Foi uma promessa do então presidente Luís Filipe Vieira em 2017. Passou a garantia de Domingos Soares de Oliveira, ex-administrador da SAD, em 2018. Viu a luz do dia em 2025, já como promessa de Rui Costa aquando da sua candidatura à reeleição como presidente do Benfica. Chama-se Benfica FM e opera, para já, apenas no digital, dado que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ainda não formalizou a compra dos sinais analógicas da antiga Batida FM por parte das águias. É um projeto único em Portugal, fazendo do clube da Luz o primeiro com uma rádio, e pretende dar outro ângulo à realidade encarnada, que continua a ter na BTV o expoente máximo nesse capítulo. “Mística para os teus ouvidos” é o lema da rádio que pode ser ouvida através do site oficial do Benfica e da aplicação do clube.
???? Está no ar a Benfica FM. pic.twitter.com/r6yduFs0ec
— Information Glorious – SL Benfica (@InformGlorious2) December 11, 2025
Lançada às 19h04 desta quinta-feira, em alusão ao ano de fundação do Benfica, a Benfica FM centra-se na “música atual e nos clássicos intemporais”, contando ainda com “conversas descontraídas”. “Sabes tudo sobre o Benfica. É a rádio onde estás sempre a ganhar!”, lê-se ainda no site oficial do novo meio de comunicação. Luís Miguel Pereira, diretor de conteúdos dos encarnados desde 2023 que é o coordenador da Benfica FM, assegurou na estreia que a rádio pretende ter uma programação generalista nos dias úteis, focando-se na vertente desportiva aos fins de semanas, com destaque para o relato dos jogos da equipa de futebol. A parte noticiosa terá enquadramento a todas as horas durante o dia, embora os noticiários não excedam os três minutos. Aqui, a responsabilidade é do jornalista Óscar Cordeiro, que é o coordenador de informação. Miriam Gonçalves, Francisco Garcia, Cláudia Semedo, Carolina Silva, Luís Marvão, Aurora Raposo, Diogo Branco e Gonçalo Alves são os animadores da Benfica FM.
A programação da rádio Benfica FM ???? pic.twitter.com/IS4sPSshXU
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Já esta sexta-feira, Rui Costa e José Mourinho marcaram presença no “Luz do Dia”, o programa matutino da Benfica FM e partilharam algumas curiosidades pessoais, sem esquecer a vertente desportiva do clube da Luz. O primeiro a marcar presença foi o treinador de 62 anos, que começou por destacar o profissionalismo que envolve o seu atual grupo de trabalho. “Não quero dizer que é o melhor que tive em 25 anos, porque seria ofensivo para os outros, mas é seguramente um dos melhores”, acrescentou. Questionado sobre a primeira coisa que faz quando acorda, o Special One negou a leitura de jornais e explicou que se costuma deitar “tarde”. “Não durmo sem dar a volta pela família. Não durmo sem o meu filme ou o meu episódio de alguma série que esteja a seguir. De manhã, quando o despertador toca, sofro. É um momento de sofrimento, tenho ali dois ou três minutos de sofrimento. Ponho [o despertador] no limite. Não tenho tempo para ficar mais um bocadinho”.
“Relativamente ao treino, as coisas são organizadas no dia anterior. Não saímos [do trabalho] sem que tudo esteja preparado. Gosto de estar lá no dia seguinte a ver quem chega mais cedo, mais tarde. Quero acelerar imediatamente as coisas. Vontade de treinar? É inquestionável. Não gosto de generalizar, mas às vezes há a sensação de que a nova geração, seja jogadores ou treinadores, não gosta muito de treinar, de futebol ou daquilo que o futebol pode dar. Continuo igual. Não consigo vislumbrar o dia em que tenha mudado alguma coisa. Recordo sempre uma conversa que tive quando estava no Real Madrid, em 2012/13, com Sir Alex Ferguson. Antes de um jogo perguntei-lhe como era a evolução das coisas. Ele disse-me: ‘Esquece, para a gente como nós é igual. O dia a dia é igual, a paixão, o nervosismo antes do jogo, a alegria depois de ganhar, a tristeza depois de perder… Para nós não muda nada’. Já estamos em 2025 e ele tem razão…”, partilhou Mourinho, que prosseguiu o pensamento.
