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Ninguém fica sozinho em casa com esta velocidade furiosa de Sainz (a crónica do Alverca-FC Porto)

Este artigo tem mais de 6 meses

Diogo Costa mostrou o que é ser guarda-redes de grande, Mora teve o habitual toque de génio, a máquina de Farioli voltou a carburar em Alverca à velocidade de um Borja Sainz letal na hora certa (0-3).

Borja Sainz bisou pela segunda vez esta época e teve ainda mais um golo anulado na vitória do FC Porto em Alverca que reforçou liderança no Campeonato
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▲Borja Sainz bisou pela segunda vez esta época e teve ainda mais um golo anulado na vitória do FC Porto em Alverca que reforçou liderança no Campeonato

FILIPE AMORIM / AFP

▲Borja Sainz bisou pela segunda vez esta época e teve ainda mais um golo anulado na vitória do FC Porto em Alverca que reforçou liderança no Campeonato

FILIPE AMORIM / AFP

Pablo Rosario fazia recuperações de bola a 70 metros da sua baliza, Kiwior avançava com bola quase até ao último terço, Rodrigo Mora procurava os espaços que a densidade populacional acima da média no corredor central tinha tendência a retirar. Confirmando a boa fase, o FC Porto teve uma entrada a todo o gás para ir cedo à procura de uma vantagem que lhe permitisse gerir os momentos de jogo de outra forma. Foi assim na primeira parte, foi assim no segundo tempo, foi assim sempre que Borja Sainz ligou o acelerador e mostrou um sentido letal de aproveitar tudo o que a velocidade lhe permitisse fazer. Pelo meio ainda houve mais uma demonstração de Diogo Costa do que é ser guarda-redes de grande mas foi do espanhol que até na hora de festejar com os adeptos tem de ser o mais rápido que nasceu mais um triunfo claro do líder da Liga. Em época de Natal, ninguém ficou sozinho em casa e foi outro o filme que se viu em Alverca.

FC Porto vence em Alverca com bis de Borja Sainz e reforça liderança da Liga antes do Natal

Antes desta deslocação, o FC Porto atravessava o seu terceiro tempo na temporada, depois de uma primeira fase a todo o vapor, um segundo momento de aparente quebra no plano físico que se sentia a partir do meio das etapas complementares e um terceiro período de crescendo com intensidade mais constante ao longo dos 90 minutos – com essa exceção chamada Victor Froholdt, um viking que nos descontos da receção ao Estrela da última jornada andava a fazer carrinhos, piques e túneis no último terço do campo. Era isso que Francesco Farioli tentava agora potenciar, sabendo que uma sétima vitória consecutiva no Campeonato iria reforçar a liderança e pressionar o Sporting antes da deslocação a Guimarães. Antes, sobrou tempo para voltar a falar das questões da arbitragem, falando mesmo de uma “situação que se está a tornar insustentável”.

“Acredito que erros fazem parte do jogo. Os jogadores falham golos, os treinadores fazem substituições erradas. Faz parte. Acho que o problema aqui é algo mais fundo. Quando há a sensação de que o sistema está a falhar constantemente, é algo que tem de ser abordado de forma séria, dando o valor a isso. É preciso respeitar o valor da prova para manter o futebol português como uma das maiores referências na Europa e no Mundo. Acho que o comunicado do clube foi claro, muito calmo e mostrou a necessidade de lidar com esta situação com uma mente fria e com coragem. Os árbitros pedem-me para ter calma, para deixar o jogo fluir, mas vejo tantos cartões para os bancos… Em toda a Liga, não só para nós. Digo que a situação está fora do controlo também por isso. Não é possível que haja mais tempo a protestar do que o tempo em que a bola esteja a rolar. Esperamos que, brevemente, este tópico seja resolvido. Para o jogo, para os adeptos e para os clubes que estão a investir dinheiro e paixão para tentarem fazer o melhor”, frisara.

