É uma da imagens mais aguardadas do dia de Natal, depois da chegada da família real a Sandringham, em Norfolk, onde habitualmente se reúnem para celebrar a data. Mas com a queda livre de André Mountbatten-Windsor, o lugar de todas as peças do clã é uma incógnita crescente. Se nem sinal do ex-duque de York, envolvido no escândalo Epstein, como esperado, as suas filhas, as princesas Beatrice e Eugenie, juntaram-se ao cortejo que esta manhã rumou à igreja de Santa Maria Madalena.

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A princesa Eugenie e o marido caminharam atrás de Carlos III e ao lado da princesa Ana

Carlos III e Camilla lideraram o grupo na sua caminhada festivo, recebidos pelo público que costuma reunir-se em redor entre desejos de Feliz Natal. Após o serviço religioso, a família real irá recolher-se de novo em Sandringham, a propriedade onde esta manhã o Príncipe e a Princesa de Gales e os seus três filhos foram os primeiros a chegar, de acordo com o The Telegraph.

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Os príncipes de Gales com os filhos

Com a peregrinação no centro da sua mensagem de Natal de 2025, para a mensagem que foi para o ar esta tarde, Carlos III voltou a optar por um cenário à margem das residências oficiais da família real, e de novo com um cunho religioso. Se no ano passado o Rei decidiu gravar na Capela Fitzrovia de Londres, uma pequena igreja construída no antigo Hospital Middlesex, escolha simbólica para centrar as suas palavras nas batalhas de saúde por si travadas, bem como pela princesa de Gales, este ano voltou a filmar fora do Palácio de Buckingham ou do Castelo de Windsor. Segundo fontes próximas adiantavam então ao The Telegraph, é desejo do monarca “alcançar as comunidades em vez de trazê-las para dentro da coroa”. Fiel a esse voto de renovação, a escolha recaiu agora sobre a Lady Chapel na abadia de Westminster, onde os peregrinos continuam a reunir-se para prestar homenagem à vida de Eduardo, o Confessor.

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Na mensagem divulgada em vídeo, Carlos recordou a viagem recente que o casal fez ao Vaticano, encontrando-se com o Papa Leão XIV, sublinhando uma palavra menos usada mas que “faz tanto sentido no Natal” como peregrinação, uma viagem rumo ao futuro e também de regresso ao passado. Uma deslocação que, notou o monarca, coincidiu com o assinalar dos 80 anos da vitória aliada, com o soberano a sublinhar que essa memória é cada vez mais rara e distante. O Rei defendeu que “em tempos de incerteza” devemos olhar para os “poços profundos da esperança” na humanidade, enquanto elogiou a bravura da geração da Segunda Guerra Mundial.

Devemos “encontrar a força para garantir que o certo triunfa sobre o errado”, disse Carlos III, exortando todos a “lembrar-se do passado e a aprender com as suas lições”. Sugerindo ainda uma pausa, para que “as nossas almas se renovem”, um porta voz do monarca, citado pelo The Times, adianta que a mensagem subliminar é um convite a um “detox digital”, para que os smartphones se desliguem um pouco e nos aproximemos de familiares, amigos e vizinhos.

“Todas as grandes crenças nos fornecem profundos poços de esperança; de resiliência diante da adversidade; paz através do perdão; simplesmente conhecer os nossos vizinhos e mostrar respeito uns pelos outros, criando novas amizades”, exortou.

Foi no Natal de 2022 que Carlos III fez a sua primeira intervenção natalícia na condição de novo soberano, após a morte de Isabel II, acontecimento que marcou a mensagem quando se dirigiu à nação, então a partir da Capela de São Jorge, em Windsor. A tradição da mensagem de Natal foi encetada em 1932, por Jorge VI, via rádio, e a partir de Sandringham. Um legado que seria seguido pela filha, Isabel II, por 69 vezes ao longo da sua vida.

Apesar de afastado de qualquer uma das residências oficiais do clã real, Carlos III elegeu um destino em tudo associado ao contexto real. Mais conhecida como Capela Henrique VII, o cenário a partir do qual discursou tem 15 Reis e Rainhas enterrados sob os seus tetos abobadados, incluindo Isabel I, Maria I e Maria, Rainha da Escócia. A abóbada de Hanover é onde repousam Jorge II e a sua família, enquanto a abóbada de Stuart sob o corredor sul abriga os túmulos de Carlos II, Guilherme III, Maria II e da Rainha Ana.

O Rei Carlos III fez seu discurso cercado por 95 estátuas de santos, datadas do século XVI, quando a Capela foi construída. Segundo a Tatler, a sua extremidade leste é dedicada à Força Aérea Real, com um vitral de Hugh Easton que retrata os emblemas de esquadrões que participaram da Batalha da Grã-Bretanha em 1940.