A polícia britânica confirmou esta terça-feira que não vai proceder a qualquer acusação criminal ao duo Bob Vylan pelos comentários sobre o exército israelita feitos no festival de música de Glastonbury por não haver provas suficientes de crime.

“Após analisar todas as provas, concluímos que não há indícios criminais suficientes, conforme definido pelo Crown Prosecution Service [o Ministério Público britânico], para que qualquer pessoa seja processada”, adiantou a polícia de Avon e Somerset, citada pela Reuters.

Esta decisão surge depois de, em julho, a polícia britânica ter chegado a uma conclusão idêntica quanto ao grupo norte-irlandês Kneecap, que também fez declarações polémicas no mesmo festival.

Em causa estava o facto do vocalista/guitarrista dos Bob Vylan, Bobby Vylan — o duo de Ipswich é completado pelo baterista Bobbie Vylan — ter entoado cânticos pela “Palestina Livre” e de “Morte às IDF” — referindo-se assim ao Exército israelita — e incentivando o público a fazer o mesmo durante a sua atuação em Glastonbury a 28 de junho.

Tais atos motivaram uma onda de controvérsia no Reino Unido, gerando não só a abertura deste inquérito criminal, como críticas da parte do primeiro-ministro britânico Keir Starmer e da embaixada de Israel em Londres.

Não obstante a polémica, as autoridades referem agora que “não havia provas suficientes para uma perspetiva realista de condenação”, palavras que já tinham sido usadas no caso dos Kneecap. As autoridades referem que, inclusive, contactou cerca de 200 membros do público durante a investigação.

“Acreditamos que foi correto que este assunto tenha sido investigado de forma abrangente, que todas as potenciais infrações penais tenham sido cuidadosamente consideradas e que tenhamos procurado todo o aconselhamento possível para garantir uma decisão informada”, concluiu a polícia de Avon e Somerset.

Bob Vylan na estreia em Portugal: uma descarga punk rap que repetiu “morte às IDF”

Além de ter sido alvo de uma investigação criminal no Reino Unido, os Bob Vylan tiveram os seus vistos para entrar nos EUA revogados e a sua integração na digressão europeia dos norte-americanos Gogol Bordello ficou comprometida “devido a complicações logísticas” motivadas por algumas salas recusarem-se a acolhê-los.

A dupla, no entanto, conseguiu garantir uma digressão europeia em nome próprio, atuando em Portugal a 8 de outubro. Nesse concerto, também repetiram o cântico “morte às IDF”.