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Taiwan denuncia disparos com munição real no segundo dia de manobras da China e envia barcos de patrulha para conter incursões

Este artigo tem mais de 6 meses

Unidades de artilharia do Exército de Libertação Popular dispararam de Fujian em direção a uma área marítima próxima da linha das 24 milhas náuticas ao largo de Taiwan, que enviou barcos de patrulha.

epa12616697 Pedestrians walk past a screen broadcasting news about coast guard activities as China launched military drills around Taiwan, in Beijing, China, 29 December 2025. China launched military drills carried out by the People's Liberation Army (PLA) around Taiwan today.  EPA/ANDRES MARTINEZ CASARES
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▲Taiwan destacou que "as Forças Armadas responderam com sistemas conjuntos de tropas e de fogo"

ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA

▲Taiwan destacou que "as Forças Armadas responderam com sistemas conjuntos de tropas e de fogo"

ANDRES MARTINEZ CASARES/EPA

O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan confirmou que o Exército chinês realizou esta terça-feira disparos com munição real ao largo da costa norte da ilha, no âmbito das manobras militares lançadas por Pequim na véspera. Também esta terça-feira, Taiwan enviou dezenas de barcos patrulha para as águas em torno da ilha, com o objetivo de monitorizar e repelir navios da Guarda Costeira chinesa.

Segundo um comunicado oficial, os primeiros disparos soaram às 9h (01h00, em Lisboa), a partir da província de Fujian, no sudeste da China continental. As unidades de artilharia de longo alcance do Exército de Libertação Popular (ELP) dispararam em direção a uma área marítima próxima da linha das 24 milhas náuticas (44,4 quilómetros) ao largo de Taiwan.

“As Forças Armadas responderam com sistemas conjuntos de tropas e de fogo, realizando um acompanhamento rigoroso da situação”, indicou o ministério taiwanês, sem divulgar o tipo de armamento utilizado por Pequim.

O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo Li-hsiung, permaneceu no Centro de Comando Conjunto de Operações durante os exercícios, coordenando o estado de prontidão das unidades de reconhecimento, radar, vigilância, defesa aérea e outras forças, segundo o mesmo comunicado.

O Comando do Teatro Oriental do ELP já tinha anunciado os disparos com “fogo real de longo alcance” e afirmou que os exercícios tinham atingido os “efeitos desejados”. O objetivo declarado das manobras, apelidadas de “Missão Justiça-2025”, é enviar um sinal de advertência contra “forças externas” que tentem interferir na questão de Taiwan. Os exercícios militares vão decorrer até às 18h desta terça-feira (10h, em Lisboa).

Durante o primeiro dia de exercícios, a China simulou vários cenários de combate, incluindo ataques a alvos marítimos e terrestres, bloqueios de portos e zonas estratégicas, operações antissubmarino e missões para garantir “superioridade aérea regional”. Participaram caças, bombardeiros, veículos aéreos não tripulados (drones), fragatas e contratorpedeiros.

Segundo o Ministério da Defesa de Taiwan, entre as 6h de segunda-feira (22h de domingo em Lisboa) e as 6h desta segunda-feira, foram detetadas 130 aeronaves militares chinesas nas proximidades da ilha — a segunda maior incursão aérea diária já registada.

Por seu lado, Taiwan enviou barcos patrulha para vigiar a ilha. A autoridade marítima indicou que desde a manhã de segunda-feira detetou 14 embarcações da Guarda Costeira da China a “assediarem” zonas próximas das águas restritas das ilhas periféricas de Matsu, Kinmen, Wuqiu e Dongsha. Assim, justifica o organismo, “a Guarda Costeira respondeu de forma imediata, destacando 14 barcos de patrulha para as respetivas áreas marítimas, numa vigilância paralela e individualizada, expulsando com firmeza as embarcações chinesas”.

Outros navios foram enviados em apoio e foi ativado um centro de resposta de emergência, em articulação com o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan, para garantir a monitorização da situação. Segundo a autoridade, “todas as embarcações nacionais e estrangeiras conseguiram transitar em segurança pelas águas adjacentes a Taiwan, sem ameaças ou interferências”, graças à vigilância das forças costeiras.

Taiwan garante que vai agir “com responsabilidade, sem escalar o conflito”

O exército chinês confirmou hoje o arranque do segundo dia de exercícios, num contexto de tensão crescente entre a China e os Estados Unidos e o Japão, devido ao aumento do apoio militar a Taipé e a visitas de altos responsáveis políticos japoneses à ilha.

A Guarda Costeira de Taiwan alertou para o “impacto significativo” dos exercícios na segurança da navegação e na atividade dos pescadores, sublinhando o seu empenho em defender a soberania nacional e a integridade das rotas marítimas. Na rede social Facebook, o líder de Taiwan, William Lai Ching-te, assegurou que as Forças Armadas da ilha vão agir “com responsabilidade” face aos exercícios militares lançados pela China, apelando à serenidade da população.

“Agiremos com responsabilidade, sem escalar o conflito nem provocar confrontos“, escreveu no Facebook.

“Neste momento, a união entre civis e militares e a resistência à desinformação são a força mais poderosa para proteger o nosso lar democrático”, acrescentou.

Apelidado de independentista e provocador por Pequim, Lai instou os taiwaneses a apoiarem os “heróis na linha da frente” e a defenderem a soberania e a liberdade da ilha, autogovernada desde 1949 e reclamada pela China como parte do seu território.

O líder destacou ainda que a manutenção da paz no estreito de Taiwan e na região do Indo-Pacífico é uma “aspiração partilhada pela comunidade internacional” e um “compromisso firme de Taiwan como membro responsável da região”. “O Partido Comunista Chinês tem intensificado repetidamente a pressão militar, comportamento que está longe do que se espera de uma grande potência responsável”, afirmou.

William Lai garantiu que o Governo e as Forças Armadas de Taiwan estão a acompanhar de perto a evolução da situação e preparados para responder a qualquer eventualidade. “Frente às intrusões e manipulações cognitivas, o nosso sistema de segurança nacional está coordenado e garante a segurança do país em tempo real”, assegurou.

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