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“Se calhar [a diferença] não é entre os bons e os excelentes, é entre os jogadores e treinadores de momento e os jogadores e treinadores de carreira. E de carreira há cada vez menos. Ancelottis ou Fergusons começam a ser raros. Aparecem rapidamente e desaparecem muito rapidamente. Estava em Istambul e um treinador muito bom pediu-me para estar três dias comigo a conversar. Uma das coisas que ele queria muito saber era sobre a fadiga, porque ele cansava-se muito. Cada vez que tinha oportunidade, aproveitava uma semana internacional [de pausa para as seleções] para desaparecer. Disse-lhe: ‘Podemos estar aqui a falar de muitas coisas, mas sobre isto vai ser difícil explicar-te, porque se precisas de descansar com 40 anos…'”, disse o treinador das águias, que assumiu ainda que a cidade onde apanhou pior tempo foi “em Manchester”.
Na quarta-feira, o Benfica derrotou o Nápoles no Estádio da Luz e somou a sua segunda vitória consecutiva na fase de liga da Liga dos Campeões, onde luta pelo apuramento para a fase a eliminar (2-0). Sobre esse jogo, Mourinho aproveitou para recordar Diego Armando Maradona, a eterna lenda dos napolitanos. “Tenho muitas saudades do Maradona. Tínhamos uma relação incrível. Por exemplo, depois desta vitória contra o seu Nápoles, lembrei-me muito dele, pois sabia que me iria insultar no seu modo de insultar. É gente iluminada. Muitos deles também têm o outro lado. Os génios são assim. Figura mais marcante? Conheci tanta gente que seria complicado e injusto escolher um. Sou amigo do Robbie Williams. O pai dele era mais divertido do que eu e morava mesmo ao meu lado. Encontrámo-nos muitas vezes no hotel. Depois aconteceu conhecer o Robbie. É começar a rir com um, acabar com outro. Tem muita ligação a Portugal. Normalmente é gente muito boa, gente simples e igual aos outros. Essa é a grande conclusão que tiro das pessoas verdadeiramente top”, elencou.
O banho de Mourinho apanhou o caudal certo do Río(s) (a crónica do Benfica-Nápoles)
Por fim, José Mourinho partilhou que, quando não pensa em futebol, o que passa pela sua cabeça são a família, os amigos e… o futebol. “Não tenho hobbies. Este verão comecei a trocar umas bolas com os meus filhos e gostei muito. Foi divertido. Estivemos dois dias em Troia e gostei muito. Quando vim para o Benfica pensei: ‘Se calhar agora vou ter tempo de dar um bocadinho mais à minha mãe, ao meu sonho, encontrar algum amigo…’. Fico absorvido pelo trabalho, pelo prazer das responsabilidades. Há pessoas que podem pensar ‘porquê?’, mas não preciso de fazer nada mais”. Quanto à gastronomia, o técnico admitiu “não gostar muito de peixe” apesar de ter nascido em Setúbal, mas considera-se “um bom garfo”. Shape Of My Heart, de Sting, é a música que mais marcou José Mourinho, que assumiu ainda gostar de “Bryan Adams, Bruce [Springsteen] e U2”.
Seguiu-se a presença do presidente benfiquista, que assumiu que acordou esta sexta-feira “com a Benfica FM”, algo que “foi um privilégio”. “Mensagens das Casas do Benfica? Foi também por isso que tivemos tanto empenho e quisemos tanto criar esta rádio. É mais um meio para chegarmos e para nos aproximarmos de todos os benfiquistas. É um orgulho enorme podermos acordar e adormecer a ouvir a nossa rádio e saber as notícias do nosso clube via rádio. O próximo passo é estarmos noutra sintonia, em FM. Se gosto de rádio? No carro, evidentemente, é sempre rádio. Música que me faz levantar? Posso dizer que sou um amante de música. Na minha etapa futebolística ouvíamos tudo o que era música e sempre fui um seguidor de música. Hoje sou um bocadinho menos. Acompanho pela rádio e posso dizer que, quando era jogador, um dos meus hobbies em estágio era criar playlists. Tinha a mania que podia ser DJ. Tenho em casa os dois pratos… Depois vi que não dava para isso. Sou um seguidor de música e amante da música dos anos 80, a minha geração. Oiço um bocadinho de tudo. Se falarmos de algo mais específico, escolho os principais da minha geração: U2, Simple Minds, Bryan Adams, Bon Jovi, por aí fora”, acrescentou.
