O Governo formalizou na quinta-feira a candidatura de Mário Centeno ao cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu, anunciou o Ministério das Finanças em comunicado.
“Tendo o Governo português recebido a manifestação de interesse do Doutor Mário Centeno em candidatar-se a Vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o Ministério das Finanças apresentou essa candidatura ao Presidente do Eurogrupo ontem ao fim do dia”, anuncia o gabinete de Miranda Sarmento, confimando a notícia avançada na quinta-feira pelo Eco, que, citando o próprio ex-governador do Banco de Portugal, avançou a formalização da candidatura.
“A candidatura, a formalizar amanhã [sexta-feira] pelo Governo português, integra-se no meu persistente contributo para o aprofundamento da integração europeia, sustentado na experiência adquirida ao longo do meu percurso profissional. Após mais de três décadas no Banco de Portugal e perto de dez anos em funções de representação na União Europeia, incluindo enquanto presidente do Eurogrupo, a possibilidade de assumir o cargo de vice presidente do BCE representa um desafio para o qual me sinto motivado e qualificado”, diz em declarações ao Eco.
Mário Centeno justifica ainda ter sido “incentivado por contactos europeus mantidos durante o período em que exerci funções como governador do Banco de Portugal” que o levou a manifestar disponibilidade: “Manifestei junto dos líderes europeus a minha disponibilidade para me candidatar ao cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu, em que mantive informado o Governo português“.
Para o ex-governador esta eleição representaria “uma oportunidade determinante para afirmar Portugal num dos mais relevantes centros de decisão europeus”.
O prazo para a apresentação das candidaturas à vice-presidência do Banco Central Europeu por parte dos Estados-membros termina esta sexta-feira. Quem for eleito substituirá no cargo o espanhol Luis de Guindos, cujo mandato termina no final de maio.
Neste momento há várias candidaturas em cima da mesa. Croácia, Estónia, Finlândia, Lituânia e Letónia já disseram que formalizariam uma candidatura. O ex-ministro das finanças da Lituânia, Rimantas Sadzius, é o único candidato que não teve funções de governador do Banco Central. Os restantes candidatos, Martins Kazaks (Croácia), Madis Muller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Boris Vujcic (Letónia) e Mário Centeno (Portugal), foram governadores dos respetivos bancos centrais.
A notícia de que Centeno poderia ser candidato ao cargo já tinha sido avançada em novembro. E, nessa altura, Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, mostrou apoio: “O Governo, naturalmente, como acontece sempre e como aconteceu com o Dr. António Costa recentemente, vê sempre com satisfação quando um português pode chegar a um cargo internacional“. Nessa altura Miranda Sarmento foi questionado porque é que o ex-governador do Banco de Portugal teria condições para ser vice-presidente do BCE (mas não teve condições para ser reconduzido no Banco de Portugal), tendo o ministro das Finanças remetido “essa análise” para mais tarde.
Nesse mesmo dia, Luís Montenegro assumiu que iria bater-se com recato por uma boa representação de Portugal no BCE, recusou então mencionar diretamente uma candidatura de Mário Centeno ao lugar de vice-presidente.