Na próxima semana cumprem-se os primeiros cinco meses desde que Viktor Gyökeres aterrou em Londres para assinar contrato com o Arsenal, deixando para trás dois anos bem-sucedidos no Sporting. O valor da transferência e o número de golos tornaram o sueco num dos jogadores mais mediáticos do Campeonato inglês, pelo que a expectativa tem sido alta, mais ainda por atuar numa posição órfã no seio do plantel de Mikel Arteta. Ainda assim, a primeira temporada do avançado em Londres não tem corrido de feição, com Gyökeres a chegar a este dia de sábado com apenas seis golos em 19 jogos, tendo sido titular em 15 deles. Como tem sido habitual, o técnico catalão voltou a ser questionado sobre o rendimento do seu jogador, optando por defendê-lo, uma vez mais.

O génio de Saka apareceu para evitar mais uma surpresa: Arsenal vence Wolverhampton no fim com dois autogolos

“Acho que o nível de atenção sobre ele não mudou desde que ele assinou até hoje. Ele é normal. Todos estavam muito entusiasmados por trazê-lo para o clube. Ele teve de se adaptar à Liga e [no início] foi difícil, porque fisicamente não estava no seu melhor. É um jogador que precisa disso para ter um bom desempenho. Depois, ele arrancou. Teve um período muito bom e depois lesionou-se. Vi muitas coisas positivas nos últimos dois jogos. Merino é uma opção e deu-nos todos os motivos para considerá-lo de forma realmente séria. Veja os golos que ele marcou. Havertz está a progredir muito bem e bastante rápido nas últimas semanas. Estamos muito otimistas de que, se tudo continuar assim nos próximos treinos, esteja connosco em breve. Data de regresso? Tenho, mas não quero dizer porque acho que na última parte da reabilitação precisamos de ser cautelosos. Terei de ser firme em cada passo do caminho para garantir que, quando ele regressar, seja para ficar por muito tempo”, explicou Arteta, que cumpre por estes dias seis anos no comando técnico dos gunners.

Depois da vitória suada frente ao último classificado Wolverhampton (casa, 2-1), o Arsenal visitou pela primeira vez o Hill Dickinson Stadium para defrontar o Everton, que tem estabilizado a meio da tabela. A vitória do Manchester City horas antes do pontapé de saída obrigava a equipa de Mikel Arteta a vencer para passar o Natal na liderança, pelo que o treinador voltou a lançar Viktor Gyökeres na frente de ataque, com Bukayo Saka e Leandro Trossard nas alas, ao passo que Riccardo Calafiori voltou ao lado direito da defesa. Nos toffees, Thierno Barry foi a referência ofensiva e contou com o apoio de Jack Grealish, Carlos Alcaraz e Dwight McNeil.

Numa primeira parte de sentido único, os londrinos arrancaram a dominar, mas demoraram a criar perigo, com a primeira ocasião a sair dos pés de Martín Zubimendi que, à entrada da área, rematou por cima (19′). Pouco depois, Martin Odegaard desenhou uma jogada para Viktor Gyökeres que, de cabeça, atirou ao lado (20′). No lance seguinte, Joshua Timber foi o autor de novo cruzamento, que acabou desviado por Jake O’Brien, com o braço, impedindo o cabeceamento de Calafiori (26′). O avançado sueco assumiu a cobrança do castigo máximo e atirou forte para a meia-direita de Jordan Pickford, que nada podia fazer, chegando aos cinco golos na Premier League (27′). Até ao intervalo, o Arsenal continuou melhor, perante um Everton que não fez qualquer remate nos primeiros 45 minutos — mais quatro de compensação (0-1).

A etapa complementar abriu com a reação do Everton, que encostou o Arsenal à sua baliza nos primeiros minutos, mas quase sofreu logo a seguir, valendo o corte de James Tarkowski a travar o remate de Bukayo Saka (51′). Na resposta, Carlos Alcaraz aproveitou um ressalto para rematar à entrada da área, só que voltou a falhar o alvo (57′). Já para lá da hora de jogo, Declan Rice arrancou pelo meio e serviu Leandro Trossard na direita, só que o belga, completamente sozinho e só com Pickford pela frente, atirou em arco ao poste (64′). Mikel Arteta reagiu de pronto e trocou Gyökeres, que viu um amarelo por retardar o recomeço do jogo, por Gabriel Jesus, com o internacional pela Guiné-Bissa, Beto, a saltar para o jogo na equipa da casa. O poste esquerdo da baliza de Pickford continuou a evidenciar-se, com Odegaard a cruzar atrasado para o remate de primeira de Martín Zubimendi ao ferro (68′).

Já com Tyler Dibling, Merlin Röhl e Gabriel Martinelli em campo, o Everton voltou a carregar na reta final do encontro, levando Arteta a colocar Mikel Merino no lugar de Odegaard. Na primeira jogada em que participou, Calafiori recuperou a bola em zona subida e Tarkowski quase que fez autogolo ao cortar para a sua baliza (90′). Apesar do sufoco final, os gunners conseguiram lidar bem com as bolas bombeadas pelos toffees para a sua área e somaram mais uma vitória (0-1). Desta forma, o Arsenal voltou a colocar-se com mais dois pontos que o Man. City (39 contra 37) e garantiu que vai passar o Natal isolado no primeiro lugar, algo que acontece pela terceira vez nas últimas quatro épocas. Ainda assim, nas duas ocasiões anteriores, a equipa de Arteta não conseguiu levar o título no final da época.