O regresso mais esperado passou, finalmente, a confirmado. Portugal continua a fazer parte da história da Fórmula 1 que, em 2027 e 2028, vai regressar ao Algarve para a realização dos 27.º e 28.º Grande Prémios de Portugal. Esta história que atravessa séculos trouxe a Portugal os melhores pilotos do mundo ao longo dos últimos 74 anos, atravessando três regiões e cinco circuitos. Tudo começou em 1951, quando Casimiro de Oliveira, com um motor Ferrari, venceu a primeira prova portuguesa, no citadino da Boavista, no Porto. Nos dois anos seguintes, Eugenio Castellotti e José Nogueira Pinto deram ao construtor alemão mais duas vitórias a norte. Em 1954, a Fórmula — neste caso a categoria Sportscar — rumou à capital e instalou-se brevemente em Monsanto, no circuito de Montes Claros, com José González a vencer a prova portuguesa, antes de Jean Behra, num Maserati, triunfar no regresso à Boavista e interromper a hegemonia da scuderia.

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Depois de um interregno de um ano, o Grande Prémio de Portugal voltou a Monsanto em 1957, ano em que Juan Manuel Fangio inscreveu o seu nome na história do país. Já como Fórmula 1, Stirling Moss venceu as duas edições seguintes, na Boavista e em Montes Claros, com Jack Brabham a triunfar na Boavista, em 1960. Em 1961, Portugal perdeu os seus principais circuitos, dada a descontinuidade do circuito da Boavista e a mudança de Monsanto, que passou a focar-se somente em provas nacionais. Na altura, Vila do Conde tinha o único circuito nacional, mas não tinha condições para receber provas internacionais. A solução passou por testar Alverca e Lordelo do Ouro, sem sucesso, sendo que Vila Real recebeu algumas provas até 1966. A urgência de ter um circuito levou dez anos a concretizar-se, nascendo em Cascais o Autódromo do Estoril, num projeto entre a Câmara Municipal de Cascais e o Automóvel Club de Portugal (ACP). Desta forma, o interregno durou apenas três anos, sendo que, em 1963, o Estoril recebeu uma prova para pilotos nacionais.

Parte integrante do Campeonato Nacional de Pilotos, o Circuito do Estoril passou para segundo plano e o regresso da Fórmula 1 a Portugal deu-se no traçado citadino de Cascais, com Chris Kerrison, Rodney Banting e Jürg Dubler a vencerem em Portugal na Sportscar e na Fórmula 3. A partir daí, seguiu-se o maior interregno até então, com o Estoril a integrar o calendário mundial 18 anos depois. Foi ali que, nos 13 anos seguintes, nomes como Alain Prost, Ayrton Senna, Michael Schumacher e Jacques Villeneuve fizeram história, mas o ano de 1997 voltou a ficar marcado por mais uma sequência negra para o automobilismo português: o Estoril foi substituído por Jerez, acabou cancelado em 1998 e só viria a regressar 24 anos.

E foi assim que o “grande circo” chegou pela primeira vez à montanha-russa algarvia. Portugal aproveitou a pandemia da Covid-19 para receber mais um grande evento desportiva e, desta vez, a Fórmula 1 rumou ao Autódromo Internacional do Algarve, que foi inaugurado em 2008, e tem 15 curvas ao longo dos seus 4,684 quilómetros de extensão. Em 2020 e 2021, Lewis Hamilton foi o grande dominador em Portimão que, no ano de estreia, conquistou a 92.ª vitória da carreira em solo português e ultrapassou Michael Schumacher como o piloto mais vitorioso de sempre. Nos últimos quatro anos, muito mudou no seio da Fórmula 1, que vai regressar a Portugal em 2027 com uma nova cara e novos pilotos na pole position… à partida.

