Podia ter sido a entrada no top 4 com acesso à Liga dos Campeões, acabou com nova derrota como já não acontecia há quase um mês. Ainda assim, e entre todos os problemas que o desaire com o sensacional Aston Villa que leva dez triunfos consecutivos poderia trazer, o problema foi outro e chegou ainda na parte final da primeira parte quando Bruno Fernandes levou a mão à coxa. Tentou esticar a perna por mais do que uma ocasião, deu uns safanões à espera de um milagre, jogou como se fosse um canhoto durante alguns minutos, quase marcou de pé esquerdo, marcou um canto de pé direito, acabou. Rendeu-se depois de fazer tudo para não cair rendido. E, mais do que a imagem anormal de ver um maratonista encostar às boxes por uma lesão muscular, o capitão levantou uma questão para a qual Ruben Amorim não tinha uma resposta.

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“Tivemos azar, mesmo com a lesão do Bruno, mas durante o jogo, mesmo sem ele, fomos a melhor equipa. Bloqueámos bem as transições, jogaram muito bem. Fizemos um excelente trabalho que ninguém vai lembrar amanhã, porque o que importa é o resultado. Mais uma vez, acho que merecíamos muito mais mas a melhor equipa não ganhou. Desde o início da época vi uma equipa que está a progredir, mas que por vezes relaxa um pouco e outras vezes não está presente no momento certo para lutar. Com o Aston Villa foi completamente o oposto, fomos a melhor equipa contra uma equipa que é forte em casa e que está numa série muito boa. Tivemos realmente azar”, apontou o técnico português apesar do desaire em Birmingham.

O Bruno tem uma lesão nos tecidos moles, por isso vai demorar algum tempo. É realmente estranho. Durante este ano, especialmente nesta altura, temos tantos problemas mas temos de lidar com isso. Vamos tentar encontrar soluções e avançar para o próximo jogo”, acrescentou.

Agora o problema muscular estava confirmado, com a estimativa de pelo menos três semanas até voltar a ver o internacional português a treinar de forma normal com os companheiros. “É impossível substituir Bruno Fernandes e disse isso à equipa. Ele não é apenas um jogador fundamental na criação de oportunidades mas também crucial nas bolas paradas. Temos de aproveitar o que há de bom, se é que há algo de bom nisso. É uma boa oportunidade para todos darem um passo à frente e entenderam que não podemos depender de um único jogador para tudo. Temos de ter mais líderes no grupo”, pedira Amorim antes do jogo que iria abrir a jornada na Premier League, num Boxing Day muito longe daquilo que era habitual assistir.

Ruben Amorim admite que Bruno Fernandes é “insubstituível” no Manchester United

“Newcastle venceu cinco dos últimos seis confrontos? Podemos ganhar qualquer jogo. Temos alguns problemas mas mesmo sem muitos jogadores no momento, acredito na equipa e confio nos jogadores. Se estivermos concentrados, podemos vencer”, acrescentara antes do encontro com uma equipa de Liga dos Campeões a atravessar uma temporada mais irregular mas a começar aos poucos a atingir o patamar que era esperado. Agora, essa noite ficou no norte de Inglaterra e o Manchester United voltou aos triunfos com uma enorme capacidade de sacrifício e entreajuda no segundo tempo para segurar a vantagem mínima num dos raros encontros em que conseguiu terminar sem golos sofridos (apenas o segundo, acrescente-se). No dia em que tentava emancipar-se sem capitão, sem o qual nunca tinha ganho uma partida a contar para a Premier League desde a temporada de 2022/23, imperou o espírito coletivo antes de uma série mais acessível de jogos com Wolverhampton, Leeds, Burnley e Brighton (na Taça) antes do dérbi da cidade frente ao City.

Como seria de esperar, Ruben Amorim apostou em Casemiro em dupla com Ugarte no meio-campo e fez só mais uma mexida, com a entrada de Lisandro Martínez (primeira titularidade após longa lesão) no lugar de Leno Yoro em busca de referências de liderança numa equipa que não contaria pela primeira vez com Bruno Fernandes e que em vários momentos foi desenhando uma linha a quatro na defesa ao contrário do habitual 3x4x3. E o Manchester United até começou melhor, com Casemiro a ganhar ao primeiro poste depois de um canto na esquerda mas a desviar de cabeça ao lado (3′). Depois, e quase de forma natural, o Newcastle foi assumindo o controlo do jogo, criou também perigo na sequência de um canto com Lammens a brilhar na baliza mas nunca conseguiu materializar em oportunidades o maior ascendente no encontro. Imperou depois a lei da eficácia, com o segundo remate enquadrado dos visitados a valer o primeiro golo do jogo.

Já depois de uma boa jogada de Matheus Cunha (o melhor no plano ofensivo sem o português) com remate para defesa de Ramsdale (24′), Dorgu aproveitou um corte incompleto após lançamento lateral longo de Diogo Dalot para atirar de primeira e fazer o 1-0 naquele que foi o primeiro golo pelos red devils (24′). O mais complicado estava feito, com o Manchester United a ganhar uma vantagem que faria bem à equipa para evoluir numa nova ideia tática explicada sobretudo pelo número de baixas que o grupo tem nesta fase e que permitiria que esse avanço fosse mantido até ao intervalo entre algumas ameaças dos magpies que continuavam a anos luz daquilo que já mostraram esta temporada sobretudo em termos ofensivos.

Apesar de um toque que deixou Casemiro no chão num lance antes do descanso, Ruben Amorim mexeu ao intervalo mas não para retirar o brasileiro, deixando no balneário Mason Mount, que aparecera agora mais descaído na esquerda, e lançando Jack Fletcher, um dos filhos do antigo campeão europeu Darren Fletcher que estava no banco (e com o pai nas bancadas). A ideia passaria por ter um outro controlo do jogo, a teoria nunca passou à prática e, apesar de um remate de pé esquerdo de Sesko que bateu com violência na trave (60′), foi o Newcastle que andou sempre mais perto do empate, ainda mais quando Casemiro foi substituído por Yoro para espanto do próprio internacional brasileiro. Hall, numa meia distância ainda longe da baliza, acertou na trave (62′), Anthony Gordon rematou em boa posição ao lado (67′) e o resultado não voltaria a mexer, com Diogo Dalot a desperdiçar a grande oportunidades dos minutos finais (80′).