Quase um ano depois, o reencontro no São Luís. Pelo segundo ano consecutivo, Farense e Benfica encontraram-se na mesma competição e na mesma eliminatória. Um mês mais cedo do que aconteceu na temporada passada, leões de Faro e águias decidiram esta quarta-feira a passagem aos oitavos de final da Taça de Portugal, num encontro que serviu para recolocar os algarvios na rota dos grandes jogos do futebol português depois da despromoção à Segunda Liga, que aconteceu em maio. Ainda assim, o dia da semana e a hora de início do jogo (20h45) poderiam ser um impedimento à presença de adeptos no Estádio de São Luís, num cenário oposto aos pergaminhos da festa do futebol naquela que é a prova rainha do desporto nacional.

Pavlidis só precisou de se lembrar das melhores manhãs de Natal (a crónica do Moreirense-Benfica)

Nos últimos tempos, os encarnados têm crescido enquanto equipa e, acima de tudo, nos resultados, ainda que se encontrem na terceira posição do Campeonato Nacional e com uma diferença significativa para o líder FC Porto: oito pontos. A equipa de José Mourinho chegou a Faro depois de ter goleado o Moreirense fora de portas (4-0) e a viver uma série com cinco vitórias nos últimos seis jogos, tendo cedido apenas no dérbi da Luz (1-1). Com a mudança de competição e o regresso dos jogos a meio da semana, estava assegurada a rotação no onze do Special One, que confirmou previamente a titularidade de Manu Silva, que não ocupava esse posto há nove meses. Por outro lado, Daniel Banjaqui, campeão do mundo de Sub-17, foi a grande novidade no lote de campeões. Em sentido inverso, Leandro Barreiro foi dado como indisponível para a visita ao Algarve.

“Vou mudar porque confio cada vez mais em toda a gente. Não vou mudar porque A, B ou C precisa de descansar. O jogador que está em dificuldade é o Barreiro e nem está na lista dos convocados. Alguma mudança que possa fazer não será parte pela fadiga, é pela minha confiança crescente em gente que tem tido menos oportunidades comigo. Os nossos treinos parecem jogos. É uma coisa que me dá uma grande satisfação. Faremos três/quatro alterações relativamente ao último jogo. Todos os jogos são finais. Não tem havido mudança de chip. Não temos jogado nenhum jogo que nos possa permitir uma mudança de chip. Quando jogámos com o Nápoles, se não ganhássemos estávamos fora. Não ganhar em casa do Moreirense seria também um golpe importante. Perder em Faro significa estar fora da Taça. Adversários diferentes e competições diferentes, mas o chip é sempre o mesmo. Temos de ganhar. Isso pode ajudar-nos”, partilhou Mourinho na antevisão à partida.

Ficha de jogo

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Farense-Benfica, 0-2

Oitavos de final da Taça de Portugal 2025/26

Estádio de São Luís, em Faro

Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)

Farense: Jakob Tannander; Fran Delgado (Dário Miranda, 63’), Lucas D’Agrella, Rúben Fernandes (Franco Romero, 46’), Duarte Furtado; Gio Almeida, Rafinha Teixeira, Assane Ndiaye; Jaiminho (Diego Dorregaray, 73’), Miguel Menino (Bruno Almeida, 69’) e Rui Costa (Darío Poveda, 63’)

Suplentes não utilizados: Miguel Carvalho; Yannick Semedo, Cláudio Falcão e Toni Herrero

Treinador: Jorge Silas

Benfica: Samu Soares (Anatoliy Trubin, 46’); Tomás Araújo, António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dah; Manu Silva, Richard Ríos; Gianluca Prestianni (Daniel Banjaqui, 88’), Giorgi Sudakov (Fredrik Aursnes, 36’), Andreas Schjelderup (João Rego, 82’); Franjo Ivanovic

Suplentes não utilizados: Rafa Obrador, Enzo Barrenechea, Vangelis Pavlidis, Henrique Araújo e Rodrigo Rêgo

Treinador: José Mourinho

Golos: Ríos (11’) e Ivanovic (56’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rafinha (29’), Romero (46’), Gio (64’), Furtado (67’), Ríos (85’) e Prestianni (85’)

O Farense chegou a este jogo no nono lugar da Segunda Liga e a sete pontos do terceiro lugar, que pode valer a subida ao principal escalão do futebol português. Ainda assim, a equipa comandada por Jorge Silas vinha de uma derrota pesada em casa do Académico de Viseu (3-0), numa exibição coletiva que ficou bastante aquém do desejável. “Sabemos que o Benfica vem de uma série muito boa, não perde há sete jogos e desses ganhou cinco. É, provavelmente, neste momento, a melhor equipa em Portugal. Sabemos do grau de exigência do desafio, mas estamos a jogar em casa e conhecemos bem o nosso estádio. Temos a ambição de criar alguma surpresa, até porque nesta competição há sempre muitas surpresas e nós estamos nesta fase por mérito. As expectativas são muito altas. Espero um Benfica muito similar, muito forte, com um treinador que factualmente é o melhor treinador português da história”, assumiu o técnico de 49 anos.

