O Ministério da Defesa Nacional de Taiwan confirmou que o Exército chinês realizou esta terça-feira disparos com munição real ao largo da costa norte da ilha, no âmbito das manobras militares lançadas por Pequim na véspera. Também esta terça-feira, Taiwan enviou dezenas de barcos patrulha para as águas em torno da ilha, com o objetivo de monitorizar e repelir navios da Guarda Costeira chinesa.
Segundo um comunicado oficial, os primeiros disparos soaram às 9h (01h00, em Lisboa), a partir da província de Fujian, no sudeste da China continental. As unidades de artilharia de longo alcance do Exército de Libertação Popular (ELP) dispararam em direção a uma área marítima próxima da linha das 24 milhas náuticas (44,4 quilómetros) ao largo de Taiwan.
“As Forças Armadas responderam com sistemas conjuntos de tropas e de fogo, realizando um acompanhamento rigoroso da situação”, indicou o ministério taiwanês, sem divulgar o tipo de armamento utilizado por Pequim.
O ministro da Defesa de Taiwan, Wellington Koo Li-hsiung, permaneceu no Centro de Comando Conjunto de Operações durante os exercícios, coordenando o estado de prontidão das unidades de reconhecimento, radar, vigilância, defesa aérea e outras forças, segundo o mesmo comunicado.
O Comando do Teatro Oriental do ELP já tinha anunciado os disparos com “fogo real de longo alcance” e afirmou que os exercícios tinham atingido os “efeitos desejados”. O objetivo declarado das manobras, apelidadas de “Missão Justiça-2025”, é enviar um sinal de advertência contra “forças externas” que tentem interferir na questão de Taiwan. Os exercícios militares vão decorrer até às 18h desta terça-feira (10h, em Lisboa).
Durante o primeiro dia de exercícios, a China simulou vários cenários de combate, incluindo ataques a alvos marítimos e terrestres, bloqueios de portos e zonas estratégicas, operações antissubmarino e missões para garantir “superioridade aérea regional”. Participaram caças, bombardeiros, veículos aéreos não tripulados (drones), fragatas e contratorpedeiros.
Segundo o Ministério da Defesa de Taiwan, entre as 6h de segunda-feira (22h de domingo em Lisboa) e as 6h desta segunda-feira, foram detetadas 130 aeronaves militares chinesas nas proximidades da ilha — a segunda maior incursão aérea diária já registada.
Por seu lado, Taiwan enviou barcos patrulha para vigiar a ilha. A autoridade marítima indicou que desde a manhã de segunda-feira detetou 14 embarcações da Guarda Costeira da China a “assediarem” zonas próximas das águas restritas das ilhas periféricas de Matsu, Kinmen, Wuqiu e Dongsha. Assim, justifica o organismo, “a Guarda Costeira respondeu de forma imediata, destacando 14 barcos de patrulha para as respetivas áreas marítimas, numa vigilância paralela e individualizada, expulsando com firmeza as embarcações chinesas”.
Outros navios foram enviados em apoio e foi ativado um centro de resposta de emergência, em articulação com o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan, para garantir a monitorização da situação. Segundo a autoridade, “todas as embarcações nacionais e estrangeiras conseguiram transitar em segurança pelas águas adjacentes a Taiwan, sem ameaças ou interferências”, graças à vigilância das forças costeiras.
Taiwan garante que vai agir “com responsabilidade, sem escalar o conflito”
O exército chinês confirmou hoje o arranque do segundo dia de exercícios, num contexto de tensão crescente entre a China e os Estados Unidos e o Japão, devido ao aumento do apoio militar a Taipé e a visitas de altos responsáveis políticos japoneses à ilha.
A Guarda Costeira de Taiwan alertou para o “impacto significativo” dos exercícios na segurança da navegação e na atividade dos pescadores, sublinhando o seu empenho em defender a soberania nacional e a integridade das rotas marítimas. Na rede social Facebook, o líder de Taiwan, William Lai Ching-te, assegurou que as Forças Armadas da ilha vão agir “com responsabilidade” face aos exercícios militares lançados pela China, apelando à serenidade da população.
“Agiremos com responsabilidade, sem escalar o conflito nem provocar confrontos“, escreveu no Facebook.
“Neste momento, a união entre civis e militares e a resistência à desinformação são a força mais poderosa para proteger o nosso lar democrático”, acrescentou.
Apelidado de independentista e provocador por Pequim, Lai instou os taiwaneses a apoiarem os “heróis na linha da frente” e a defenderem a soberania e a liberdade da ilha, autogovernada desde 1949 e reclamada pela China como parte do seu território.
O líder destacou ainda que a manutenção da paz no estreito de Taiwan e na região do Indo-Pacífico é uma “aspiração partilhada pela comunidade internacional” e um “compromisso firme de Taiwan como membro responsável da região”. “O Partido Comunista Chinês tem intensificado repetidamente a pressão militar, comportamento que está longe do que se espera de uma grande potência responsável”, afirmou.
William Lai garantiu que o Governo e as Forças Armadas de Taiwan estão a acompanhar de perto a evolução da situação e preparados para responder a qualquer eventualidade. “Frente às intrusões e manipulações cognitivas, o nosso sistema de segurança nacional está coordenado e garante a segurança do país em tempo real”, assegurou.