Um passaporte antigo em nome de Eliza Samudio, modelo brasileira que foi assassinada em junho de 2010 pelo guarda-redes brasileiro Bruno, foi encontrado no final do ano num apartamento alugado em Portugal, reacendendo um caso que durante anos provocou forte indignação no Brasil e alimentou teorias sobre o que verdadeiramente aconteceu — já que o corpo da modelo e atriz nunca foi encontrado.
A informação foi avançada pelo Portal Leo Dias, uma página de informação brasileira que se dedica a notícias sobre celebridades, e a veracidade do passaporte encontrado foi entretanto confirmada pelo Consulado-Geral do Brasil em Portugal.
O documento foi descoberto por um homem que não se quis identificar e que contou a história àquele portal sob o nome José. O homem vive naquele apartamento arrendado com a sua mulher e uma filha — e a família partilha a casa com um outro jovem casal que arrenda um outro espaço no apartamento. Foi José quem descobriu o passaporte: ao regressar a casa após um período de trabalho fora, ficou curioso com os livros que estavam na estante da sala partilhada entre as duas famílias e, observando de perto os vários livros, descobriu lá no meio o passaporte.
“Quando encontrei o documento e vi de quem era, por se tratar de uma pessoa que foi um caso que teve grande repercussão no Brasil e no mundo inteiro, fiquei em choque”, afirmou José ao portal. “Pela foto eu já sabia de quem era, quem era a dona.”
Foi o próprio José a contactar aquele portal de notícias, que tem acompanhado de forma próxima o caso de Eliza Samudio ao longo dos anos. De acordo com a reportagem feita em Lisboa pelo portal, o documento encontrava-se intacto, com todas as páginas e com um carimbo de entrada em Portugal, com data de 5 de maio de 2007. Faltava, porém, o carimbo de saída — embora se saiba que a a modelo viria a ser assassinada no Brasil em 2010. Sabe-se também que não tinha sido emitida qualquer segunda via daquele passaporte.
José entregou o passaporte no Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. A representação diplomática confirmou àquele portal de notícias que já comunicou a descoberta ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Brasília, “informando que o passaporte foi encontrado e entregue ao consulado”. Os responsáveis do consulado aguardam agora indicações de Brasília sobre o que será feito em relação ao documento e ao caso.
O caso do assassinato de Eliza Samudio remonta ao ano de 2009, quando a modelo se separou do guarda-redes brasileiro Bruno, de quem havia engravidado, mas que se recusava assumir a paternidade da criança. Eliza Samudio viria a ser dada como desaparecida em junho de 2010, depois de ter ido à casa do futebolista para negociar os termos da separação. A modelo terá, nessa ocasião, sido assassinada e desmembrada. Bruno e vários cúmplices foram condenados pelo crime (o ex-futebolista do Flamengo foi mesmo condenado a mais de 20 anos de prisão), mas o corpo nunca apareceu, o que alimentou durante décadas dúvidas sobre o que havia acontecido.
A descoberta do passaporte vem agora levantar novas dúvidas sobre o caso. Uma possível explicação apontada pela imprensa brasileira é a de que a modelo tenha viajado para Portugal e perdido o passaporte, regressando a casa com um documento provisório emitido pela embaixada. Porém, também têm circulado rumores sobre a possibilidade de a descoberta do passaporte poder indicar que a modelo, afinal, ainda se encontra viva. “Seria bom se realmente ela estivesse viva, mas temos que esperar para saber o que aconteceu”, disse o irmão de Eliza, Arlie Moura, numa entrevista ao jornal O Tempo.