Os motores a combustão dos automóveis são consideravelmente diferentes dos utilizados pelas motos, fruto destes necessitarem de ser mais leves e mais compactos para se poderem alojar no interior dos quadros mais exíguos dos veículos de duas rodas. Contudo, as regras que regem uns e outros continuam a ser as mesmas, girando em torno da melhor forma de extrair potência, o que coloca a capacidade e o número de cilindros (de que depende a rotação) no topo das necessidades. Daí que a MV Agusta tenha concebido o Cinque Cilindri, um cinco cilindros em linha que é capaz de rodar às 16.000 rpm e debitar 240 cv.
A italiana MV Agusta é um reputado fabricante de veículos de duas rodas, com grande tradição entre os modelos de estrada e um invejável número de títulos de campeão no mundo das corridas. Com Giacomo Agostini aos comandos amealhou sete títulos consecutivos, entre 1966 e 1972, mas os sucessos da equipa transalpina foram reforçados com os quatro campeonatos ganhos por John Surtees (de 1956 a 1960), três de Mike Hailwood (de 62 a 64), dois de Phil Read (73 e 74) e o título solitário de Gary Hocking, em 1961. Isto faz da MV Agusta a marca com mais títulos de campeã na categoria principal, atrás da Honda, mas à frente da Yamaha, Ducati e Suzuki, apesar de estar arredada da competição desde os anos 70.
A MV Agusta surpreendeu agora o mundo das duas rodas ao apresentar o Cinque Cilindri, ainda um protótipo com cinco cilindros em linha, mas com a garantia de se transformar em breve no motor que vai equipar os seus modelos de topo de gama. Os principais argumentos deste novo motor, que distribui os cinco pistões por duas cambotas, são essencialmente dois: o facto de debitar 240 cv na versão mais desportiva e de maior cilindrada, para depois conseguir atingir 16.000 rpm, um regime só ao nível das melhores unidades das motos superdesportivas. De acordo com o construtor, o Cinque Cilindri vai dar origem a vários motores, com capacidade a variar entre 850 cc e 1150 cc, e o rendimento máximo a poder atingir 240 cv e 135 Nm às 8500 rpm, o que deixa antever uma margem de utilização muito generosa.
A MV Agusta com o Cinque Cilindri irá enfrentar as superdesportivas da Ducati, nomeadamente a Panigale V4 R, apontada como a mais “assanhada” do mercado, ao debitar 218 cv. A este duo de luxo é necessário aliar a BMW M1000 RR, com 218 cv, a Honda CBR1000 RR-R Fireblade SP (217 cv), a Kawasaki Ninja ZX-10RR (203 cv) e a Yamaha YZF-R1M (200 cv). Estes valores deixam clara a vantagem da nova MV Agusta, se e quando chegar ao mercado, sendo que ao anunciar um peso de somente 60 kg para o motor Cinque Cilindri, além de ser mais compacto do que uma unidade com a mesma cilindrada e quatro cilindros — devido à arrumação dos cilindros em 3+2 — a máquina italiana deverá igualmente ter vantagem no capítulo da agilidade, cortesia da mecânica mais compacta.