipa europeia e africana (“sobrando” Noruega e Escócia). No pote 4, a grande complicação pode existir se um dos apurados do playoff intercontinental for da CONCACAF (Jamaica ou Suriname)
  • os seis últimos apurados dos playoffs europeus e intercontinentais já têm a respetiva ordem: UEFA A para Itália, País de Gales, Bósnia ou Irlanda do Norte; UEFA B para Ucrânia, Polónia, Albânia ou Suécia; UEFA C para Turquia, Eslováquia, Kosovo ou Roménia; UEFA D para Dinamarca, Rep. Checa, Rep. Irlanda e Macedónia do Norte; FIFA 1 para Congo, Jamaica ou Nova Caledónia; FIFA 2 para Iraque, Bolívia ou Suriname. Os vencedores destes encontros serão conhecidos no final do mês de março
  • os quatro melhores do atual ranking FIFA têm vantagem por essa posição: Espanha e Argentina irão para lados diferentes do emparelhamento e só se poderão encontrar na final, França e Inglaterra também ficarão em posições distintas e só existe a possibilidade de cruzarem na decisão
  • entrar nos grupos à direita ou à esquerda do quadro costuma ser quase indiferente a não ser pelos cruzamentos a partir dos quartos de final da competição mas, com 48 equipas, não será assim. Dessa forma, entrar no grupo C, F, H ou J pode trazer uma vantagem teórica, tendo em conta que não podem encontrar vencedores de outros grupos logo nos oitavos ao contrário de outros grupos

Como estão organizados os potes para o sorteio do Mundial-2026

  • Pote 1: Canadá, México, EUA (anfitriões), Espanha, Argentina, França, Inglaterra, Brasil, Portugal, Países Baixos, Bélgica e Alemanha
  • Pote 2: Croácia, Marrocos, Colômbia, Uruguai, Suíça, Japão, Senegal, Irão, Coreia do Sul, Equador, Áustria e Austrália
  • Pote 3: Noruega, Panamá, Egito, Argélia, Escócia, Paraguai, Tunísia, Costa do Marfim, Usbequistão, Qatar, Arábia Saudita e África do Sul
  • Pote 4: Jordânia, Cabo Verde, Gana, Curaçau, Haiti, Nova Zelândia, quatro apurados do playoff da Europa e dois apurados do playoff intercontinental