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“Não sei o que os jogadores de hoje escolhem, mas a partir de hoje só podem ouvir a Benfica FM [risos]… Nessas playlists escolhia músicas um bocadinho mais ‘agressivas’ antes dos jogos, que me dessem alguma motivação, alguma força, de estilo gladiador, para ir para dentro do campo e ter adrenalina. Ajudava o corpo a estar pronto para os ritmos. Itália? Aprendi italiano a ouvir Eros Ramazzotti e Laura Pausini”, partilhou Rui Costa, que foi surpreendido por uma mensagem da cantora e acabou por se emocionar. “Quando cheguei [a Itália], fui logo para estágio no dia a seguir com um colega da Fiorentina. Tinha saído um álbum há pouco tempo da Laura Pausini e o meu colega de quarto estava sempre a ouvir. Passei a gostar, a adorar. Em Itália estava sempre a ouvir. Acabei por apanhar muitas palavras e começar a falar italiano a partir daí. Chegámos a ter um concerto da Laura só para nós no hotel, com duas ou três músicas”, assumiu, continuando a recordar o período em que viveu em Itália, quando representou Fiorentina (1994 a 2001) e AC Milan (2001 a 2006).
“Fui muito feliz. Foram 12 anos maravilhosos, foram duas cidades fantásticas e clubes que me deram tanto. São grupos de trabalho e colegas que levo para a vida. No AC Milan ganhei mais títulos. Na Fiorentina foi mais paixão pela própria cidade. Se costumo voltar? Não tanto como gostaria ou desejava. O tempo não permite isso e as obrigações que temos aqui também não. Há alguma nostalgia, demasiada até, e quando vou sofro um bocadinho. Tenho um problema de quase toda a gente que trabalhou no estrangeiro e fez amigos, porque depois quando lá vamos não conseguimos ver nem um terço das pessoas. Foram 12 anos que marcaram a minha vida e a própria carreira. Gosto de manter as boas recordações. O Eros [Ramazzotti] é da Juventus. Perguntei-lhe se ia ver o nosso jogo a Turim [em janeiro] e disse que, como presidente, já lá fui ganhar duas vezes… Desejou felicidade à rádio e à minha presidência”, rematou, dizendo depois que é “um amante da cozinha portuguesa”, apesar de não ter “jeito nenhum para a cozinha”.
No final da entrevista, Rui Costa foi desafiado para um jogo em que tinha de escolher entre duas opções, tendo optado por: napolitana (em detrimento de milanesa), Florença (Milão), croissants (torradas), fato de treino (gravata), cera para o cabelo (gel), máquina para a depilação (cera ou laser), relvado (ginásio), chinelos (chuteiras), lareira (ar condicionado), isqueiro (fósforos), bola antistress (cubo mágico). Em Itália, o presidente do Benfica lembrou ainda a experiência que teve quando assinou contrato com a Fiorentina e falou sobre o que espera que seja a Benfica FM. “Quando assinei o contrato, ele [presidente] veio para me dar um beijo e eu afastei-me. Depois foi um hábito. É uma coisa italiana mesmo. Só uso lá, mas posso dizer que tenho muitos ex-colegas de equipa que cumprimento quase como irmãos e com um beijo. Até os nossos jogadores, quando se portam bem. Estivemos meses a preparar o dia de ontem. Escolhemos uma equipa fantástica para este projeto. Estou muito orgulhoso e feliz que este dia tenha chegado. Esta aproximação aos sócios e adeptos é mais do que importante”, concluiu.