Um tribunal de Londres condenou Robert Rhodes, de 52 anos, pelo homicídio da sua mulher, Dawn Rhodes, nove anos depois do crime, devido a novas provas apresentadas pelo filho menor do casal. Em 2017, Rhodes tinha sido absolvido depois de convencer o tribunal de que recorreu à violência em legítima defesa. De acordo com o The Guardian, o veredicto, unânime, foi anunciado após o júri ter ouvido um relato pormenorizado de manipulação e violência.
Além do homicídio, o britânico também foi considerado culpado de maltratar o filho. Rhodes tentou enganar a justiça ao causar ferimentos em si próprio e na criança para relatar uma versão falsa do crime, manipulando o menor para que o ferisse. Foi, ainda, acusado de perjúrio por ter prestado declarações que sabia que eram falsas em 2017 e 2018.
A nova acusação só avançou após o testemunho do filho, que revelou em 2021 ao seu terapeuta que o pai tinha planeado a morte de Dawn e o tinha envolvido no plano. Segundo as autoridades britânicas, Rhodes referia-se ao homicídio como “o nosso plano“, obrigando a criança a mentir sobre o que se passou na noite de 2 de junho de 2016.
O menor descreveu como o pai destruiu deliberadamente a relação com a mãe e como o tinha manipulado para “ajudar a livrar-se” de Dawn. A criança relatou, também, que enquanto Rhodes aguardava julgamento em liberdade, o pai continuava a manipulá-lo. “Disse-me que tínhamos feito algumas coisas erradas”, revelou, acrescentando que o progenitor escondia um telemóvel na casa da avó para lhe deixar mensagens a recordar o “acordo“.
No dia do crime, às 19h34, foi a própria criança a ligar para o 999 (o número de emergência que corresponde ao 112 em Portugal). Na chamada, Rhodes afirmou que a mulher o tinha atacado, bem como ao filho, com uma faca, e que apenas se defendeu. Os polícias encontraram Dawn caída no chão da cozinha, com um golpe muito profundo na garganta. O casal estava a atravessar uma crise e Rhodes tinha já avançado com o divórcio.
A mãe de Dawn, Liz Spencer, descreveu-a, durante a sessão em tribunal, como “uma filha, irmã e mãe amorosa”. “Ser mãe era o que trazia alegria à Dawn. Ela empre quis ser mãe e ficou radiante quando teve os seus filhos”, disse, acrescentando: “Era cuidadosa, capaz e forte. Fazia tudo por toda a gente e era amada por amigos e familiares”.
“Este é um daqueles momentos em que vale a pena assinalar que o sistema de justiça criminal, por vezes, funciona. A polícia e o Ministério Público foram incansáveis na procura desta condenação. O sistema pode funcionar“, afirmou, por seu turno, Clarrie O’Callaghan, cofundadora da Femicide Census, organização que tem todas as informações abrangentes sobre mulheres que foram assassinadas no Reino Unido.
A leitura da sentença de Robert Rhodes está marcada para o dia 16 de janeiro de 2026, no Tribunal de Inner London.