O BCE manteve, nesta quinta-feira, a taxa de juro de referência na zona euro nos 2% – o nível onde está desde junho. A decisão, que vai ao encontro daquilo que era previsto, de forma unânime, pelos analistas, prolonga a chamada “pausa” na descida dos juros que se iniciou no verão, após vários cortes sucessivos que levaram os juros para este nível de 2% (metade dos 4% que vigoraram entre o final de 2023 e meados de 2024).

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou a decisão em comunicado de imprensa publicado no site oficial da autoridade monetária, antes da habitual conferência de imprensa de Christine Lagarde, a última deste ano.

Foi a quarta vez consecutiva que o Conselho do BCE decidiu manter os juros em 2%, numa altura em que a taxa de inflação também ronda os 2%, que é a meta de médio prazo do banco central. Neste contexto, Christine Lagarde repetiu a “pista” que dá a entender que não estão previstas mudanças na taxa de juro nos próximos meses: “continuamos num bom lugar” no que às taxas de juro diz respeito, afirmou a presidente do BCE.

“Estamos num bom lugar, o que não quer dizer que estejamos numa posição estática”, afirmou Christine Lagarde, acrescentando que “foi unânime, à volta da mesa, a ideia de que o BCE deve manter-se pronto a utilizar as suas ferramentas se for necessário”.

O BCE repete que todas as próximas decisões serão tomadas “de reunião a reunião”, sem existir qualquer “orientação futura” sobre para onde as taxas de juro podem mover-se, quando se moverem: “Simplesmente não conseguimos dar orientação futura sobre as taxas de juro dada a incerteza que existe”, admitiu Christine Lagarde.

Economia “resiliente”. BCE mais otimista relativamente ao crescimento nos próximos anos

Nesta quinta-feira, a decisão de taxas de juro coincidiu com a atualização das previsões macroeconómicas para a zona euro (crescimento e inflação), algo que é feito a cada três meses. Os economistas do BCE melhoraram as projeções de crescimento face ao que tinha sido previsto em setembro – não só relativamente a 2026 mas, também, 2027 – e Christine Lagarde, a presidente do BCE, considerou que o desempenho da economia tem sido “resiliente“.

“O crescimento económico deverá ser mais robusto do que o previsto nas projeções de setembro, sobretudo graças à procura interna”, pode ler-se no comunicado do BCE. A expectativa é que, depois de um crescimento de 1,4% em 2025 (revisto em alta), a economia europeia deve expandir-se em 1,2% em 2026 e 1,4% em 2027 – mantendo esse ritmo de 1,4% também em 2028, que é o último ano do horizonte de projeção em que trabalha o BCE.

Em setembro, os economistas do BCE tinham apontado para um crescimento de 1,2% em 2025, 1% em 2026 e 1,3% em 2027.

Já para a inflação, as novas projeções do BCE apontam para uma inflação global de 2,1% em 2025, 1,9% em 2026, 1,8% em 2027 e 2,0% em 2028. Para a inflação excluindo energia e produtos alimentares frescos, a chamada “inflação subjacente”, os economistas projetam uma média de 2,4% em 2025, 2,2% em 2026, 1,9% em 2027 e 2,0% em 2028. “A inflação foi revista em alta em 2026, principalmente porque o staff espera agora que a inflação dos serviços diminua mais lentamente”, pode ler-se no comunicado.

Em nota de análise difundida pelo banco holandês ING, o economista Carsten Brzeski defende que “de um modo geral, com a inflação prevista em 2% ou ligeiramente abaixo disso, bem como o crescimento esperado em torno do potencial, não há razão para o banco central alterar a sua política monetária tão cedo, seja para cima ou para baixo”.

Se o ING não prevê que a taxa de juro mude “tão cedo”, o banco Aberdeen Investments é mais concreto: “As taxas de juro não serão ajustadas durante algum tempo, a menos que a economia enfrente um choque imprevisto”, diz o economista Felix Feather, acrescentando que “uma vez que a atividade económica deverá manter-se resiliente no geral e a inflação irá provavelmente manter-se próxima do objetivo, não esperamos quaisquer ajustamentos das taxas de juro por parte do BCE ao longo de 2026“.