A mensagem voltou a ser deixada, depois daquela recordação dos tempos de Inocêncio Calabote que tinham sido recordados pelo italiano na sequência do penálti assinalado no Santa Clara-Sporting da Taça de Portugal por João Pinheiro, árbitro que já estava “escalado” para a deslocação dos dragões a Alverca. “Esperamos um jogo complicado, fora de casa fica ainda mais difícil. O Alverca é uma equipa que tem coisas interessantes que precisam de estar presentes na nossa mente. São a segunda equipa com mais golos esperados, portanto quando rematam, têm sempre ótimas oportunidades. São muito físicos, ganham muitos duelos aéreos. E é bom ter estas ideias contra uma equipa que tem estado bem em casa e no geral”, assumira.

Em paralelo, e na preparação do encontro, Farioli tinha abordado também a parte física no contexto de uma equipa com identidade renovada e ADN FC Porto que se via “obrigada” a ter motores ligados com e sem bola da defesa ao ataque de forma constante. “Sabem que somos obcecados nesse aspeto, porque a cada dia está a tornar-se essencial gerir os recursos que temos, em especial com tantos jogos. Tentamos encontrar momentos em que podemos dar dias de folga aos jogadores. Às vezes esquecemo-nos o que acontece com estes horários, com as viagens… É muito importante gerir todos estes parâmetros e estou muito feliz com o que os outros departamentos estão a fazer. Hoje [Domingo] vamos fazer uma análise ao aspeto físico dos jogadores e parece-me que todos estão a melhorar muito. Houve jogadores que ganharam vários quilos de músculo e, com a agenda tão apertada, isso é quase impossível, porque a tendência é perder peso e músculo. A frescura física depende da maneira como gerimos tudo isto e, depois, tudo tem a ver com os protagonistas quando entram em campo, com a mentalidade certa”, assumira o técnico italiano ainda antes da partida.

Ficha de jogo

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Alverca-FC Porto, 0-3

15.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do FC Alverca, em Alverca

Árbitro: João Pinheiro (AF Braga)

Alverca: André Gomes; Julián Martínez, Kaiky Naves, Bastien Meupiyou; Nabil Zoubdi, Alex Amorim (Davy Gui, 84′), Sabit, Francisco Chissumba; Lincoln (Cédric Nouzzi, 73′), Figueiredo (Felipe Lima, 84′) e Marezi Milovanovic (Tiago Leite, 67′)

Suplentes não utilizados: Matheus Oliveira, Sergi Sola, Isaac James, Steven Baseya e Kauan Gomes

Treinador: Custódio Castro

FC Porto: Diogo Costa; Alberto Costa (Francisco Moura, 46′), Pablo Rosário, Kiwior, Martim Fernandes; Alan Varela (Eustáquio, 74′), Froholdt, Rodrigo Mora (Gabri Veiga, 59′); Pepê (William Gomes, 59′), Borja Sainz (Deniz Gül, 80′) e Samu

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Prpic, Angel Alarcón e Yann Karamoh

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Borja Sainz (29′ e 69′) e Alan Varela (57′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Borja Sainz (63′) e Sabit (85′)

Foi isso também que norteou as escolhas iniciais de Farioli, que decidiu recuar Pablo Rosario para a posição de Bednarek (como era esperado) mas apostou em Martim Fernandes como lateral esquerdo no lugar de Francisco Moura, que teve um pequeno problema depois da partida com o Famalicão, e em Rodrigo Mora na vaga de Gabri Veiga. Entre seis mudanças na equipa inicial, foram os dois jogadores da formação portista que deixaram os primeiros sinais de perigo, com Rodrigo Mora a rematar pouco por cima na área depois de um bom passe de Froholdt (2′) e Martim Fernandes a arriscar a meia distância após uma diagonal da esquerda para o meio que foi travada com dificuldades por André Gomes (3′). O Alverca tentava esticar o jogo sempre que podia para evitar que as linhas se fossem afundando pela pressão contrária mas era o FC Porto que ia assumindo as rédeas do encontro, instalando-se de armas e bagagens no meio-campo ribatejano.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Alverca-FC Porto em vídeo]

