Três semanas depois, o destino voltou a colocar Manchester United e Wolverhampton frente a frente. Acaba por ser uma preciosidade que só a Premier League oferece, mas o que é certo é que, depois de se terem enfrentado no Molineux na 15.ª jornada, red devils e wolves voltaram a medir forças esta terça-feira, agora em Old Trafford e a contar para a 19.ª ronda do Campeonato inglês. Recuando no tempo, a prestação do Man. United em casa do Wolverhampton foi uma das melhores sob o comando técnico de Ruben Amorim, com Bruno Fernandes, que entretanto se lesionou, a bisar e Bryan Mbeumo e Mason Mount a marcarem (4-1).

Sem Bruno, apareceu a equipa (e algo único desde 2022): United vence Newcastle sem sofrer golos e sobe ao 5.º lugar

Desde essa partida, os red devils voltaram à irregularidade que tem os caracterizado, somando um empate frente ao Bournemouth (casa, 4-4), uma derrota diante do Aston Villa (fora, 1-2) e uma vitória diante do Newcastle, na passada sexta-feira (casa, 1-0). Por outro lado, o Wolverhampton, que superou o pior arranque de sempre de uma equipa na história da Premier League, continua bastante aquém, tendo perdido com Arsenal (fora, 1-2), Brentford (casa, 0-2) e Liverpool (fora, 2-1), num jogo que serviu de homenagem a Diogo Jota, que representou os dois emblemas em Inglaterra. O último lugar e a descida ao Championship parece um dado adquirido para os wolves numa altura em que o Campeonato inglês vai partir para a sua metade.

“Mercado? Estamos sempre em conversações. Não é só por estarmos em janeiro. Claro que a janela estará aberta e precisamos de perceber o que podemos fazer, não apenas perceber que jogadores podemos trazer, mas também saber o que vai acontecer à equipa. Não vou bater à porta do Jason [Wilcox, diretor do futebol] e do Omar [Berrada, diretor executivo] a pedir mais jogadores. Eles sabem o que precisamos. Percebo que também temos um processo. Queremos fazer coisas com a certeza de que não vamos cometer os mesmos erros do passado Wolverhampton? Só estou a pensar em recuperar os meus jogadores. Se precisarmos de sofrer em alguns momentos, vamos ter de sofrer para depois tentarmos dar dois passos em frente. O mercado de janeiro é muito difícil”, assumiu Amorim na antevisão à partida.

Perante as ausências dos lesionados Bruno, Kobbie Mainoo, Matthijs de Ligt, Harry Maguire e Mason Mount, bem como de Noussair Mazraoui, Bryan Mbeumo e Amad Diallo, que estão na Taça das Nações Africanas, as opções de Ruben Amorim são cada vez mais escassas, pelo que o português optou por manter praticamente intacto o onze que defrontou o Newcastle, com Senne Lammens, Lisandro Martínez, Ayden Heaven e Luke Shaw no setor mais recuado, Diogo Dalot, Manuel Ugarte, Casemiro e Patrick Dorgu no meio-campo, e Matheus Cunha no apoio a Joshua Zirkzee — a única novidade — e Benjamin Sesko. Já Rob Edwards apostou em Tolu Arokodare, Hwang Hee-chan e em Mateus Mané, que nasceu em Portugal e conta com nacionalidade inglesa e guineense, para alvejar a baliza adversária, mantendo José Sá no seu onze.

Como seria de esperar, o Man. United assumiu o controlo da partida desde o início e, nos primeiros instante, ficou perto de marcar, com Shaw a tentar o golo olímpico na cobrança de um canto, mas Sá aplicou-se e impediu o golo (4′). Pouco depois, Sesko recebeu na esquerda, fez diagonal para o atirou ao lado (15′). Na resposta, Hwang tentou corresponder a um cruzamento, mas falhou o alvo (20′). Com os red devils por cima, Heaven recuperou a bola e colocou em Zirkzee que, depois de aproveitoar um ressalto, simulou com o pé direito e atirou de pé esquerdo para o golo inaugural, com a bola a desviar em Ladislav Krejcí e a enganar o português (27′). Com o nulo desfeito, os wolves voltaram à carga e Hwang quase marcou (35′), seguindo-se o remate ao poste de Sesko (38′) e uma grande defesa de Lammens a remata de Hugo Bueno (41′). A fechar a primeira parte, Krejcí aproveitou um mau corte de Dorgu na sequência de um canto para fazer o empate (45′).

Ao intervalo, Ruben Amorim decidiu colocar Jack Fletcher no lugar de Zirkzee e, logo a abrir, Casemiro desferiu um grande passe de trivela para Benjamin Sesko que, sozinho, cabeceou à figura de José Sá (53′) que, no lance seguinte, teve de fazer mais uma grande defesa, em cima da linha de golo, para impedir o autogolo de Yerson Mosquera (54′). Na resposta, Ladislav Krejcí passou por Ayden Heaven e atirou rasteiro para uma grande parada de Senne Lammens, com Mosquera, na recarga, a rematar para nova intervenção de alto nível do belga (64′). Já com Leny Yoro e Bendito Mantato em campo, Jhon Arias apareceu com perigo, à entrada da área, a finalizar de primeira, mas a bola passou ligeiramente ao lado (79′). Nos instantes finais, Casemiro colocou em Sesko dentro da área, o avançado rodou e atirou para uma grande defesa de Sá e, na recarga, Patrick Dorgu recolocou o Man. United em vantagem, mas em posição irregular (90′). Com este empate, o Man. United chegou aos 30 pontos e continua no sexto lugar. O Wolverhampton pontuou pela primeira vez com Rob Edwards, tendo agora três empates (1-1).