As alterações acabaram por ser muitas nos dois onze iniciais, com José Mourinho a mudar mais do que tinha anunciado: seis peças. Assim, Samu Soares, António Silva, Manu Silva, Gianluca Prestianni, Andreas Schjelderup e Franjo Ivanovic a saltaram para o onze, com Tomás Araújo a descair para o lado direito da defesa e Giorgi Sudakov a viajar para o meio, jogando no apoio ao croata. No Farense, Jorge Silas fez oito alterações em relação último onze, repetindo apenas as titularidades de Rúben Fernandes, Lucas D’Agrella e Fran Delgado.

Apesar de o jogo ter começado equilibrado, o Benfica capitalizou na primeira oportunidade e no primeiro que teve, novamente na bola parada: Sudakov cobrou o livre na direita, a bola passou por toda a gente e caiu na zona do segundo poste, onde Richard Ríos apareceu completamente sozinho a rematar de primeira para o fundo da baliza algarvia (11′). A partir daí, a águia continuou a dominar o desafio, mas encontrou dificuldades perante um leão farense instalado num bloco baixo e a fechar todos os caminhos para a sua baliza. Ainda assim, numa jogada de envolvimento da direita para o meio, o médio ucraniano entregou em Schjelderup que, entro da área, passou por um defesa, mas o remate saiu fraco para as mãos de Jakob Tannander (25′). No lance seguinte, a dupla encarnada voltou a evidenciar-se, com o norueguês a acabar por ser derrubado dentro da área por Fran Delgado. Na cobrança do penálti, Nico Otamendi atirou para a direita, a meia-altura, mas o guarda-redes sueco adivinhou o lado e fez uma grande defesa (28′).

Na parte final do primeiro tempo, os encarnados continuaram a carregar em busca do golo da tranquilidade, mas acabaram por ficar privados de Sudakov, que se lesionou numa falta dura de Rafinha Teixeira junto ao meio-campo, e cedeu o seu lugar a Fredrik Aursnes. O golo até apareceu num lance em que Tomás Araújo serviu Ivanovic, só que o croata estava em posição irregular e foi imediatamente anulado (41′). No tempo de compensação ainda houve tempo para Schjelderup atirar ao lado na conversão de um livre em zona frontal (45+4′) e para Rui Costa desferir um remate forte, também de livre, por cima do alvo (45+6′).

Para a etapa complementar, Mourinho mexeu na baliza e colocou Anatoliy Trubin no lugar de Samu Soares, que esteve a ser assistido na parte final da primeira parte. Já Silas optou por trocar Rúben Fernandes por Franco Romero e, na primeira jogada em que esteve envolvido, o central uruguaio derrubou Franjo Ivanovic que se preparava para entrar na área e viu o amarelo (46′). Na cobrança do livre, Richard Ríos desferiu mais um remate forte, mas por cima do alvo (51′). O minuto 11 voltou a ser bastante positivos para as gentes benfiquistas, que dobraram a vantagem num lance em que Ivanovic rompeu pelo meio e deixou para o remate cruzado e rasteiro de Samuel Dahl, dentro da área, aparecendo depois a completar para dentro na recarga (56′). Silas aproveitou o segundo golo para voltar a mexer, colocando Dário Miranda e Darío Poveda nos lugares de Fran Delgado e Rui Costa.

Para a parte final do jogo, Bruno Almeida e Diego Dorregaray saltaram do banco farense, que continuou sem conseguir inverter a tendência do desafio, que continuou sem ocasiões de perigo junto da baliza encarnada. Já José Mourinho voltou a dar minutos a João Rego, que rendeu Schjelderup, e estreou Daniel Banjaqui aos 17 anos. A fechar, Trubin foi, finalmente, posto à prova, com Romero a desferir um remate forte, de ângulo apertado, para defesa incompleta do ucraniano (90+5′). Na última jogada do desafio, Bruno Almeida cobrou um canto na direita e Franco Romero reduziu a desvantagem com um cabeceamento certeiro, mas o lance acabou anulado por falta de Gio sobre António Silva (90+9′). Desta forma, o Benfica carimbou os quartos de final da Taça de Portugal (0-2).