Apesar de alguns passes errados mas com a posse a ser recuperada pouco depois, Rodrigo Mora era uma das unidades mais ativas do FC Porto, que tentava fugir ao trânsito muito condicionado pelo corredor central e apostar numa maior largura de jogo tendo os laterais sempre muito envolvidos nas jogadas ofensivas. Ainda assim, e depois dessa boa entrada, os dragões foram sentindo maiores dificuldades em furar a muralha dos visitados liderada pelo imponente Meupiyou mas também perceberam que poderia ser por ali, pelo corredor direito, que passariam para a frente do marcador. Primeiro, ameaçaram: Alberto Costa cruzou de forma tensa e rasteira ao segundo poste para o desvio de Borja Sainz para a baliza mas o lance foi anulado por fora de jogo do espanhol (26′). Depois, marcaram: Samu caiu no espaço que tinha ficado em aberto com a subida de Meupiyou, Mora cruzou de primeira após passe do espanhol e Borja Sainz fez de cabeça o 1-0 (29′).

O mais difícil estava feito pelo FC Porto, o mais “fácil” ia falhando ao FC Porto: numa fase em que podia ter acusado o golo sofrido, o Alverca chegou pela primeira vez com perigo à área e ameaçou marcar (e de forma flagrante) por duas ocasiões, com Marezi a surgir isolado perto da pequena área para o desvio depois de um cruzamento de Lincoln para defesa de Diogo Costa e com Nabil Touaizi a subir depois pela ala direita para atirar um míssil também na área para nova intervenção fantástica de Diogo Costa (37′). Os dragões não voltariam a criar perigo até ao intervalo mas ficava o aviso dos ribatejanos que só não chegaram ao empate porque o 99 voltou a mostrar o que é ser um guarda-redes de grande neste tipo de encontros.

Sem que nada o fizesse prever, Farioli aproveitou o intervalo para mexer na equipa, deixando Alberto Costa no balneário para lançar Francisco Moura e colocar Martim Fernandes na direita. E, tal como no início da partida, foi o FC Porto que deixou o primeiro sinal de perigo, com mais um movimento de Samu descaído na direita a ganhar as costas à defesa contrária para o remate cruzado desviado por André Gomes para canto (47′). O Alverca assumia uma postura de querer manter a margem mínima no resultado até a uma fase mais tardia do encontro para procurar depois algo mais mas, sendo essa a ideia, a teoria esbarrou na prática: numa jogada de envolvimento que começou com Samu a receber de costas na área qual pivô de futsal, a bola circulou para a direita, Pepê rematou rasteiro para defesa de André Gomes mas Alan Varela, que apareceu na área por esse baixar excessivo de linhas dos ribatejanos, conseguiu fazer a recarga para o 2-0 na área (57′).

Esse acabou por ser um golpe demasiado pesado em termos anímicos, sendo que as próprias mexidas dos azuis e brancos após esse golo, com a entrada de unidades irreverentes como Gabri Veiga e William Gomes, tiveram o condão de aproveitar essa quebra para fechar de vez com a partida. William Gomes, numa jogada com o médio espanhol pela direita, ainda atirou à trave num remate desviado por defesa contrário (66′) mas o momento do jogo não iria demorar muito, tendo de novo Borja Sainz como protagonista com um remate sem hipóteses ao ângulo que deixou André Gomes pregado ao chão (69′). Logo a seguir ainda houve uma ameaça de Lincoln, com um remate de fora da área para defesa apertada de Diogo Costa (71′), mas a história da partida estava escrita com Farioli a aproveitar para fazer descansar Alan Varela e Borja Sainz.

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