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O ano do último Grande Prémio de Portugal ficou marcado por ser um ponto de viragem na história da Fórmula 1, já que, no final dessa temporada, Max Verstappen e a Red Bull terminaram o com a hegemonia de Lewis Hamilton e da Mercedes, que tinham vencido, à data, todos os sete campeonatos da era híbrida, com o piloto inglês a igualar as sete vitórias de Michael Schumacher no topo da lista dos maiores vencedores. A partir desse ano, Verstappen somou quatro vitórias e dominou as três edições seguintes, nas quais se tornou no piloto com mais vitórias numa temporada (19), mais vitórias seguidas (10), maior percentagem de vitórias num ano (86,4%), mais vitórias a partir da pole position (12), mais vitórias seguidas a partir da pole position (18), mais poles seguidas (8), mais poles seguidas no início de temporada (7), mais pódios num ano (21), mais pontos num campeonato (575), maior percentagem de pontos num ano (92,74%), mais diferença pontual para o vice-campeão (290), mais voltas na liderança num ano (1.003), maior percentagem de voltas na liderança numa época (75,4%), mais poles, vitórias e voltas rápidas no mesmo Grande Prémio (6) e mais provas seguidas como líder do Mundial (63). A Red Bull foi a melhor construtora em 2022 e 2023, com Sergio Pérez.

Para além disso, Max Verstappen pode tornar-se, nos próximos anos, no piloto com mais vitórias ao serviço da mesma equipa, numa altura em que tem 71 triunfos e está a um de Michael Schumacher, na Ferrari, e a 13 de Lewis Hamilton, com a Mercedes. Ainda assim, a revolução técnica do próximo ano, que mudanças profundas nos motores, nos monolugares, nos combustíveis e nos pneus, bem como a sua possível saída da Red Bull em 2026, podem fazer com esse recorde não seja batido antes do regresso a Portimão. O último ano do atual regulamento acabou por trazer à tona o regresso da McLaren aos títulos 17 anos depois, com Lando Norris a sagrar-se campeão do mundo por apenas dois pontos. Para além disso, a construtora inglesa dominou por equipas e conquistou o troféu coletivo pelo segundo ano consecutivo.

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Olhando para os pilotos e as equipas, as mudanças entre 2021 e 2026 são diversas, a começar pelo número de equipas, que deixou os habituais dez e terá, a partir do próximo ano, 11 construtores a competir nos 24 grandes prémios. Nesse sentido, a integração da Cadillac é a principal novidade, com a equipa norte-americana a integrar Pérez e Valtteri Bottas, nomes que, em 2021, competiam por Red Bull e Mercedes, respectivamente. Por outro lado, os ingressos de Audi, que estabeleceu uma parceria com a Sauber (anteriormente Alfa Romeo), Racing Bulls, que era a AlphaTauri, e da Ford, que se juntou à Red Bull, trouxe várias mudanças. Com a entrada da Ford, a Honda vai passar a ser a principal construtora da Aston Martin, ao passo que, nesse sentido, a Alpine vai abandonar a Renault e juntar-se à Mercedes em 2026.

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Em termos de pilotos, a grande mudança prendeu-se com a saída de Lewis Hamilton da Mercedes e o ingresso na Ferrari, algo que aconteceu no início de 2025. O sete vezes campeão do mundo colocou, assim, fim à ligação que começou em 2006 e teve em 2025 um ano para esquecer, não tendo vencido nenhum Grande Prémio pela primeira vez desde que está na Fórmula 1. Ao contrário do inglês, apenas Lance Stroll (Aston Martin), Charles Leclerc (Ferrari), Lando Norris (McLaren) e Max Verstappen (Red Bull) continuam ligados às equipas que representavam no último Grande Prémio de Portugal. Por outro lado, Kimi Räikkönen, Robert Kubica, Antonio Giovinazzi, Yuki Tsunoda, Sebastian Vettel, Nikita Mazepin, Mick Schumacher, Daniel Ricciardo e Nicholas Latifi abandonaram o “grande circo”. Entraram Franco Colapinto (Alpine), Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg (Audi), Pérez e Bottas (Cadillac), Oliver Bearman (Haas), Oscar Piastri (McLaren), Kimi Antonelli (Mercedes), Liam Lawson e Arvid Lindblad (Racing Bulls), Isack Hadjar (Red Bull) e Alex Albon (Williams).